Lápis e papel – Memórias e amnésias de um show curitibano já distante no tempo

Foto sem crédito.

O Lee Swain publicou aqui belíssimo cartaz, que ele criou, do show Lápis de Cor e Salteado. O ano de “mil novecentos e lá vai bolinha” foi o já balzaquiano 1978, caro Swain. Lembro de você gastando sem pena a ponta do lápis – preto no branco, papel sobre papel – numa prancheta da Século XX Art, Studio & Propaganda, da saudosa Índia do Brasil Sigwalt. Confere?

Inspirado pelo tal cartaz, interfiro aqui, caro Solda, para falar do show de 30 anos atrás. Nada a ver com recente homenagem feita ao inesquecível músico Lápis (Palmilor Rodrigues Ferreira nasceu em 05/10/1942 e morreu em 12/02/1978). Não confundir, então: o Lápis é o mesmo, os shows é que são diferentes, pois.

O espetáculo musical a que me refiro – conforme o texto (fui o redator) do cartaz – teve apresentação única, no dia 1° de junho (daquele ano, 78), às 21 horas, no Guairão. O evento foi no mesmo dia da abertura da Copa do Mundo na Argentina, com 4 graus Celsius (calma Pirata) em Curitiba. Apesar dessa dupla concorrência (futebol mundial e frio curitibano), pusemos 900 pessoas no Guairão. O líquido da bilheteria foi para os filhos de Lápis: Palmilor Júnior (hoje trabalha no Museu Oscar Niemeyer) e Alexandre (o Grafite). Este, com 13 anos, naquele dia entrou no palco pela primeira vez e não mais o deixou. Músico como o pai, hoje compõe, canta e toca na União Européia, morando em Bruxelas com a sua elegante família – Grafite saiu daqui já casado,

há 18 anos.

Sobre a data do referido show, 1978 – que não consta no cartaz – e qualquer outra data, faço nestas linhas uma observação enfática: a Internet, em seus tags, nem sempre registra datas completas, comprometendo com isso a memória do futuro, a contagem do tempo. Quantas vezes, minha cara, meu caro, lemos avisos públicos – anúncios, cartazes etc – com a data (dia e mês) mas sem o ano. Observem. E muito cuidado, meus jovens, pois basta apenas uma nova série de 365 dias para confundir tudo, amanhã ou depois. Esperem para ver. Portanto, recomendável referenciar sempre dia, mês e ano. Ano.
De acordo?

Ficha técnica (aproximada) do distante show Lápis de Cor e Salteado. Músicos no palco: do Bitten-4 havia apenas um representante, o mestre percussionista Fernando Oliveira (Fernandinho Loko); e mais a cantora Evanira, Lalo (tecladista, irmão do Lápis; Juca, baterista, outro brother, estava no Japão quebrando tudo), Saul Trumpet, Selpa, Boião, Bráulio Prado, Ruben Rolim, Celso Pirata, Tatara, Alderico, Maneco… ao todo estiveram em cena 17 artistas, me perdoem os olvidados. A apresentação foi de Sansores França e Marilena Mueller. Iluminação de Beto Bruel e no Som, Mário. Nas pesquisas, fundamentais as colaborações da querida Midi (cantora lírica, irmã do Lápis) e do incansável Aramis Millarch. O cenário era um bar, lógico, e o garçon, o mais antigo de Curitiba na época, cujo nome não lembro, evidentemente, servia aos participantes birinaites patrocinados pelo Bar Cometa, se não me engano, deixando a platéia com água na boca. Coube a mim a direção geral do show e o violonista Manoel Moscalewski fez a direção musical, com o qual dividi roteiro e produção. Não tivemos patrocínio, exceto algum apoio de mídia e da gráfica Etecetera, do saudoso amigo Gordo Mello.

Ewaldo Schleder.

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 50 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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