Elon Musk, do Tesla, do Space X e do X, pega briga com Alexandre Moraes e exige que o ministro renuncie. Renunciar a quê o celerado maluco milionário não esclarece. Tão esperto, não entendeu que no Brasil autoridade só renuncia in extremis, quando a PF reune provas suficientes e faz com que a oligarquia solidária e cúmplice tire patrocínio, defesa e recolha o cavalinho da chuva.
Não é o caso do ministro Moraes. Não é caso, mas é teste: de o ministro peitar Musk, que cego pelo poder, pela riqueza e pela empáfia imperialistas pensa poder tudo contra todos. Hora de Moraes espelhar-se em Putin e mandar Musk enfiar o X no forévis. X por X, aqui na taba o de Xandão pode mais. Musk herdou o nome de moschus, o inseto que parasita o saco dos cervídeos, animal da família do veado.
A vida parece ter mais sentido agora. Embora continue sem direção. As pessoas inteligentes estão deixando as mega-empresas para abrir seus próprios negócios. Vendem pé-de-molque e cocada com a mesma empolgação com que ofereciam supercarrões a milionários enfastiados.
Os pais acompanham de perto o crescimento dos filhos, pois agora trabalham em casa. Uma pessoa sozinha pode viver desfrutando serviços comuns: salas de internet, cozinhas avançadas, lavanderias, escritórios equipados, sauna, banheiros públicos. Os parques estão infestados nos finais de semana. Uma aura de bondade paira sobre lagos, bosques, churrasqueiras, trilhas e pessoas. As ruas ficam para as hordas durante a noite. O retiro em paz das pessoas de bem está garantido por comida, vídeo/dvd, remédios e outras necessidades, tudo entregue em casa. O casulo está quentinho e aconchegante. Ronronamos de satisfação, refestelados no sofá. Como bichos gordos e macios rolamos pela sala, pelos quartos e outras dependências. Eletroeletronicamente nos conectamos com o mundo. O controle remoto é nosso rei.
De vez em quando fura o bloqueio a notícia triste de mais um motoboy que perdeu a vida para nos servir rapidamente e nos salvar. Ah, por um momento nosso coração se aperta! Mas logo vai começar mais um hiperfilme-catástrofe de supermegaimpacto emocional e excelentes efeitos visuais. Cheiro de pipoca com manteiga invade a sala – suspiramos e recuamos.
O sapo provoca asco e a perereca causa nojo. Mas não um no outro. Os pôneis são cavalos cuja serventia é deste tamanhinho. Abelhas, maribondos, escorpiões e arraias usam ferrões pra defesa. Ferroadas gratuitas só o ser humano dá. Ruminantes ruminam várias vezes ao dia, a vida toda. Mesmo assim desconhecem o que seja ressentimento. O pavão albino, coitado: esse não tem do que se pavonear. O pior predador do vaga-lume também tem lume. São os enxames do vapor de mercúrio.
você sabe que metrópoles são necrópoles desde o tempo dos nossos manifestos dionisíacos no niilismo da madrugada quando delicados garotos dormiam no trianon iluminados com a orla distante das nuvens delicadas são as árvores delicado é o urso polar & você espalhando sua delicada mensagem arcaica / eletrônica dizendo pra eles que somos muito pobres & felizes para sempre
“A padroeira da poesia em Curitiba acaba de fazer mais um milagre. Chama-se Sempre palavra, tem apenas cinquenta páginas e inclui uns quarenta pequenos poemas. Mas tem luz bastante para iluminar esta cidade por todo um ano. Embora seja a própria poesia encarnada, nossa padroeira está toda prosa. E com razão. Depois de onze livros de poemas editados por conta própria, é a primeira vez que é publicada por uma editora, a Criar, daqui de Curitiba mesmo, acionada pelo escritor Roberto Gomes. Helena Kolody (ou Guélena Kolódy, para quem sabe) é filha de imigrantes ucranianos, tem 73 anos e o mais belo par de olhos azuis que já vi. Ah, se eu tivesse nascido em 1911 como meu pai!
Como a precursora Gilka Machado e Cecília Meireles, sua admiração confessa, nossa padroeira foi, a vida toda, professora de escola normal, quase o único ofício fora de casa que uma mulher podia exercer naquelas épocas, quando Getulio Vargas, nosso grande déspota esclarecido, dizia na Voz do Brasil, “Trabalhadores do Brasil”, mas não dizia, “Trabalhadoras...”
Para o magistério, viveu. E, como professora, aposentou-se. Como professora, eu disse. Como poeta, ela é mais viva e atual que boa parte dessa garotada que, hoje, anda por aí, apertando uma espinha aqui, enrolando um poema ali, achando que poesia é um texto qualquer nota e se julgando, em sua infinita ignorância, o maior gênio incompreendido do planeta. Nossa padroeira é o poeta mais moderno de Curitiba, de uma modernidade enorme, uma modernidade de quase oitenta anos. Nenhum de nós tem modernidade desse tamanho. Nossa padroeira nunca casou. E viveu a vida toda com a mãe e as irmãs, seu tesouro eslavo de afetividade e dedicação. Vida. Esse é o assunto de Helena Kolody. Não é à toa que essa nossa mestra de poesia é professora de biologia. Mas tudo isso que eu digo não passaria de uma efusão sentimentalóide, se a poesia de Helena não se sustentasse em nível de linguagem, de design, de essência.
Que dizer, porém, de um poeta que chega, de repente, e, apenas, te diz num poema de duas linhas, “para quem viaja ao encontro do sol, é sempre madrugada”? “Essências e medulas”, assim definira Pound a poesia. E esse era o nome que eu daria para um ensaio sobre a poesia da nossa padroeira. Quando, em 1941, Helena publica, em Curitiba, às suas próprias custas, a coletânea Paisagem interior, seu primeiro buquê de poemas, Bilac ainda é um Deus, o Modernismo de 22 ainda é apenas um escândalo e a poesia só é reconhecível nos trajes de gala do soneto. Sobretudo já estava morto e enterrado o rico movimento simbolista que, presente no Brasil todo, tinha tido em Curitiba o seu centro mais ativo: É Brito Broca quem diz, em 1910, Curitiba era cidade literalmente mais importante do Brasil. Basta dizer que oito das quinze revistas do Simbolismo brasileiro foram editadas aqui, entre 1895 e 1915.
Mas, quando Helena começa a produzir e publicar, esse momento já tinha passado, deixando atrás de si apenas um perfume e uma vibração. No escuro, no silêncio, na penumbra, Helena veio então construindo sua poesia e publicando aqui mesmo, Música submersa, A sombra no rio, Era Espacial, Trilha Sonora, Infinito Presente, sempre ela, até este Sempre palavra.
Algo na poesia e na vida, no produto e no processo, de Helena, me lembram o gaúcho Mario Quintana, a mesma pureza, a mesma entrega, a mesma singeleza, a mesma santidade. Mas Helena é mais enxuta, mais rápida, mais haikai que o mestre de Porto Alegre: Helena chega no gol com menos toques na bola. Periférica como Quintana, Helena passou esses anos todos meio intocada pelas novidades que fervilharam no eixo Rio-São Paulo, alquimista mergulhando sozinha até a essência do seu fazer lírico, até o momento em que, como diz ela, “o carbono acorda diamante”.
A conflituosa renegociação da dívida dos estados com a União, em especial a de Minas Gerais, é um novo motivo de embate entre o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
O ministro, na alternativa que apresentou aos governadores, desconsiderou a maior parte da proposta formulada por Pacheco, que busca um protagonismo na discussão. Ele planeja ser candidato ao governo de Minas em 2026 com o apoio de Lula e do PT.
A versão de Haddad desagradou também membros do seu partido no estado. Petistas, que chegaram a negociar uma alternativa na Assembleia Legislativa de Minas, disseram ao Bastidor que a proposta defendida por Pacheco foi feita a partir de discussões de deputados estaduais.
Membros do PT admitem que a versão de Haddad precisa ser “aprimorada”. A proposta da Fazenda condiciona a redução dos juros das dívidas ao investimento em ensino médio técnico e só discute, de forma limitada, a ideia de Pacheco de amortização extraordinária dos débitos com ativos.
O senador propõe, por exemplo, a federalização de estatais e a cessão de créditos do acordo de Mariana e da Lei Kandir para a União. São dois pontos fundamentais do plano Pacheco.
Na disputa, a maior parte do PT está com o presidente do Senado, que irá apresentar e encaminhar o projeto no Congresso. Como lá é ele quem tem a caneta, a expectativa é que a sua versão seja a vitoriosa.
Em algum lugar perto deste hotel alguém desafina uma Aquarela Brasileira no saxofone. Longe, a espinha das serras azuis. Um avião decola de São José dos Pinhais rumo a Londres ou Londrina, cruza o céu cinza da cidade grande. Velha araucária espremida entre prédios espelhados. Na TV, mais uma delação premiada. Pessoas trabalhando ou nos celulares em cada uma dessas janelas, abelhas. Luzes se acendem, luzes se apagam. A tarde cai fria e depressa. Triste carne, triste Curitiba.
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