
É uma cópia do filme Kerouac, de 1985, um documentário (que traduzido virou Kerouac, rei dos beats). Uma produção bem acabada com farto material autêntico de época – principalmente uma entrevista para o programa de televisão The Steve Allen Show, em 1959, quando Kerouac, usando um piano como mesa, faz uma sensível leitura de um trecho de On the road.
O filme, do qual não tenho muitas informações técnicas, resgata imagens e depoimentos raros. Tudo com a eficiente narração de Peter Coyote.
Importante também os depoimentos de amigos poetas, escritores ou apenas boêmios, entre eles Ginsberg, Ferlinghetti, Burroughs, Gary Snyder e Carl Solomão, a legião beat dos anos 50.
Quando o prestigio de Kerouac atingiu a lista dos mais vendidos nos EUA, o ácido Truman Capote destilou todo o seu veneno ao declarar: “Isto não é literatura. É datilografia”. O livro, um calhamaço escrito em três semanas, seria consagrado pelo The New York Times e traduzido para 18 idiomas.
Impossível tratar do assunto em apenas uma crônica. Fiquei maravilhado com muitas passagens do filme e chocado (ainda!) com o alcoolismo que levou o andarilho à loucura e à morte, aos 47 anos. Uma das últimas entrevistas, num programa de televisão, deixa claro esta lamentável decadência. Seus últimos dias, portanto, foram de dor e solidão. Já vi este filme antes.
Jack Kerouac —1922-1969
Toninho Vaz, de Santa Teresa
