Como não é do conhecimento de alguns, sou fissurado em palavras. Li, numa dessas revistas dirigidas, um artigo rápido de um cara chamado Luiz Costa Pereira Junior sobre o peso das palavras usadas pelas empresas.
Em resumo, a gente escreve ou fala coisas que não sabe o que realmente significam. Sendo eu publicitário, me babo com a linguagem atual das empresas. Elas querem impor algumas palavras idiotas como ‘gestão’ pra tudo. Até já falei sobre um cartaz grande onde o título era, mais ou menos, assim: Tudo fica melhor com gestão da saúde pela (empresa X). O diabo do redator não atinou pro grave ‘com gestão’. Congestão da saúde? Ótimo! O autor do artigo — Luiz Costa — revela o passado de algumas palavras e é muito interessante. Veja: ‘Líder’ vem do inglês leader, por causa do chumbo (lead) usado nas balas de armas de fogo. ‘Empresa’ vem do latim prehensa, ‘agarrar com força’. Virou também prender e empreender. O ‘trabalho’, até o século VI, significava ‘tortura’ (tripaliare). O mais legal é que ‘negócio’ vem de negotium, que é a negação do otium (ócio). ‘Banco’ vem de banca, mesa dos agiotas medievais nos mercados italianos. Se a banca falia, vinha a banca rupta (latim), banca rotta (italiano), bancarrota (português), bankrupt (falido em inglês).
Ah, isso me refresca a alma! Vou perguntar pro Luiz se o livro dele Com a língua de fora é sobre isso. Um manjar dos deuses, se for.
*Rui Werneck de Capistrani não tem palavras exprimir sua admiração pelas palavras
Hipócrita tem horror à luz, heliofóbico; nas trevas elabora sonetos para encantar meninos em idade escolar. Poeta em compota. Repito: hoje é um dia quinhentista, segunda-feira da semana que vem e o calendárioscopista é severo, não dá pra fugir do açoite. A chibata é certa. Envoleios paracélticos cunturcinam militares aos borbotões, ao futebol de botões, cáspite moçambosa! Lero lero, bangue bangue, três tiros ecoam na madrugaridante vaginosa! Alguém fede ao sol do meio-dia, moscas oleaginosas envergalham sacripantas nos poemas empenduricalhados nas conas escandalosas.
Evoé, bakun, pinceladas murchas, almodóvar subitantis, resquícios celebritosos aviltam juízes e bandeirinhas, escanteio rápido e certeiro e o gol é eminente. Um a um. Um por todos e todos por um porungo. Retrocesso. Ridendo castigat mores!
Retrato de doris day, escola de moliéres. Um, dois, ivo viu a uva virar conhaque; à pata nada? A punheta bate à porta, em frenesi. Tudo é piquenique no front, pois um dia chegou a haver nada por lá; calaboteco, o elo e o frio da traição. Arrancam os órgãos reprodutivos de “poetinhas” e jogam sal grosso, siririca trabuzana e molibidato de chumbo grosso. Na barreinha, todos os polacos provam do saboro nossuco; em rápidas pincelas: não devia ser legal ser negão em 1808: a coisa começava a ficar preta.
O bar dos bardos não fecha pra são bernardo, assim pintou moçambique: simonais ejaculam gotas périplas sobre o corpo inerte, isso, isso, espermalandros procuram a vã gina espremida na bochecha de perdigotus antiofídicus. Hipocretes aos borbotões tentam prestar a última homenagem ao guru, exposto ao sol, caralhaquático, encardelúmedo, pulterívico, gota d’água em mar morto, o licor de rosa foi às favas, fasterpúnculo. No lintrópico da serra da tiririca lameríndica o assombroso bate nas moscatéias seculares, isso: tarétsias explica depois. O compromisso é um contraponto, as portas, a perseguição, bombas de reis barbudos. O rato rói unhas.
A Opinião é um cachorro que tem a casinha dele na cabeça das pessoas. Ele pode latir à toa por banalidades, pode lamber o que lhe agrada, rosnar apenas para demarcar território. Agora, morder, não tem como: palavras não têm caninos. Por mais ferina que seja, a ferocidade da Opinião começa e acaba na emissão falada ou escrita, o que a dispensa de coleira. Além de nenhuma Opinião tirar pedaço de ninguém, quem a ouve ou a lê tem um poder muito maior do que quem opina: pode simplesmente ignorar o latido, o rosnado, a lambida.
É por isso que todas as opiniões são bem-vindas à realidade social: a favor ou contra, liberais ou reacionárias, elas formam a matilha barulhenta sem a qual a caravana dos fatos passaria na surdina. Ao ladrar, a Opinião tem a chance de influir no meio. E é por isso que é vital levar a Opinião a passear por qualquer área da vida pública – a política, a economia, a sociedade, a cultura, a religião, os costumes. Porque tudo isso afeta a todos, sobretudo a quem não tem Opinião formada ou acha que a sua não tem valor. Daí a importância de deixar a Opinião se exercitar livre por entre os acontecimentos, fazer xixi diante de escândalos, uivar onde valores sejam ameaçados.
E há que cuidar bem da Opinião, com tosas do vocabulário e banho de ideias: assim ela circula à vontade por praças e palcos, plenários e periódicos. Quanto à ração, ah, precisa balancear: convicção demais fica ardida, convicção de menos fica sem ardor. Já os dogmas – partidários, científicos, filosóficos, religiosos – esses podem conter nutrientes fictícios e às vezes são muito indigestos. O essencial é que, em ambiente democrático, a Opinião possa respirar o ar do nosso tempo. Mesmo porque a atmosfera da Idade Média não está mais aqui.
O MINISTRO Paulo Pimenta, da Secom, chama de chupim o ex-presidente Jair Bolsonaro por este tirar proveito da ação do governo na repatriação dos brasileiros retidos em Gaza. O chupim é conhecido como ave parasita, atributo também referido a Bolsonaro, segundo o ministro, porque põe seus ovos para serem chocados nos ninhos do Tico-Tico, que também os cria. Bolsonaro quis tirar proveito da liberação dos brasileiros, ação exclusiva e integral do governo Lula. O ex-presidente foi incapaz de expressar em palavras sua solidariedade com os compatriotas em risco, e recolheu sua retórica covarde para não condenar a ação de quem retinha os brasileiros. Um gesto de conveniência e até crueldade – de que não será acusado e sentido pelos seus seguidores – pois deixou de expressar protesto contra Israel, que bloqueava a repatriação.
É que Bolsonaro, ao casar com Micheque, assumiu a crença neopentecostal de que Jesus voltará via Israel. Não teve sequer o gesto digno de um Jimmy Carter, que mesmo fora do governo – e muitas vezes comprometendo a política dos EUA – viajava para prestar apoio a americanos retidos ou presos no estrangeiro. Mas entre Carter e Bolsonaro vai a distância entre o canário e o chupim. A propósito, na infância conheci o chupim pelo apelido tradicional: virabosta. Que nem Jair Bolsonaro.
um dia desses eu vou me misturar ao povo que está na ruas e finalmente vou descobrir pra onde todo mundo vai para onde vão as velhinhas com pacotes debaixo do braço? para onde vão as senhoras gordas de cabelo encaracolado? pra quê lado?
vou descobrir para onde vai a menina com o uniforme colegial para onde vai o senhor grisalho com as mãos no bolso para onde foi o negro elegante que estava aqui há pouco para onde foi o menino de boné vermelho
para onde foi o vendedor de bilhetes que sempre está gritando vaca galo cabra burro borboleta um dia desses eu descubro pra onde vai a gorda que acabou de entrar num táxi dia desses eu descubro para onde foi aquele tocador de gaita de boca e aquela limpadora de rua e aquela moça do estar e aquele sorveteiro e aquela loira com um disco do chet baker e aquele cara parecido com o rodrigão
e aquele senhor de guarda-chuva e aquela moça chupando sorvete e aquele gordo desesperado e aquele médico que escorregou na calçada e aquele guarda que estava na esquina e as três meninas que olhavam a vitrine da sapataria e a velhinha de sombrinha verde que tentava atravessar a rua
dia desses eu descubro pra onde é que vão todas essas pessoas que atravessam a rua sem olhar para os lados
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