Os Desastres Da Guerra.

O polêmico cineasta norte-americano Michael Moore, autor, entre outros filmes, do indispensável Fahrenheit – 11 de Setembro (de 2004), uma radiografia feroz da guerra empreendida pelos Estados Unidos contra o Iraque, e das secretas – ou nem tanto -, maquinações que estão por trás dela, acaba de divulgar, pela internet, uma “carta ao mundo”, ou aos homens de boa vontade.

Pela importância do documento, longo, e pleno de preciosos detalhes, me permiti não só traduzi-lo do inglês, como dele dar aqui, aos eventuais leitores deste espaço, ao menos alguns tópicos, essenciais todos, sobre esta guerra que já ultrapassou, em crueza e horror, qualquer limite.

* “

Nós fomos competentes para derrotar a Alemanha nazista, Mussolini e o Império japonês inteiro em menos tempo que gastamos para tornar segura a estrada que liga o aeroporto de Bagdá ao centro da cidade. Depois de 3 anos e meio, não alcançamos proteger sequer nossos soldados, de bombas caseiras, feitas de latinhas, colocadas nos buracos das rodovias. Sem contar que uma viagem de táxi do aeroporto até o centro de Bagdá, de 25 minutos, custa 3 mil e 500 dólares e o motorista não fornece um mísero capacete de proteção.”

* “Esta, senhores, é uma guerra perdida. Perdida porque jamais teve o direito de ser vencida. Perdida porque começou por homens que nunca, em tempo algum, estiveram em uma guerra, políticos que se escondem atrás dos jovens enviados para lutar e morrer. Vamos prestar atenção nas estatísticas: quase 70% dos iraquianos apóiam os ataques da resistência contra nossas tropas. Eles acham que nossos soldados devem ser mortos, massacrados!”

* “O único caminho que leva uma guerra de libertação ao sucesso é ter por trás dela o apoio dos oprimidos e, claro, líderes como Gandhi, Mandela, Franklin, Jefferson. Onde estão esses ‘faróis da liberdade’ no Iraque? 655 mil iraquianos já morreram como resultado de nossa invasão, isto segundo a

Universidade John Hopkins…”

* “Vamos cair fora do Iraque o mais rápido que pudermos. O que aconteceu, aconteceu. Se você invadiu e destruiu um país, lançando o povo a uma guerra civil, não há nada que se possa fazer até que a fumaça se dissipe e seque o sangue derramado em vão.”

* “Que nossas tropas retornem para casa já! Não em seis meses. Agora! Deixem de procurar um meio de vencer. Nós não podemos vencer. Nós perdemos. Às vezes se perde. Essa foi uma das vezes. Sejamos corajosos e admitamos que fomos derrotados.”

* “Nós, americanos, somos melhores do que as coisas que fazem em nosso nome. A população americana, em geral, não sabe que fomos nós mesmos que financiamos e armamos Saddam Hussein, inclusive quando ele massacrou os curdos. Ele era o nosso cara junto ao petróleo do Oriente Médio. Mas ainda há tempo: pedimos aos democratas recém-eleitos que nos escutem. Vamos sair do Iraque, agora, já!”

Quem escutará, senhores, a voz isolada e corajosa de Michael Moore?

Wilson Bueno [17/12/2006] O Estado do Paraná.

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 50 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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