O mapa de votação da última reunião do Conselho de Administração da Vale, obtido pelo Bastidor, demonstra que a articulação do empresário Rubens Ometto e do CEO da mineradora, Eduardo Bartolomeo, para manter o comando da companhia vai contra a área de governança da companhia, os principais acionistas, o representante dos funcionários e os representantes dos minoritários.
Os votos expõem de onde vem a força de Ometto no Conselho – e de onde não vem. O presidente do Conselho, a Previ (maior acionista), o Bradesco (segundo maior acionista), o representante dos funcionários e os dois representantes dos minoritários votaram contra a recondução e a favor de uma lista tríplice para escolher um novo CEO, seguindo os critérios de governança da companhia.
Ometto, por sua vez, teve apenas um acionista relevante a seu lado: a Mitsui. Os demais cinco votos foram de conselheiros independentes, aqueles que, segundo o estatuto da mineradora, não devem ter ligação com os maiores acionistas. O ex-governador do Espírito Santo Paulo Hartung, por exemplo, é um dos independentes que têm vínculo estreito com o dono da Cosan. Guimarães, que era da Cosan, também.
De acordo com o estatuto, os conselheiros independentes não podem ter participação direta ou indireta superior a 5% do capital social da companhia ou vínculo formal ou declarado com acionista que a detenha.
A posição dos que votaram contra Bartolomeo, segundo fontes ligadas aos acionistas com quem o Bastidor conversou, não tende a mudar. A justificativa é que o CEO tem dificuldades naquilo que é considerado o maior problema da Vale hoje: as relações institucionais.
Votaram pela recondução Manoel Oliveira (Ollie) – independente; Douglas James Upton – independente; Vera Marie Inkster – independente; Paulo Hartung – que está na vaga dos independentes, mas foi colocado pelo Ometto; José Luciano Penido – independente; e Shunji Komai – Mitsui.
Votaram contra a recondução e para montar uma lista tríplice para escolher um novo CEO: João Fukunaga – Previ; Fernando Jorge Buso – Bradesco; André Viana Madeira – representante dos funcionários da Vale; Daniel André Stieler– presidente do conselho (Previ); Rachel de Oliveira Maia – independente; e Marcelo Gasparino – independente.
O Carnaval terminou, mas a apuração da micareta golpista continua
Demorou, mas o resultado está saindo. Com certo atraso, as primeiras notas da apuração começam a ser lidas pelos jurados.
Enredo – Nota 9,8
A narrativa “Dos delírios de fraude eleitoral nasceu o esplendor de um golpe” foi magistralmente documentada de forma impressa e auditável em diversas minutas. O enredo foi colocado em prática numa reunião gravada em vídeo e provocou arrebatamento de uma legião de fiéis. No dia do desfile, os adereços verde-amarelos ornaram com os ônibus alegóricos e com os acampamentos em tons oliva. Um arraso! A perda de dois décimos se dá pela falta de originalidade da narrativa, claramente inspirada no enredo do Cordão do Capitólio.
Fantasia – Nota 10
A capacidade que o bolsonarismo tem de fantasiar a realidade é hors-concours. Sem falar no uso antológico do verde-amarelo, em todas as suas escalas de tonalidade, numa simbiose perfeita com o enredo.
Evolução – Nota 10
Não há dúvidas quanto à empolgação, coesão e vibração dos componentes. Invadiram a praça dos Três Poderes, quebraram tudo o que viam pelo caminho e destruíram todo o prédio do Supremo Tribunal Federal sem deixar buracos entre as alas. Até mesmo o recuo da bateria policial ocorreu em perfeita sintonia com o desfile.
Alegorias e adereços – Nota 9,5
Brilharam os elegantérrimos kits da marca suíça Chopard, os relógios Rolex e Patek Philippe e as joias exibidas pela ala “Mercadores da Arábia”. O destaque Valdemar da Costa Neto também surpreendeu com uma reluzente pepita de ouro. Outro destaque que será lembrado é Roberto Jefferson e suas granadas de luz e som. Mas onde sobrou glamour e riqueza faltou criatividade e inovação. O carnavalesco do golpe certamente faltou à reunião de cúpula gravada por Bolsonaro.
Harmonia – Nota 6
Talvez tenha sido o grande entrave que impediu a agremiação golpista de permanecer no Grupo Especial. Faltou harmonia, inclusive entre membros da diretoria militar.
A apuração da micareta golpista, no entanto, ainda não foi concluída. A Polícia Federal precisa revelar quem são os integrantes da Comissão de Frente para que os julgadores possam concluir seu trabalho.
ESSA história dos generais cagões que arrepiaram no golpe de Bolsonaro tem justificativas e antecedentes. A justificativa é a prudência do cabo de guerra, que sabe dos riscos e poupa vidas diante de guerras antecipadamente perdidas. Entre os antecedentes, há bons e maus generais que fogem da guerra. Os bons são aqueles da Arte da Guerra, de Sun Tzu, que só combatiam em último caso, quando certos da vitória – e no geral nem combatiam, pois o mestre Sun dizia que sempre se deve conhecer o inimigo antes de iniciar a guerra; assim, se os dois generais se conheciam, cada uma ficava no bivaque tomando chá e furunfando as gueixas.
Não podemos esquecer os destemidos generais gregos, comandados por Leônidas e acompanhados de seus 300 soldados, que diante da ameaça de Ciro (ou Xerxes, não sei), rei da Pérsia que com milhares de combatentes ameaçava escurecer o céu das Termópilas com a sombra de suas flechas, morreram gloriosos, não sem antes responder com desdém: “tanto melhor, combateremos à sombra”. Tinha os generais da Guerra da Secessão a quem Abraham Lincoln pedia por favor para entrarem em combate. Uma vez, irritado, o presidente dos EUA mandou telegrama pedindo que um general lhe emprestasse seu exército, que ele próprio comandaria.
A defesa de Jair Bolsonaro (PL) solicitou nesta quarta-feira, 14, o afastamento do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, das investigações sobre o envolvimento do ex-presidente em um plano de golpe de Estado, registrou o Uol.
A petição foi encaminhada ao presidente da Corte, Luís Roberto Barroso. “Diante do manifesto impedimento para a realização de qualquer ato processual no presente feito pelo seu nítido interesse na causa”, diz a defesa de Bolsonaro.
Moraes, “vítima e julgador”
Ao pedir o afastamento do magistrado, os advogados de Jair Bolsonaro alegam que Alexandre de Moraes não poderia ser o relator do caso, já que ele seria uma das vítimas.
“Uma narrativa que coloca o ministro relator no papel de vítima central das supostas ações que estariam sendo objeto da investigação, destacando diversos planos de ação que visavam diretamente sua pessoa”, afirmaram.
A defesa do ex-presidente também solicitou que todos os atos determinados por Moraes, que “assumiu, a um só tempo, a condição de vítima e de julgador”, sejam anulados.
O afastamento de Moraes do caso também foi requerido pela defesa de Marcelo Câmara, ex-assessor de Bolsonaro.
Dois ex-assessores de Bolsonaro foram presos. São eles: Marcelo Câmara, ex-ajudante de ordens, e Filipe Martins, ex-assessor internacional da Presidência. Ao todo, foram cumpridos 33 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão preventiva em nove estados –Amazonas, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Ceará, Espírito Santo, Paraná, Goiás– e no Distrito Federal.
Bolsonaro recebeu plano de prender Moraes, Gilmar e Pacheco
O relatório que embasou a operação da PF aponta Filipe Martins, ex-assessor para Assuntos Internacionais da Presidência, e o advogado Amauri Feres Saad como autores da minuta do golpe que foi apreendida na casa do ex-ministro Anderson Torres. Segundo a PF, o documento teria sido entregue ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com a PF, a primeira versão do documento teria o pedido de prisão do presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e dos ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, do STF.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, aliou-se de vez ao empresário Rubens Ometto na disputa pelo comando da Vale. Entre o presidente Lula, a quem é formalmente subordinado, e o dono da Cosan, Silveira não hesita mais. Age conforme os interesses de Ometto e à revelia do Planalto, segundo fontes que participam da escolha do novo CEO da mineradora.
No começo do mês, o Bastidor revelou que Silveira fazia jogo duplo: defendia em público a opção de Lula por Guido Mantega e, em privado, trabalhava com Ometto para emplacar Luiz Henrique Guimarães, ex-presidente da Cosan. De lá para cá, de acordo com representantes de acionistas da Vale que conduzem as tratativas, a parceria entre Silveira e Ometto intensificou-se. Resultou num acordo entre ambos, cujos detalhes ainda são desconhecidos. O objetivo, contudo, é claro: ceder o comando da maior mineradora do país a Ometto.
Para viabilizar o plano, Ometto e seus aliados surpreenderam os demais acionistas, na última reunião do Conselho da Vale, com a proposta de reconduzir por mais um ano Eduardo Bartolomeo, o atual CEO da empresa, cujo mandato encerra-se em junho. Pelo acordo, Bartolomeo daria lugar a Luiz Henrique Guimarães, o homem de Ometto. Previ e Bradespar se opuseram à proposta. Eles querem um substituto para Bartolomeo, mas não pretendem entregar a Vale ao dono da Cosan.
Ometto, porém, não desiste. Além de fazer novamente carga em Brasília, conquistou apoio dos acionistas estrangeiros Black Rock e Capital Group Internacional. Não há sinal de que o empresário possa mudar de ideia – nem de que seus adversários na Vale, que agora incluem a Mitsui, possam recuar.
Os demais acionistas temem que, uma vez no comando da Vale, mesmo que indiretamente, Ometto use a mineradora em benefício de suas empresas: seja diretamente, seja pela força política dela. Além da Cosan, o empresário é dono da Compass, da Raízen, da Moove e da Rumo Logística, que recentemente conseguiu dois acordos vantajosos com o governo federal, graças a ajuda de políticos do MDB.
Havia a expectativa para uma nova reunião do Conselho ainda nessa semana, entre quinta-feira (15) e sexta-feira (16). Até o fechamento dessa reportagem, a Vale, porém, não havia confirmado se haveria uma nova assembleia.
A Previ, além de duas cadeiras no conselho, tem 8,7% das ações da Vale. A Mitsui tem 6,3% e a BlackRock tem 5,8%. Outros 5,3% são da própria empresa. Os 73,9% estão divididos entre acionistas minoritários que não ultrapassam os 5% das ações.
A POLÍCIA pegou no flagrante o cearense que costumava furtar calcinhas do varal da vizinha. Preso, alegou ter fetiche pela peça, com a qual satisfazia o instinto primal após sorver o embriagante perfume de sabão em pó com volúpia igual à do viciado em cocaína. Foi liberado depois de assinar o tal termo de conduta – que não funciona, pois não converte o ladrão em cheirador de cuecas. Frise-se que o crime foi o de furto, aqui sem qualquer qualificatória; ao contrário, seria no máximo furto famélico, em estado de premente necessidade. O fato aconteceu em Jijoca de Jericoacoara, cidade no Estado de Ciro Gomes, que teve em seu varal as melhores calcinhas do Brasil. Seja o que Jijoca ou Jericoacoara signifiquem solitárias ou em conjunto no cearense tupi-guarani, no brasileiro contemporâneo são excelentes metáforas para o território coberto pela res furtiva.
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