
O Ódio casou com a Vida e tiveram muitos filhos: execração, malquerença, atiradeira, tacape, soco, arco e flecha, desgosto, inimizade, repugnância, vingança, funda, estilingue, besta, bodoque, repulsa, revolta, aversão, irritação, inveja, porrete, cassetete, espada, florete, pedra, pedaço de pau, faca, punhal, azagaia, antipatia, desamor, desafeto, desfavor, indiferença, maledicência, desprezo, lança, adaga, machado, estoque, foice, facão, martelo, canhão, fuzil, bazuca, obus, morteiro, abominação, mentira, depreciação, constrangimento, rancor, carabina, granada, dardo, espingarda, forca, guilhotina, canivete, veneno, ciúme, ganância, insulto, repúdio, desacato, adulteração, traição, desrespeito, desorientação, racismo, escárnio, pressão psicológica, intolerância, impaciência, trabuco, pau-de-arara, mosquetão, revólver, escopeta, metralhadora, garrucha, pistola, perseguição, rejeição, abandono, tolice, insensatez, violação, desatenção, torpedo, míssil, bomba A, bomba H, contrariedade, ridículo, menosprezo, terrorismo, futilidade, pistola a laser, carro-bomba, homem-bomba. E viveram infelizes para sempre.
*Rui Werneck de Capistrano é pastor de rebanho de palavras
Sobre Solda
Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 50 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido
não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br