Na iminência de se tornar ministro do governo Lula, o deputado federal Silvio Costa Filho (Republicanos-PE) exonerou do seu gabinete uma funcionária que atuou em favor do município de Cortês (PE) junto ao Ministério da Saúde. O caso foi revelado pelo Bastidor.
Além de ser secretária parlamentar do deputado desde 2019 – com salário de R$ 4.691 mensais, segundo registros da Câmara -, Kaline Rosa Barros Dib recebeu entre janeiro e junho deste ano R$ 6 mil do Fundo Municipal de Saúde de Cortês, município de pouco mais de 10 mil habitantes, segundo o IBGE.
Os deputados podem contratar de 5 a 25 secretários parlamentares “para prestar serviços de secretaria, assistência e assessoramento direto e exclusivo nos gabinetes dos deputados, em Brasília ou nos estados”.
Seis dias após o Bastidor divulgar a dupla atuação de Kaline, Costa Filho desligou a funcionária na quinta-feira passada.
Dados do Portal da Transparência de Cortês mostram que Silvio Costa Filho destinou R$ 399.658 à cidade em 2023 por meio de emenda individual ao orçamento. A prefeitura enviou ao Fundo Municipal de Saúde, órgão para qual Kaline trabalhou, mais de R$ 2,4 milhões somente neste ano.
O gabinete do deputado foi novamente procurado, mas não retornou até a publicação deste texto. A ouvidoria da prefeitura de Cortês encaminhou os nossos questionamentos para a secretaria de Saúde do município. O espaço segue aberto para manifestações.
Timidamente, mas com o destaque suficiente para chamar a atenção, os jornais contam da descoberta de fazendas não declaradas no patrimônio de Artur Lyra, presidente da Câmara e sócio de Lula no condomínio da República.
O deputado tem mostrado excepcional resiliência a denúncias de improbidade desde que foi presidente do legislativo alagoano. Recentemente enfrentou as da mulher sobre o imóvel que recebeu sem documento de transferência de Fernando Collor e os desvios do orçamento secreto em kits de informática por assessores seus. A resiliência tem limites e tem o momento que se esgarça e rompe. A resiliência permanece forte graças às condições pessoais de Lyra, com poder sobre o orçamento, cargos públicos e capacidade de pressionar um presidente fraco.
Sempre há o momento do fim das situações que se considera definitivas. Assim aconteceu com Eduardo Cunha na mesma posição de Lyra. Cunha acabou como todos sabemos, embora seja de reconhecer que entre ele e Lyra há diferenças na inteligência, nos métodos e até no momento político. E Lyra não distende a corda com a sem cerimônia e ousadia irrefletida de Cunha. No entanto, embora ninguém faça fé nas bruxas da política, elas existem. Resta saber se Lula aposta nesse desenlace, previsível a partir de seu aprendizado sobre a política brasileira. O que não parece.
Por deficiência de recursos (naquele tempo, muito mais do que hoje), Cleonice e eu passamos a nossa Lua-de-Mel em Balneário Camboriú, SC. Isso nos idos da década de 60. Era um local – praia, gente e arquitetura – maravilhoso. Praia larga, limpa, areia refinada, gente alegre, simpática a acolhedora.
Depois, voltamos lá várias vezes. Sempre no mesmo local – Hotel Miramar, um belo casarão, ainda de madeira, defronte para o mar. Diárias justas, excelentes refeições, tipo caseiras. Tudo muito simples e verdadeiro. Inesquecível.
Estou sabendo que Camboriú mudou muito. Cresceu, multiplicou várias vezes a população. Ficou chique. Alargou a faixa de areia, apinhou-se de prédios gigantescos, os maiores do Brasil, arranhando o céu e tirando o sol da praia. Quer ser a Dubai brasileira. Um lugar digno de Luciano Hang, Neymar Júnior e Jair Renan Bolsonaro, que, não por acaso, têm domicílio lá. “Outros tipos do mesmo naipe também”.
Por tudo isso, Balneário Camboriú perdeu o encanto. Deixou de ser a Pérola do Litoral Norte Catarinense. E passou a ser uma pobre menina rica. Tem até um canal exclusivo no YouTube, exibindo, 24 horas por dia, o seu trânsito caótico. Um belo “espanta-turista”.
Camboriú esteve também presente, no final de semana, no Painel do Leitor, da Folha de S. Paulo. Ranulfo Felix Júnior, de Piracicaba, SP, falou por todos nós: “Quitinete de 33 metros quadrados na ‘Dubai brasileira’ custa R$ 1,6 milhão. Daqui a 20 anos, será um cemitério de prédios encalhados. Praia minúscula, suja, ruas apertadas, sem sol. Nunca colocaria um centavo lá”.
Esqueceu de citar o aumento da violência, a ineficiência do sistema de esgoto e a inevitável falta de água nos próximos anos.
Hoje, quinta, 31 de agosto. Mais um mês vai terminando sem um ex-presidente preso. Coisas da vida…
A melhor (e é nossa!)
Hoje em dia, por trás de quase todo bom jornal há uma grande mulher. É impressionante: nessa onda nova de (bons veículos) que vem surgindo, a regra é as mulheres serem as donas do projeto, as chefes de redação, as CEOs. Vale para veículos exclusivamente femininos (Catarinas), para jornais especializados (Alma Preta, Sumaúma) e para veículos incríveis regionais, como o Plural.
É bonito ver. Eu comecei a carreira conhecendo a primeira jornalista mulher de Curitiba, dona Rosy. Ela contava que quando ela entrou numa redação, nem havia banheiro para mulheres, porque ninguém tinha previsto aquilo. Agora, elas mandam. E não é à toa que o jornalismo melhorou.
Agora, escolheram as melhores jornalistas do país. E de todas essas mulheres incríveis, a Rosiane Correia de Freitas, a inventora do Plural, ficou com o prêmio de melhor da Região Sul. Nós que trabalhamos como ela somos suspeitos, claro. Mas que belo reconhecimento!
A Rosiane não só é a coordenadora-geral desse nosso projeto como tem uma capacidade incrível de fazer belas reportagens, especialmente quando tem a ver com dados. Mas ela é muito mais que isso, e pelo jeito os leitores sabem muito bem. Por isso ela teve a votação que teve. Em nome dela e do Plural, essa newsletter só tem a dizer: obrigado e vamos em frente!
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