Quadrinhos eróticos – década de 1970. O jornalista Nelson Padrella, uma das “estrelas” do elenco da Grafipar, Gráfica e Editora. “Fiz tudo o que queria, inclusive desrespeitei as regras da Censura”.
Hoje, terça, 3 de outubro. Dia do grande Bob, aqui do Plural. Aniversário de Costa e Silva, que até 2018 ostentava o título de presidente mais burro da História do Brasil. Dia de aprovar a Lei da Arte Urbana na Câmara.
Culpa: defender o Estado laico
Cristiane Faria fez tudo certo: depois da comédia de erros da última eleição do Conselho Tutelar em Curitiba, ela garantiu que as coisas caminhassem da maneira mais suave. Não houve um problema sério registrado neste domingo. Sabe qual é a recompensa que ela receberá? A demissão.
Presidente do conselho que faz a eleição (o Comtiba), Cristiane cometeu dois pecados mortais aos olhos dos fundamentalistas. Primeiro, proibiu a circulação de uma lista que indicava quais eram, supostramente, os candidatos “cristãos” ao conselho tutelar. Proibiu não porque tirou isso da cachola, mas porque estava seguindo a lei.
Além disso, na Câmara, a presidente do Comtiba usou, ainda que em dose homeopática, a linguagem neutra. Falou “todes” e foi o que bastou para que vereadores se escandalizassem e pedissem sua cabeça.
Nesta semana eles vão receber o que queriam, e provavelmente o Comtiba passará às mãos de alguém pré-aprovado pela Frente Parlamentar contra o Estado Laico que se implantou em nossa Câmara.
Lanthimos nasceu em Atenas. Ele estudou direção de cinema e televisão em Helénica Cinema and Television School Stavrakos em Atenas. Nos anos 90 dirigiu uma série de vídeos para companhias de dança e teatro grego. Em 1995 dirigiu também um grande número de comerciais de TV, além de vídeos musicais, curtas-metragens e peças de teatro experimental. Ele também foi um membro da equipe criativa que projetou a abertura e fechamento da cerimônia dos Jogos Olímpicos de Verão de 2004 em Atenas.
Sua carreira começou com o filme comercial My Best Friend, dirigido junto com o mentor Lakis Lazopoulos e foi seguido pelo filme experimental Kinetta que estreou no Toronto Film Festival 2005. Seu terceiro longa-metragem Dogtooth ganhou o Prêmio Un Certain Regard no Festival de Cannes 2009 e foi nomeado para Melhor Filme Estrangeiro nos Academy Awards 83rd. Seu quarto filme Alps (2011) ganhou o prêmio Osella para Melhor Roteiro (Yorgos Lanthimos e Efthimis Filippou) no Festival de Cinema de Veneza 68 internacionais.
O roteiro de seu quinto filme The Lobster ganhou o Prêmio Internacional Arte como Melhor Projeto CineMart para 2013, o 42º Rotterdam International Film Festival e foi selecionado para concorrer ao Palme d’Or no 2015 Festival de Cannes e ganhou o Prêmio do Júri.
The Lobster|A Lagosta|Grécia|Reino Unido|Holanda|Irlanda|França|2015
Em um futuro próximo, uma lei proíbe que as pessoas fiquem solteiras. Qualquer homem ou mulher que não estiver em um relacionamento é preso e enviado ao Hotel, onde terá 45 dias para encontrar um(a) parceiro(a). Caso não encontrem ninguém, eles são transformados em um animal de sua preferência e soltos no meio da Floresta. Neste contexto, um homem se apaixona em plena floresta – algo proibido, de acordo com o sistema.
Inspirou longamente, com tanta força como jamais fizera. Então, num movimento melodramático, saltou no oceano. Estava gelado, percebeu nas primeiras braçadas. Selvagem, quase sacrílego. À medida em que mergulhava, libertava-se de todos os vínculos. Achou-se uma imensidade: a água era sua cidade. Teve início um desfile de criaturas fantásticas. O peixe-fantasma, o cavalo marinho das crinas de fogo e uma comissão de ninfeias vieram se exibir. Apresentou-se Netuno.
Estava sorumbático. Com ele, sua esquadra iniciática: libélulas portando incenso, polvos oferecendo mirra, enguias douradas; plânctons, seres perfumados, luminescentes (de estupendos olhos da cor fúcsia). Tantas lisonjas que, de repente, sentiu-se nua.
Recordou-se que amou. Sua echarpe carmim, o colar de ametistas, tudo que fosse paixão, qualquer coisa que gerasse frisson – aquele frêmito ingênito, aquele átimo sem fim. Era embalada por águas amnióticas, que iam e vinham, subiam e desciam, útero acima, ventre abaixo. Foi daí que, chegado o momento, luzes inesperadas revelaram a face do abismo. Encantada, chorou.
E foi um vagido tão cheio de vida, de um orgulho tão exasperante, que pareceu insulto. Acendeu então as estrelas, para que todos pudessem admirá-la, e – numa última pulsão – atirou o corpo nas ondas desarmoniosas, assimétricas, que vieram buscá-la. Voltava a ser mar.
Um vento anima os panos e as cortinas oscilam, fronhas de linho (sono) áspero quebradiço; o sol passeia a casa (o rosto adormecido), e em velatura a luz vai desenhando as coisas: tranças brancas no espelho, relógios deslustrados, cascas apodrecendo em seus volteios curvos, vidros ao rés do chão reverberando, réstias. Filamentos dourados unem o alto e o baixo – horizonte invisível, abraço em leito alvo: velame de outros corpos na memória amorosa.
Coleção Edições do Pasquim. Vol.36. Vaca do Nariz Sutil, Campos de Carvalho, copyright 1978. Edição: Editora Codecri Ltda. Rua Saint Roman, 142, Copacabana. 22.071, Rio de Janeiro, RJ. Editor: Jaguar. Editoria de Livros: Jeferson Ribeiro de Andrade. Coordenação de Produção: Sandra Siqueira. Capa: Fortuna. Diagramação: Orlando Fernandes. Revisão: Alice Carvalho e Geraldo Nogueira Mesquita. Composição: Linotipia Luna. Impressão: Editora Vozes.
Cicuta Sem Gelo, de José Parmênides de Eléia; Editora Priori; oitocentas e tantas páginas, uma mais enfadonha que a outra. O autor não é, seguramente, pela Ética Tomista. Esta, baseada na finalidade metafísica, supõe que todos os seres têm um fim prefixado. Neste livro, José Parmênides contraria toda uma filosofia iniciada em “Raios Catódicos”, polêmico e fundamental para a carreira do volúvel mineiro, que, aos 97 anos, é considerado um dos baluartes do “orelhismo”, movimento banido da Semana de 22 por não ter pé nem cabeça.
Na página 346, Parmênides nega tudo o que disse antes ao propor que “para se chegar a um determinado fim, é preciso passar pela metade, assim, um outro fim foi atingido, não o fim final, mas o fim começo” ou “o cume da escolástica é muito mais alto do que se imagina”.
Se os orelhistas atuais não estivessem tão euforicamente encurralados, teriam em Parmênides um colaborador de grande vulto, principalmente depois que, encarado pela intelectualidade pós-guerra, ele virou o rosto e escreveu “Moldando Baquelite”, oferecido às duas irmãs numa dedicatória simples e fulminante: “À Dulcinéia e à Rutinéia, sem as quais eu não continuaria na boléia”.
Parmênides sempre teve na baderna uma arma contra a imensa seriedade peculiar de seus contemporâneos. Olhar os lírios da estante, para ele, sempre foi uma discussão linguística, mas “Cicuta Sem Gelo” dificilmente será aquilo que todos esperam de um livro de Parmênides, contraditório do começo ao fim, em todas as páginas.
A mais cara das contradições, que deve custar ao autor o esquecimento por muito tempo, está na tonalidade discursiva, demonstrando talento e habilidade ao folhear o palavreado, mas deixando para trás o motivo inicial do livro, isto é, a finalidade dialética pura de encontrar a verdade.
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