O que será de Bolsonaro se perder o amigo fortão das encrencas internacionais

Os indicativos mais recentes da eleição americana é de que o democrata Joe Biden será vitorioso, forçando finalmente Donald Trump a se mudar da Casa Branca. O mundo inteiro espera que os Estados Unidos consigam contar direitinho todos os votos. A chamada maior democracia do mundo parece uma república de bananas quando vai escolher seu presidente.

Com o sistema eleitoral ineficaz dos americanos temos na nossa frente uma eleição que não só acaba quando termina como também nos obriga a torcer para que um dia de fato acabe. As eleições de Al Gore e de Hillary Clinton, por exemplo, estamos até hoje esperando que sejam resolvidas.

Mas, enfim, tudo indica que Joe Biden será o presidente, algo que se de fato ocorrer deverá criar uma situação inédita no Brasil, abrindo um campo muito interessante para a pesquisa sociológica, elucubrações filosóficas, o estudo político, enfim uma variedade de especulações, inclusive do ponto de vista humorístico, claro que de humor negro.

Teremos em nosso país uma cópia que perde sua referência original, com o presidente Jair Bolsonaro sendo obrigado a se virar sozinho para tocar pra frente a imagem de governante que copiou de Trump.

Será divertido observar como ele vai se comportar depois de perder o modelo que tem como guia idolatrado. Não vai ser fácil em uma série de atitudes para as quais não terá nenhum amparo externo, a começar pelo comportamento grosseiro no plano pessoal. Mas ele terá outras tarefas bastante complicadas.

Bolsonaro terá de encarar sozinho as broncas internacionais quando estiver cortando árvores e queimando a Amazônia. Ficará sozinho com o fracasso, a falta de ação, a irresponsabilidade e até mesmo o comportamento cruel na relação de governo com a pandemia. Existem variadas encrencas que terá que encarar na condição de levar uns sopapos sem ter o amigão americano como parceiro brigão. Terá de se haver sozinho com Argentina e Venezuela, por exemplo, mas sua valentia será posta à prova em condição ainda mais complicada.

O vira lata direitista vai ter de se virar em briga de cachorro grande. São as provocações feitas à China, até com manifestações idiotas de racismo e acusações ao governo chinês pela disseminação da Covid-19, que bolsonaristas afirmam inclusive que teve o vírus criado artificialmente pela China como parte de um plano para dominar o mundo.

Bolsonaro só não teve ainda peito para chamar o vírus de “vírus chinês” e certamente com a confirmação da derrota de Trump jamais fará isso. O tosco imitador do ainda e espero que por pouco tempo presidente dos Estados Unidos está para perder um comparsa para sustentar brigas em um plano de forças muito acima das suas ridículas bravatas.

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 50 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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