Do blog do Kenard Kruel

Foto de Vera Solda.

Kenard: “A amizade, é o maior de todos os bens; tão necessária à vida quanto a água, o fogo e o ar, ela é para o homem o que o sol é para a natureza; enfim, é tão agradável, tão honesta (essa palavra nada significa para mim), que os próprios filósofos a puseram entre os maiores bens. Pois bem, e se eu vos provasse que sou eu ainda que dou nascimento e vida a todas as amizades? Nada mais fácil, posso prová-lo de forma tão clara quanto o dia; mas para isso não empregarei nem dilemas, nem silogismos, nenhum desses raciocínios capciosos de que se servem geralmente nossos lógicos sutis; contentar-me-ei de seguir as luzes do senso comum. Fechar os olhos para os desregramentos dos amigos, iludir-se sobre seus defeitos, imitá-los, amar neles os maiores vícios, admirá-los como se fossem virtudes, não é isso o que se chama entregar-se à loucura? O amante que beija amorosamente uma mancha que percebe na pele de sua amante, o outro que cheira voluptuosamente o pólipo de sua Inês, o pai cujo filho é zarolho e que acha seu olhar terno, tudo isso não são puras loucuras? Sim, dizei quanto quiserdes que são loucuras, e loucuras das mais mais completas; mas admiti, no entanto, que são essas loucuras que formam e mantêm as amizades”. Erasmo, em O elogio da Loucura.

Albert Piauí veio aí de Teresina aqui pra Curitiba para me levar ao Salão Internacional de Humor do Piauí. E há sete anos vou até o Piauí para esse grande evento que reúne chartunistas (cartunistas + chargistas) de todo o Brasil. Eu e Albert somos como irmãos. Minha casa é uma espécie de consulado do Piauí em Curitiba. Conheço todos os filhos do véio Albert e me dou com todos eles, principalmente com Albert Nane, com quem encontro freqüentemente. Digo mais: a amizade é o maior patrimônio que nós possuímos. Carros, casa, geladeira, computador, tudo a gente compra. Menos as amizades. Não se encontra Kenard Kruel em supermercado. Nem Fred Ozanan. Nem Solda.

Conte sempre comigo, véio. Este ano queremos uma festa para calar a boca dos que deixaram de colaborar no Salão do ano passado. Certo?


Solda e Vera.

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 50 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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