
Ele, o scandisk, foi estudado, foi construído e tem essa função. E desempenha todos os dias. Eu, ao contrário, não fui programado pra nada. Tem dias que aceito bem seu aviso. Tem outro dia que me rebelo e faço escândalo. Deixo de tomar café, não cumprimento os colegas de trabalho e até esqueço a porta da geladeira aberta. Fico perguntando pro scandisk, meio como aqueles mafiosos faziam com os que estavam na bica pra serem removidos da sociedade: “Quem errou? Quem? Quem delatou nosso carregamento secreto de bebidas? Qual cavalo vai ganhar o terceiro páreo de domingo? Já calçou algum dia sapatos de cimento? Já visitou o fundo do mar sem escafandro?” O scandisk não responde. E tento ligar pro técnico pra saber onde ficam os pés do scandisk, enquanto o motoboy está vindo da casa de material de construção com o saco de cimento. Sempre esqueço de perguntar que número o scandisk calça.