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Ugh!
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Todo dia é dia

Me desconcerta
Vira uma flor aberta no jardim
Um assovio na rua deserta
Há muito tempo que aprendi a ler
Seu pensamento
Feito um silêncio antes de chover
Feito perfume quando bate um vento
Se uma palavra brilha no jornal
Se uma gotinha cai do lambrequim
Tenho certeza é mais um sinal
Que essa menina tá pensando em mim
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Ela, na moldura
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Cesar Marchesini
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Goiânia Humor
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Fim do agosto do poeta
tentar começar
mas já começar
pelo meio
pra dizer a que veio
o começo
talvez fique no meio
ficando pelo meio
se é que disse a que veio
é só começar
e ir ficando por aqui
porque aqui
já pode ser o meio
solda
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Hoje
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Um multiartista à procura da simplicidade
O “Rei do botão”: um criador de múltiplas artes
e um contador de histórias. Foto de Lina Faria.
Parece que até o número da barraca foi escolhido especialmente pra ele: “51, uma boa idéia!”, diz Hélio Leites, confiando que não se trata de uma coincidência o lugar que ocupa na feirinha do Largo da Ordem todas as manhãs de domingo. Contrariando a correria delirante do típico ponto turístico de Curitiba, o artista enxerga beleza em cada detalhe ao seu redor.
Hélio é um criador de múltiplas artes: esculturas minimalistas, performance, poesia, teatro e contação de histórias. Um micro mundo feito de “personagens” de palitos de fósforos, botões, bonés e latas de sardinhas. O “Rei do botão” é um contador de histórias e se vale dessa sua capacidade de imaginar para criar metáforas em lugar de descrever as coisas com rigor e precisão.
A movimentação na sua barraca não cessa – o que chama a atenção à primeira vista é a beleza das obras, ou “inutensílios” (como ele mesmo gosta de chamar). Depois de se aproximar e ficar por, ao menos meio minuto, somos envolvidos pelas suas palavras e causos sobre as coisas do mundo. “Todo o esforço recompensa, às vezes não é com dinheiro, mas com um lindo céu azul”, diz, olhando para cima.
Aos que chegam, ele presenteia com um botão, “mas não é botão de roupa, que serve para juntar duas partes de tecido. É um botão que tem a função de unir as pessoas”, esclarece o artista. E também o formato não lembra o artefato tradicional, o micro botão é um pequeno pedaço de papel adesivo com desenhos que lembram um amuleto.
Tem gente que diz que dá sorte, outros guardam pela delicadeza do gesto ou pelos desenhos, como o do poeta Fernando Pessoa ou do trabalho Marinhas – Arqueologia da morte, do fotógrafo Orlando Azevedo.
Quase tudo pode servir de base para ele sacar respostas criativas frente ao engessamento dos fatos do dia-a-dia. “Uma vez um cara passou por aqui, me deu um vidro de remédio vazio e perguntou se eu poderia usá-lo para alguma coisa. Daí eu fiz o santo remédio”, conta, mostrando o vidrinho com uma mini-escultura de um santo dentro do conta-gotas.
Outra criação é a Igreja da Salvação pela Graça cujo lema é “Deus é humor!” O hinariador é o músico Carlos Careqa, a ogan é a artista Katia Horn, tendo a “Rainha dos papéis” Efigênia Rolim como madrinha e Hélio como pregador de botão. O último “culto anual” aconteceu no ano passado e terminou por força das circunstâncias, como explica Hélio: “As pessoas levavam um baque ao descobrir que Deus também é humor, então preferimos encerrar as atividades. Agora pretendemos lançar um CD para que o culto possa ser feito em casa”.
Ainda no setor de “medicamentosos”, ele inventou a injeção psicolúdica ou injeção de ânimo recheada com uma miniatura de São Francisco. “Você é maravilhoso”, diz um homem que se acumula em meio a tantas pessoas para conhecer o trabalho do artista. “O Hélio é iluminado, é pura compaixão. E o melhor é que ele nos faz dar boas gargalhadas”, diz Christiane Mikoszewski, vizinha de barraca que fabrica sandálias orgânicas.
A própria figura dele diz muito sobre essa personalidade singular. O impagável topete grisalho, outro personagem de suas performances, está quase debutando. São 14 anos cultivando o pedaço de cabeleira que, por vezes, fica escondido no boné e, em outras, salta de lá feito uma caixinha-surpresa.
Os feitos do “significador de insignificâncias” adicionam sabedorias poéticas ao cotidiano caótico. Ele é o criador do Museu do Botão, um micro museu itinerante instalado em uma capa cravejada de botões, da ASSINTÃO (Associação Internacional dos Colecionadores de Botão) e é um dos fundadores da
Escola de Samba Unidos do Botão.Outra criação é a Igreja da Salvação pela Graça cujo lema é “Deus é humor!” O hinariador é o músico Carlos Careqa, a ogan é a artista Katia Horn, tendo a “Rainha dos papéis” Efigênia Rolim como madrinha e Hélio como pregador de botão. O último “culto anual” aconteceu no ano passado e terminou por força das circunstâncias, como explica Hélio: “As pessoas levavam um baque ao descobrir que Deus também é humor, então preferimos encerrar as atividades. Agora pretendemos lançar um CD para que o culto possa ser feito em casa”.
Com a sua gentileza, a proposta do artista é ver e mostrar o que mais ninguém percebe, com o humor refinado e os esforçados jogos de palavras. Em um artigo, Paulo Leminski escreveu sobre o artista com essa característica de um homem que não se prende aos padrões estabelecidos: “Moderníssimo, fundindo gesto e performance com o emprego de material reles (perdão meus botões!) e “mail-art’, Lete (e a Assintão) vai conduzindo uma das experiências criativas mais importantes que tenho visto por aí, bem mais instigante e original que muitas vernissages de artes plásticas que não vão além do simples artesanato (ou industrianato, em muitos casos…).” Leminski termina o texto com uma irônica profecia:
“Ontem, o botão. Hoje, o assobio. Amanhã, o mundo”. O Estado do Paraná.
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Poluicéia Desvairada!
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