Pai anti-herói

Desenho sem crédito.

Minha filha, não conte comigo. Não pense que sou eu quem vai lhe salvar de todos os males do mundo. Um dia, pode ser que você queira o mal e não vou ter como evitar. Um dia, pode ser que você queira o pior e eu não vou estar mais por perto.

Teremos e já tivemos bons momentos. O medo faz parte da vida e os fatos que o geram estão cada vez mais próximos de nós. De uma maneira ou de outra, eles sempre existiram e a idade também é responsável pela maneira como os interpretamos. Mas, apesar de tudo, mesmo com todo o perigo, creio que pude lhe dar um pouco do que tinha de melhor.

Sempre quis dar tudo para você, mas não consegui quase nada do que queria. Procurei compensar minha incapacidade com a distância, mesmo estando perto. Nunca quis nada disso, mas fui conduzido, dia após dia, em cada manifestação de impotência diante da vida, diante dos homens.

Procure não enxergar o medo. Este é o melhor conselho que posso lhe dar. Com ou sem ele, os riscos haverão de surgir e você terá de enfrentá-los. Siga em frente e não pense em mim.

Felipe Cerquize

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 50 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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