O jantar para os dois casais amigos. Na parede uma das mulheres nuas de Modigliani. Tanta festa, muito riso: o lombinho uma delícia. Até que um dos maridos:— Essa moça do quadro. Ela sorri para você?
— É o meu consolo das horas mortas.
A dona acorda, oferecida:
— Ela sou eu, não é, bem?
Um murro na mesa estremece e espalha talher:
— Ela é você? Quando você teve esse amor desesperado nos olhos? Esse perdão infinito na boca?
Outro soco espirra vinho tinto na toalha:
— Não se conhece, sua bruxa?
111 Ais – Dalton Trevisan – Coleção L&PM Pocket – Verão de 2000.
2 respostas a Leia-se!