Mais faceiro que mosca em tampa de xarope.

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Fraga

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Sessão da meia-noite no Bacacheri

Cristina e Tudor Ionescu, um casal na casa dos 30 anos de idade, levam uma vida completamente feliz. Ao lado de seus dois filhos, Maria, de 5, e Ilie, de 7, eles vivem em um apartamento confortável em uma cidade da Romênia. Mas a harmonia de todos terá um fim com o misterioso desaparecimento de Maria, a caçula, transformando a vida de todos para sempre. Pororoca (2h 32min). Direção de Constantin Popescu. Com Bogdan Dumitrache, Iulia Lumanare, Costin Dogioiu e Stefan Raus. Romênia, França, 2018.

Por mais que o título sugira o contrário, Pororoca não uma produção brasileira e muito menos uma reportagem do Globo Repórter sobre um dos maiores espetáculos naturais do planeta. Estamos falando de um longa romeno – país dono de uma escola cinematográfica repleta de grandes filmes – que se apropria desta palavra em tupi guarani que define o efeito reativo (e avassalador para seu entorno) que toma forma quando o Rio Amazonas encontra o mar. Aqui tal encontro é representado pelo desaparecimento de uma criança, enquanto as consequências se transformam nessa onda que destrói tudo que passa na sua frente.

A trama – escrita e dirigida por Constantin Popescu (Principles of Life) – acompanha um pai normal, chamado Tudor, que trabalha, convive relativamente bem com sua esposa e leva os filhos para brincar no parque todo final de semana. Essa vida tranquila desmorona quando sua filha desaparece, sob seus cuidados, sem deixar nenhuma pista. A polícia não consegue solucionar o caso, a família começa a se autodestruir e o desespero pode fazer o protagonista tomar medidas drásticas.

A questão é que o filme pode não ser exatamente o que parece: apesar das aparências expostas nessa e em qualquer sinopse encontrada na internet, Pororoca não tem nenhuma vontade de discutir o crime que coloca a narrativa em movimento. Popescu deixa isso explicito no seu texto, mas a direção faz questão de reforçar as escolhas temáticas da obra ao filmar o fatídico dia do desaparecimento com um distanciamento bem particular, dando total atenção ao pai e a uma briga aleatória (ou não) por causa de um cachorro. A câmera só abandona seus planos estáticos e abertos para se movimentar com fervor quando o objetivo é acompanhar de perto o desespero do protagonista, esclarecendo ainda mais que o foco do caso está apontado para ele.

Toda essa atenção faz com que o interprete do pai, Bogdan Dumitrache (Sieranevada), seja obrigado a roubar os holofotes e brilhar, carregando nos ombros toda a dor, culpa e sofrimento que cercam o desparecimento de sua pequena Maria. Da mesma forma que Em Pedaços precisava da figura de Diane Kruger, Pororoca também depende enormemente das reações de seu protagonista ao contexto com a diferença de que seus comportamentos tendem a ser muito mais sutis. Seu personagem internaliza a maior parte dos sentimentos, acumulando-os antes de liberar tudo em explosões emocionais de grande impacto.

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Pleonasmos

Gisere Hishida, jorunarista purofissionaro, né? (turiria sonora: Pink Furóid). © Kuraw Penas

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A vacina Daniela Teixeira

Aliados de Lula viram na escolha da advogada Daniela Teixeira para o Superior Tribunal de Justiça uma espécie de vacina para a sua futura escolha no lugar a ministra Rosa Weber, que se aposenta em outubro do Supremo Tribunal Federal.

O petista resiste à pressão, até de sua mulher, Janja da Silva, para que mantenha uma mulher no lugar de Weber. Também não quer se comprometer com a escolha de uma pessoa negra.

Dos nomes já aventados, os que circulam nas rodas políticas como favoritos são o ministro da Advocacia Geral da União, Jorge Messias, e o presidente do Tribunal de Contas da União, Bruno Dantas.

Ao escolher Daniela Teixeira, segundo interlocutores do presidente, ele poderá responder às críticas de que não é verdade que mantém nos tribunais superiores apenas os mesmos de sempre: homens e brancos.

A advogada Daniela Teixeira tem 51 anos, é formada pela UnB, possuiu especialização em direito econômico e empresarial pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) e é mestre em direito pelo IDP (Instituto Brasiliense de Direito Público).

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O silêncio da memória

Ocultar-me, distrair-me, ausentar-me. Todo o silêncio que habita os subterrâneos da memória. Toda a palavra engasgada e partida. O medo percorre as linhas dos hemisférios, sopra bem suave na sua nuca, desvia o olhar quando é encarado.

E invade e nos atravessa e nos distrai de uma dor qualquer. A dor esquecida,talvez nunca sabida, a que não nos damos conta, que não se imagina e não se inventa, que se torna real, que invade a vida de forma aniquiladora e irreversível. O pensamento não chega neste lugar, muito menos os sonhos.

Fragmentos de lembranças, fotografias rasgadas e diluídas pelo tempo. Não lembro mais o contorno do seu rosto, o desenho das pálpebras, o sorriso enviesado, não lembro mais das paisagens febris quando chegava o verão, da secura das tardes caídas, do céu abissal que se abria sobre os pensamentos, dos oceânicos porquês sobre a origem do universo.

Reinvento esse tecido invisível. Para lembrar uma dor, para esquecer outra, para saber qual a cor refletida nas luzes, para acordar e sonhar novamente.

Monto esse quebra-cabeça como se fosse uma maneira de existir. Desenho um percurso tênue, frágil, perigoso na cartografia do impossível. Quando fecho os olhos percorro essa narrativa para não esquecer-me. Em cada palavra escolhida, em cada poema, em cada gesto invisível, em cada silêncio guardado nas frestas da memória.

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Nelson Rodrigues – o irmão do Maracanã

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Proposta decente

O governo Lula prepara proposta para proibir militares em cargos civis. Lembrando que Jair Bolsonaro fez isso às pamparras, quase chegando a diminuir o efetivo do Exército, sua força preferida. O governo Lula está enganado, exato pelo que Bolsonaro fez e pelo que os militares fizeram – ou deixaram de fazer. A lei tem que proibir militares em cargos militares, isso sim, pelo menos por uns vinte anos, o tempo da ditadura. Nesse período as escolas militares continuariam a funcionar, mas com currículos atualizados, diferentes desses que utilizam, do tempo da Guerra Fria, da luta entre democracia e comunismo, duas coisas que nem existem mais e não raro são aliadas.

Enquanto na escola, os militares contariam tempo de serviço, teriam promoções e, findos os vinte anos, assumiriam os postos – ou eventualmente seriam reformados. Se a alguém causa horror esta ideia, que avalie o que os militares fizeram no governo Bolsonaro – ou deixaram de fazer e acontecer de braços cruzados. As tarefas das forças armadas seriam assumidas por civis, essa gente safada do Centrão, a bancada da bala, a bancada da Bíblia e os abancados do orçamento secreto, que aprenderiam o patriotismo que os militares – ainda que com desvios, equívocos e exageros – sempre praticaram. Seria reeducação cívica, no estilo do exército de Mao Tse Tung.

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Quando fumar era obrigatório

Anúncio de cigarros Charm com José Zaragoza, 1970.

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Mural da História – 2013

In vino veritas

“Nossa orientação aos padres é que procurem reduzir ao máximo a ingestão do vinho (com álcool) durante as missas, lembrando de que se trata do sangue de Cristo. É importante também que os padres estejam sempre munidos com a carteirinha de padre, para atestarem que são sacerdotes e estão ao serviço da Igreja. Os que preferirem substituir o vinho com o álcool pelo sem, ou pelo suco de uva, poderão fazê-lo, pois já estão autorizados pelo arcebispo.” 2|02|2013

De minha parte, se tiver carteirinha de padre sobrando eu compro – Adélia Lopes 

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Eine Tanzerine, the Dancer.  © Jan Saudek

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MON promove atividade para público com mais de 60 anos

©Kraw Penas

O legado do artista Bispo do Rosário é o tema central do Arte para Maiores (APM) em setembro, programa direcionado a pessoas com mais de 60 anos. As atividades presenciais acontecerão, respectivamente, nos dias 5/9 e 12/9, das 14h às 17h. Haverá uma ação virtual em 19/9, das 14h às 15h30.

Educadores do Museu vão conduzir uma mediação na exposição “Sonoridades de Bispo do Rosário”, em cartaz na Sala 6, seguida por uma oficina artística. Os participantes também poderão participar de uma videoconferência com o curador da mostra, Luiz Gustavo Carvalho. Para se inscrever, basta preencher o formulário online.

O tradicional programa do Museu Oscar Niemeyer tem como objetivo aproximar o público com mais de 60 anos do Museu e da arte. Em 2019, o APM conquistou um importante reconhecimento nacional na área de educação em museus – o Prêmio Darcy Ribeiro 2019, concedido pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram).

Recentemente, o programa foi selecionado e apresentado com destaque aos grupos de trabalho do I Encontro Nacional de Educação Museal, promovido pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), na Bahia.

Em cartaz

“Sonoridades de Bispo do Rosário” coloca o legado do artista em diálogo com outros nomes cujos processos criativos foram influenciados por ele e pela convivência com a Colônia Juliano Moreira, na qual passou a maior parte da sua vida como interno. Bispo do Rosário (1909-1989) carregou vários estigmas de marginalização social, ainda vigentes em nossa sociedade – negro, pobre, louco, asilado em um manicômio –, e conseguiu, na sua genialidade, subverter a lógica excludente proposta a partir da sua obra.

Sobre o convidado

Luiz Gustavo Carvalho é curador, artista e pianista. Realizou sua primeira curadoria na França, em 2011. No Brasil, como curador de mais de 80 exposições, apresentou pela primeira vez no país a obra de diferentes artistas visuais. Desde 2016, vem colaborando de maneira regular com o Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, no Rio de Janeiro

Sobre o MOM

O Museu Oscar Niemeyer (MON) é patrimônio estatal vinculado à Secretaria de Estado da Cultura. A instituição abriga referenciais importantes da produção artística nacional e internacional nas áreas de artes visuais, arquitetura e design, além de grandiosas coleções asiática e africana. No total, o acervo conta com aproximadamente 14 mil obras de arte, abrigadas em um espaço superior a 35 mil metros quadrados de área construída, o que torna o MON o maior museu de arte da América Latina.

Serviço|Encontro Arte para Maiores na exposição “Sonoridades de Bispo do Rosário”. Encontros|Terça-feira, 5 de setembro – das 14h às 17h. Terça-feira, 12 de setembro – das 14h às 17h. – Videoconferência – Terça-feira, 19 de setembro – das 14h às 15h30.

Link para inscrição: bit.ly/APMsetembro2023

*As vagas são limitadas e não é necessário possuir conhecimento prévio em artes. A participação é gratuita para pessoas com mais de 60 anos e outros grupos isentos de pagamento de ingresso no MON (confira aqui).

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Flagrantes da vida real

Lambe-lambe na era digital.  © Maringas Maciel

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Arte é intriga (Millôr Fernandes)

© Luiz Antonio Guinski

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