Mural da História – 1980

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A ansiedade dorme em banho-maria

Mas basta um acontecimento mal resolvido para ela acordar

Caro leitor, imagino que, ao abrir o jornal nesta quarta (23) ou clicar no link que leva ao espaço que a Folha gentilmente me cede desde 2014, você esperasse ler sobre o inferno astral das Forças Armadas. Ou ainda sobre como o presidente Lula tem sido condescendente com o golpismo dos militares, ao recebê-los em pleno sábado na Alvorada para tratar de mais dinheiro para os batalhões.

Tudo isso também me interessa muito, mas ao ver a manchete sobre a pesquisa “Mulheres e jovens têm mais ansiedade que média da população”, infelizmente me reconheci na estatística. Segundo o Datafolha, um terço dos brasileiros relata ansiedade, problema de sono e de alimentação. Se fosse uma cartela de bingo, eu poderia gritar com a pontuação máxima, em mãos.

Apesar de o estigma ter diminuído, muito graças às redes sociais pelo compartilhamento de casos, de depoimentos, de gente famosa que saiu do armário das doenças mentais, a maioria ainda entende pouco sobre o que passa com alguém numa crise de ansiedade. Mesmo entre aqueles muito próximos é comum ouvir, “mas, assim, do nada?”

Sim, o episódio de pânico –é esse o sentimento quando a onda da ansiedade cresce como um tsunami, chega, assim, “do nada”. É impossível prever porque e quando ele se manifestará. Mas o que remexe as profundezas do indivíduo que sofre dessa doença mental não surge do “nada”. A minha experiência, veja, a minha experiência, mostra que por mais que se use todos os recursos, inclusive informação, a ansiedade dorme dentro de nós em banho-maria.

Mas basta um acontecimento mal resolvido –ou uma sequência deles— para que o mecanismo da panela de pressão seja acionado. O organismo começa a cozinhar sentimentos ignorados, mal digeridos. A consequência não é imediata, pode levar dias. Por isso, quase sempre é uma surpresa quando o apito indica o ponto de fervura, que nos desperta a sensação de morte.

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Redução da Remuneração: UniBrasil e UniCuritiba

O Sinpes recebeu informações sobre mudanças nos pagamentos das horas/aulas relativas à orientação de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) no Centro Universitário Curitiba (Unicuritiba).

Assim que retornaram as aulas do segundo semestre os professores foram informados sobre nova mudança no tocante ao pagamento das orientações de TCCs. Desde o início do controle do UNICURITIBA pelo Grupo Ânima até o final do semestre terminado em junho os docentes recebiam uma hora/aula por semana para cada três alunos que orientavam.

Na reunião de volta às aulas que antecedeu o presente semestre letivo, na primeira semana de agosto, os docentes do Unicuritiba foram informados sobre a implantação de nova e absurda sistemática de pagamento: uma hora-aula semanal para cada grupo de 8 alunos orientados.

Antes recebiam uma hora-aula semanal para cada três alunos orientados. Agora serão oito alunos por hora-aula, o que diminui brutalmente (- 62,5%) a remuneração recebida.

UniBrasil

O UniBrasil foi outra instituição de ensino que implantou sucessivas reduções no pagamento das horas/aulas de orientação dos trabalhos de conclusão de curso. Lá, conforme informações repassadas ao Sinpes, atualmente a remuneração por aluno orientado nos cursos presenciais corresponde ao valor de 1/4 de hora-aula por semana ou 1,25 horas aulas por mês. Já no âmbito do ensino à distância, além dos professores não terem carteira anotada nem quaisquer direitos trabalhistas, ainda recebem para orientar um grupo de seis alunos uma hora-aula por semana no valor de R$ 27,00. Como consequência do não reconhecimento do vínculo de emprego para apuração da remuneração mensal esse valor mitigado de hora-aula é multiplicado por 4 e não por 4,5 para se chegar ao valor mensal.

Providências do Sinpes

O Sinpes chamará os responsáveis por ambas instituições de ensino para mesa redonda na Superintendência Regional do Trabalho para reverter essas situações.

Caso as negociações sejam infrutíferas ajuizará ação buscando diferenças salariais em face do pagamento a menor desse trabalho (já que o tempo gasto por aluno orientado é bem superior ao pago) e, no caso da Unibrasil o reconhecimento do vínculo de emprego e de isonomia entre o tratamento dado aos professores presenciais e os do ensino à distância. As ações também se fundamentarão no estabelecido pelo artigo 468 da CLT, que assim dispõe:

“Art. 468 – Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento, e ainda assim desde que não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia.”

O Sindicato entrou em contato com as assessorias de imprensa do Unibrasil e do Unicuritiba pedindo uma nota sobre as acusações trazidas neste texto. Mas até a publicação do mesmo as duas instituições não tinham se manifestado.

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Orelhas de Livros

Um palhaço é um ser humano como outro qualquer, só que com muito mais frouxos de riso em volta. A vida do palhaço Risadescarninha não poderia ser diferente. Abandonado pelos pais aos 23 anos de idade, em plena Praça da República, ele descobriu que a vida estava ali, na sua frente, com um trinta-e-oito encostado na sua cabeça, fazia um frio danado e passava da meia-noite.

Depois de ter sido massagista de futebol, caixa de banco provador de suspensórios em Osasco e técnico da seleção, o humilde rapaz do interior acaba no picadeiro, quase pisoteado pelos elefantes mancos e cegos do circo.

“Qual é a graça?” conta a trajetória do cidadão Roque Esturjão, o palhaço Risadescarninha, desde o seu romance com a mulher barbada do circo Panis et Circenses até a última aparição pública, em 1950, no Maracanã, como centro- avante do time uruguaio na célebre decisão da Copa de 50. O palhaço é o estilo.

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Mural da História – 1990

Solda vê TV. Caneta de retroprojetor sobre papel A|3

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Florbela Espanca

Versos! Versos! Sei lá o que são versos…
Pedaços de sorriso, branca espuma,
Gargalhadas de luz, cantos dispersos,
Ou pétalas que caem uma a uma…

Versos!… Sei lá! Um verso é teu olhar,
Um verso é teu sorriso e os de Dante
Eram o seu amor a soluçar
Aos pés da sua estremecida amante!

Meus versos!… Sei eu lá também que são…
Sei lá! Sei lá!… Meu pobre coração
Partido em mil pedaços são talvez…

Versos! Versos! Sei lá o que são versos…
Meus soluços de dor que andam dispersos
Por este grande amor em que não crês!…

Florbela Espanca

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Millôr: Retrato 3×4 – por Fernanda Montenegro

© Mariana Newland

Millôr, duas sílabas fortes, desconcertantes e gentis, cuja rima pode ser flor e também dor. Os olhos eram de águia, mas, também de pintassilgo, colibri, sabiá. A expressão verbal adquiria nele a força do substantivo. Por isso a palavra lhe vinha sempre multidividida em punhais.

Desgarrado de toda e qualquer geração, flutuava acima daquela em que vivia, nessa terra-de-ninguém, onde é perigoso estar só e, mais perigoso ainda, acompanhado.

Seu ato de viver tinha todas as dúvidas certas. E era um ser mítico para nós que dificilmente e aparentemente lhe conhecíamos a essência. A quem o frequentava regateava o aplauso fácil porque sempre buscou, nos desvãos dessa não-troca, a verdade do gesto, da palavra e da finitude.

Esmiuçava os contrastes e aceitava combativamente as vacilações dos que abdicam.

Estoico diante da glória, “que não fica, não eleva, não honra nem consola”, resistiu sempre a toda e qualquer apoteose, embora, com toda justiça, a ambicionasse.

Como lembrança de uma dura infância de menino órfão, no seu medo, jamais se acovardou. Seu rosto guardava recordações que a memória lutava para não esquecer. Acreditava no perigo da ausência, por isso, sempre estava e nunca ficava. Sua opção era ainda estar vivo quando o ultimo respirasse. Não acreditava em Deus, mas, tinha com ele excessiva intimidade e nessa não-fé, transcendendo, conseguiu chegar aos conclusivos 88 ou 89 anos em pouquíssimos segundos, o que lamentamos, lamentamos, lamentamos.

Era visível que Millôr esteve sempre preparado para o Grande Dia. Algumas decisões tomadas: a de morrer, olhando o sol no horizonte. A de sempre brincar de Deus como uma criança. A de absolutamente só crer no destino. E no final, como um cigano ou um poeta, escutar para sempre o silencio na luz absoluta.

*Texto escrito em 2012, lido na inauguração do Largo do Millôr, entre o Arpoador e a praia do Diabo, no Rio.

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Vivi Kuanas. © Zishy

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Mostra Fátima Ortiz – 50 Anos em Cena

Maior artista curitibana de teatro comemora 50 anos de carreira artística com atividades gratuitas na cidade, incluindo peças, palestra, encontro de dramaturgia e oficinas para professores e população

De 22 de agosto a 3 de setembro a cena cultural curitibana estará em festa. Fátima Ortiz, atriz, diretora teatral, produtora, arte-educadora e dramaturga estará comemorando cinco décadas de carreira artística com diversas atividades gratuitas para o público da cidade.

Serão peças para maiores de 14 anos e uma para crianças, em que Fátima, atua, dirige, escreve, ou produz, ou todas as opções com suas múltiplas atividades. Também terá um “Encontro de Dramaturgia” e o evento “Curitiba é uma Festa”, uma homenagem a outros artistas que também estavam em ação desde a década de 1970. Além disso, serão ministradas por ela oficinas para professores e população em geral interessada no teatro.

“Ter o marco de 50 anos fazendo teatro é muito importante. Sabemos que muitas pessoas mudam de profissão, saem da cidade. E como eu brinco, eu sou história viva, estou aqui esse tempo todo e preciso comemorar. Dentro desses 50 anos em cena, comecei como atriz e fui me encaminhando para diversas áreas:  como a dramaturgia, escrever para crianças, a docência, os cursos livres de teatro e a direção. Além disso sou dirigente de um espaço importante em Curitiba – o Pé no Palco – isso já há 28 anos, e essa carreira foi bastante marcada pela minha facilidade, minha vocação em conduzir processos em grupo”, avalia Fátima

Espetáculo Com Que Roupa. © Eli Firmeza

A Mostra Fátima Ortiz – 50 Anos em Cena é realizada pelo Pé no Palco, por meio do Programa de Apoio e Incentivo à Cultura da Fundação Cultural de Curitiba e prefeitura Municipal de Curitiba. Tem o apoio cultural do Palco Escola e CESBE, com incentivo fiscal das empresas Servopa e Uninter.

Programação

Durante a programação da Mostra serão apresentadas a peça “Nave Mãe, “A Morte de Ivan Ilitch”(montagem em processo), “Com que Roupa? Mulheres Travestidas em Shakespeare” e o espetáculo para crianças “O Olho D’Água”. De acordo com Fátima, a curadoria da Mostra foi realizada com o critério de os espetáculos que tivessem “na mão”, ou seja, que iam ser produzidos ou eram recém-produzidos.  “Ainda, era fundamental que os espetáculos trouxessem eu como atriz, diretora, produtora, preparadora de elenco, etc além da importância do espetáculo infantil nessa mostra, uma vez que sou conhecida nacionalmente pelos trabalhos dirigidos à infância”, explica.

Curitiba é uma festa

Durante as comemorações, serão reunidas diferentes gerações de Curitiba, para que os mais jovens conheçam os artistas que trabalharam na década de 70 e estão por aí ainda produzindo. Eles serão homenageados no evento Curitiba é uma festa, com mediação do Otto Wink, na abertura da Mostra.

 Sobre Fátima Ortiz

Fátima Ortiz é atriz, diretora teatral, produtora, arte-educadora e dramaturga, é artista reconhecida por suas iniciativas e realizações que englobam o fazer teatral em suas dimensões criativas, educativas e política.  É conhecida nacionalmente pelo seu teatro dirigido à infância.  Participou em diversos Festivais Nacionais de Teatro, Concursos de Dramaturgia, Seminários, Congressos, Oficinas e Interlocuções e Curadorias.

É uma das mais premiadas diretoras de teatro de Curitiba.  Sua postura artística é norteada pelo princípio da supremacia dos valores do mundo sensível e pelo comprometimento com a liberdade de criação. Acredita na força da convivência criativa, aquela que revela a integridade das pessoas aproximando-as da essência espiritual. O teatro que faz e ensina modifica e intensifica o desejo de fruição da beleza e a utopia de um mundo perfeito onde cada um pode edificar uma poética original.

Dirige, há 28 anos, a empresa Pé no Palco, referência de qualidade em Curitiba. O espaço valoriza o teatro realizado na cidade em sua diversidade e qualidade, e acredita na importância do investimento na formação de plateia, nas atividades formativas e na busca de subvenção junto às iniciativas de políticas públicas culturais e também na invenção de novas formas de financiamento e de articulação entre arte e mercado.

Serviço: Mostra Fátima Ortiz – 50 Anos em Cena|Apresentações de 22 de agosto a 3 de setembro|Onde: Teatro José Maria (Rua Treze de Maio, 655) Quanto: Entrada Gratuita

Programação:

  • 22 de agosto (terça-feira)
    19h30 – Curitiba é uma Festa (Palestra Otto Wink)
  • Dia 25 de agosto (sexta-feira)
    20h – Nave Mãe
  • Dia 26 de agosto (sábado)
    20h – Nave Mãe
  • Dia 27 de agosto (domingo)
    15h – O Olho D’água (infantil) *Peça acessível em Libras.
    19h – Nave Mãe
  • Dia 29 de agosto (terça-feira)
    20h – A Morte de Ivan Ilitch *montagem em processo
  • Dia 30 de agosto (quarta-feira)
    20h – A Morte de Ivan Ilitch *montagem em processo
  • Dia 1º de setembro (sexta-feira)
    20h – Com que Roupa? Mulheres Travestidas em Shakespeare
  • Dia 2 de setembro (sábado)
    14h – Encontro de Dramaturgia com Fátima Ortiz
    20h – Com que Roupa? Mulheres Travestidas em Shakespeare
  • Dia 3 de setembro (domingo)
    15h – O Olho D’água (infantil) *Peça acessível em Libras.
    19h – Com que Roupa? Mulheres Travestidas em Shakespeare
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Dias não menos dias

Chora-se com a facilidade das nascentes
Nasce-se sem querer, de um jato, como uma dádiva
(às primeiras virações vi corações se entrefugindo todos
ninguém soubera antes o que havia de ser não bater
as pálpebras em monocorde

e a tarde
pendurada no raminho de um
fogáceo arborescente
deixava-se ir
muda feita uma coisa ultima.

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Napoleon Potyguara Lazzarotto, conhecido simplesmente como Poty. Curitiba, 29 de março de 1924/8 de maio de 1998. © Lina Faria

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Ovo no cu da galinha

É profundamente tolo e será motivo certo de decepção contabilizar o produto de nossas aves poedeiras antes que o natural período de incubação tenha chegado a seu tempo, trazendo-o à luz através do seu conduto natural, orifício na extremidade inferior do intestino grosso.

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Bom dia, do Plural Curitiba

Hoje, terça, 22 de agosto. Dia de as professoras voltarem às aulas de cabeça erguida. Não necessariamente com o futuro garantido, mas de cabeça erguida.

Greca e a educação

Tem uma história que eu acho engraçada. Conta a lenda que um repórter novato recebeu do editor a tarefa de descobrir se havia mesmo um cartel de postos de combustível em Curitiba, como isso funcionava etc. Pauta difícil. Mas o guri voltou rapidinho e afirmou categoricamente: “Não existe o tal cartel”. Mas como ele tinha tanta certeza? “Eu perguntei pra um amigo que tem posto.”

Pois então. Assim como o dono do posto não vai falar que participa de um cartel, nenhum político vai dizer que não coloca a educação uma prioridade. Se você perguntar, todo mundo vai dar a resposta padrão: a educação é o caminho e tudo mais. Mas é observando que você vê se isso é verdade ou se é balela.

Quando um prefeito diz que tem coisa mais importante para fazer com o orçamento e que não tem como dar uma carreira dignam para as professoras… Bom, aí é que você sabe se a educação é mesmo prioridade para aquele político. Ou se o discurso dele vale tanto quanto a palavra de um dono de combustível envolvido em cartel.

Leia mais aqui.

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