Todo dia é dia


O Albatroz

Muita vez, por não ter o que fazer, marujos
Pegam um albatroz, nômade ave marinha,
Que traz um pouco de alegria aos ditos cujos
e ao navio que, sobre abismos, quebra a rotina.

Nem bem o põem no chão, sobre as tábuas molhadas,
O rei do azul do céu, sem graça e desengonçado,
Deixa cair suas asas que, imobilizadas,
São arrastadas tal muletas ao seu lado.

Que figura! Como um palhaço interagindo,
A ave divina fica muito cômica… Ei-la!
Um a aborrece pondo em seu bico um cachimbo;
Outro, por imitar um manco que coxeia!

Sou poeta, sou como esse príncipe do ar,
Que enfrenta a tempestade e ri da flecha a voar,
Mas com os pés no chão, em meio à plebe rude,
Também quis abrir asas e voar mas não pude!

Charles Baudelaire

Livre adaptação de Antonio Thadeu
Wojciechowski

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 50 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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