
Bolsonaro juntou mulher e filha adolescente para gravar pedido de desculpas às meninas venezuelanas por conta do “pintou um clima”. A mulher para provar que deixou de ser imbrochável. A filha para provar que não ataca adolescentes porque tem filha adolescente; como o racista que nega o preconceito porque seu melhor amigo é negro. Ele parou a motociata e desceu da moto para conversar com as meninas – sozinho, ao “pintar o clima”.
Devia ir sozinho ao rito de redenção. Mas esconde-se sob a saia da mulher e usa a filha como escudo, feito o cão fraldiqueiro. E desculpa-se ao longe, de muletas. Seu gado aceita e aplaude. Afinal, o clima pintou com filhas de venezuelanos. Carlos Lacerda, deputado que ofendia da tribuna, um dia pediu desculpas, em privado. O ofendido rejeitou “quem ofende em público, desculpa-se em público”. O Mito medroso devia ir de joelhos pedir perdão.
Sobre Solda
Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 50 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido
não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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Rogério Distéfano - O Insulto Diário. Adicione o
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