Bolsonaro protagonizou esquema mequetrefe de apropriação indevida e abuso do poder
A canoa de Jair Bolsonaro virou, e foi ele quem deixou ela virar, conforme atestam os fatos e agora dois de seus comparsas na trajetória de ilicitudes que fatalmente o levarão à prisão. Mauro Cid e Walter Delgatti resolveram dar com a língua nos dentes a fim de atenuar os danos às respectivas peles.
Quando começa assim, o efeito dominó é inevitável. Outras confissões apontando o ex-presidente como mandante dos crimes contra a saúde pública, o Estado de Direito, o sistema eleitoral e a reputações alheias virão.
Os dias de liberdade de Bolsonaro estão contados. A ele resta a esperança de que seja visto como vítima de perseguição e, lá na frente, possa dar a volta por cima. Mira-se no exemplo de Luiz Inácio da Silva sem, no entanto, levar em conta as abissais diferenças entre as figuras e as circunstâncias de um e de outro.
O hoje presidente da República, depois de ter passado 580 dias preso, jamais produziu as provas que o antecessor fabricou contra si. Lula foi acusado de ter sido favorecido por um intrincado e até sofisticado esquema de corrupção envolvendo empresários amigos e políticos aliados. Safou-se em função de procedimentos indevidos, mudanças de regras e de entendimentos na Justiça.
Já Bolsonaro protagonizou projeto mequetrefe de apropriação indevida do poder, cuja execução foi entregue a operadores igualmente chinfrins.
Um presidente que abre as portas do Palácio, do Ministério da Defesa e do próprio partido a um estelionatário pago por uma deputada amalucada, e ainda manda o ajudante de ordens vender presentes de Estado para embolsar um dinheiro, não dá margem a qualquer dúvida razoável sobre sua culpabilidade, fechando o caminho de eventuais brechas legais.
Jair Bolsonaro subestimou a República, fez pouco do Brasil, desdenhou da solidez das instituições, menosprezou instâncias de controle e investigação. Por isso se vê na iminência de pagar pelas pragas que rogou ao país.
O novo livro do Prof. Cláudio Henrique de Castro “Direito para quem precisa” é resultado da coletânea selecionada num universo de mais de duas mil publicações em jornais impressos e digitais, sites, blogs e divulgação em emissoras de rádio. A obra trata do direito do consumidor, do direito do trânsito, das emendas secretas do poder legislativo brasileiro, dos pedágios, das fraudes em créditos consignados, de assuntos simples de como proceder caso seu aparelho celular seja furtado, e tudo mais que se relaciona ao cotidiano das pessoas.
O autor é pós-doutor pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, e dentre os mais de vinte livros publicados sustenta a tese de que os juristas devem debater e apontar as injustiças do seu tempo.
Minha cidade é tão longe da fronteira, mas tão longe, que acaba ficando bem perto de outra. Ela não é tão densamente povoada como é muito habitada. São dez mil braços e pernas e outros tantos que insistem em ficar no anonimato. Eles moram em casas e alguns edifícios para onde vão depois do trabalho, das compras ou dos passeios. E saem deles para fazer o roteiro inverso. As ruas, em geral, são mais largas que as ruelas e becos. Exceção seria a avenida principal, mais larga que todas, mas ela não existe. O grande comércio da minha cidade é feito inteiramente de produtos vendidos na Capital a 300 km de distância. Os moradores para lá se deslocam com grande alvoroço a fim de não perder as liquidações. Apenas duas lojas enfeitam minha cidade. A melhor fica de frente para o mar, ao lado do vulcão ativo e tem precipício imenso nos fundos.
A outra foi transformada em museu. A biblioteca pública foi fechada por falta de traças e fungos. Os cupins foram punidos porque comeram a perna de pau do adjunto facultativo da farmácia. A cidade completou 60 anos de existência, sendo que seu filho mais velho ainda vive muito bem aos 85. As notícias chegam de todos os lados para seus habitantes. A última veio do Norte e dava conta de que estávamos sendo invadidos pelo Sul. O lapso foi corrigido a tempo e invadimos a ilha que fica colada na região Oeste. Estava deserta. Os funcionários do governo trabalham todos para o governo. O que toma conta dos arquivos públicos está nesse posto desde que entrou. O que toma conta do funcionário que toma conta dos arquivos públicos está de licença maternidade. Nossa bandeira, nosso orgulho, foi desenhada por um dos mais destacados artistas plásticos. Ela tem círculos concêntricos que simbolizam nossas matas e postes de iluminação pública.
O exército não existe mais. Foi atropelado por uma bicicleta no dia da parada cívica mais importante: Dia da Galinha. Hoje a cidade prepara-se para receber a visita do ilustre senhor governador do Estado. Ele deve chegar a qualquer momento se o vento não vier antes. Hastearam a bandeira no topo da igreja, os sinos dobram no alto do pinheiro e foram distribuídas bandeiras de mão a todos os bois e vacas. Na varanda da cidade, a rede de balanço espera turistas, crianças perdidas e moscas.
*É encarregado do Departamento de RH – Restos Humanos.
Há quem venda a alma e alugue o corpo por um elogio, mas um elogio pode nos trazer mais desgostos do que satisfação. Nem vou falar no elogio que ilude ainda mais um iludido: “Fulaninha, seu disco é ótimo, acho que tem tudo a ver você copiar a voz, o cabelo e os arranjos de Amy Winehouse!” Fulaninha embarca na conversa e dá com os burros nágua. Não, estou me referindo a outras ramificações dessa arte tão escorregadia, a arte de falar bem, tão complexa quanto a de falar mal.
Existe o elogio equivocado, aquele que em que o crítico ou o amigo não entendeu absolutamente o que você fez, e o elogiou por imaginar algo diferente. Ocorre muito quando a gente usa a ironia. Um texto é lido por pessoas de diferentes visões estéticas, políticas, etc. Às vezes a gente publica uma coisa sarcástica, e surge alguém que leva o texto ao pé da letra e acha aquilo maravilhoso.
Um tipo que me incomoda é o elogio que aproveita para falar mal de terceiros, ainda mais se são meus amigos. “O livro de BT é infinitamente melhor do que as medíocres tentativas de A, B ou C…” É o que basta para o alfabeto inteiro ficar com raiva do meu livro. E muitas críticos só sabem criticar assim, por exclusão – algo só é bom ao ser comparado a outra coisa que o crítico acha ruim (e que ele às vezes não percebe ser bem melhor que a obra que elogiou).
Nem deveria falar do elogio sem substância, o elogio que nada diz a não enfileirar adjetivos, mas esta é uma praga que parece residir no tipo de tinta usado na imprensa, então cumpre combatê-la. Publico um conto, o crítico X diz apenas que é “instigante, envolvente”. Já o crítico Y diz que é “uma mistura, que não deu certo, da temática de Henry James com a prosa de Machado de Assis”. Este último, mesmo não gostando, talvez tenha me mostrado algo que eu não tinha percebido.
Existe um certo tipo de elogio interesseiro que todos nós praticamos, conscientemente ou não. Consiste em louvar a brasa alheia trazendo-a para perto da nossa sardinha. Faço um mea-culpa, por exemplo, no que diz respeito à literatura fantástica e à FC. Muitas vezes nós, militantes destas duas excentricidades, acabamos elogiando uma obra que nem é tão boa assim, mas que nos parece boa porque vemos nela o mesmo tipo de “persuasão” que cultivamos. O elogio é interesseiro porque não nos interessa tanto o valor daquela ovelha desgarrada, o que queremos na verdade é engrossar nosso rebanho.
O bom elogio é o que não usa adjetivo algum (desconfie de termos como “magistral”, “genial”, etc.). O bom elogio limita-se a descrever com clareza as qualidades da obra. Se são de fato qualidades, o bom leitor saberá reconhecê-las.
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