Locca argumenta com as garotas do Boi de Nina
Rodrigues. Foto de Toninho Vaz.
Hoje vou falar pra vocês do meu mais novo amigo de infância, Locca Faria, o carioca. Estamos juntos, em viagem, há mais de uma semana e a cruzada não está nem na metade. Mas, queridos, não pensem bobagem, pois a gente está só “ficando”…
Quando apresentado ao Locca pelo Ancelmo Duarte (filho do ator), há três anos num boteco da Gávea, fui logo acusando: “Eu me lembro de você no Jazzmania, no Arpoador, durante um show espetacular de Selma Reis, anos 80”. Ele respondeu de pronto, mais faceiro do que mosca em tampa de xarope: “É minha mulher. Eu sou casado com a Selma”. (Uma atuação sensível da cantora no início de carreira, fazia ela chorar, se banhar em lágrimas, enquanto cantava canção ligada à sua história de vida; como moradora de Niterói, ela sonhava atravessar todos os oceanos de dificuldades para cantar profissionalmente do outro lado da baía de Guanabara – e agora ela estava soltando a voz numa casa profissional como o Jazzmania). Nesta noite não conversei com a Selma e, mesmo com o Locca, foram alguns minutos de papo no balcão, tomando uma birita qualquer – alguém tinha acabado de nos apresentar.
Depois, nunca nos encontramos até que este trabalho nos uniu profissionalmente, numa sala de espera do Galeão, semana passada, e agora formamos uma dupla de criação afinada nos seus propósitos estratégicos: eu escrevo, ele dirige.
(Eu já disse aqui nesta pocilga que o Locca, como designer de capa de vinil, esbanjou categoria trabalhando para um cast da maior qualidade. Agora, como amigo de Dorival Caymmi, ele me legou uma sabedoria emblemática do velho, que a propósito do particular assédio feminino, sentenciou do alto da sua malemolência baiana: “Locca, querido, quando uma mulher jura o teu pau, ela vai te comer nem que seja a última coisa que ela faça na vida. Não tem como escapar… Já aconteceu comigo”.) (Como vocês podem ver, hoje exercitei o meu lado Candinha. Mas isso dá samba, não?)
Toninho Vaz, de São Luís do Maranhão.
