Viola Quebrada no tempo da delicadeza

Foto de Bárbara Magalhães.
Um show com música caipira, essencialmente romântica. Mas com canções que falam de um amor puro, compostas no tempo da delicadeza“. É dessa forma que o músico Oswaldo Rios resume a proposta do novo espetáculo do grupo Viola Quebrada que será apresentado nesta sexta-feira e sábado, dias 7 e 8, às 21 horas, no Teatro Paiol (Praça Guido Viaro, s/nº). Na ocasião eles vão prestar uma homenagem ao repertório da famosa dupla caipira Cascatinha e Inhana, que traz clássicos como “Anahy“,“Colcha de Retalhos“,“Serra da Boa Esperança“,“Chuá, Chuá“,“Flor do Cafezal“ entre outras. Para esta apresentação o grupo traz como convidadas especiais as irmãs Galvão.

Dois milhões e meio de discos vendidos em 1951! Essa foi a incrível marca da famosa dupla Cascatinha e Inhana no mercado fonográfico com o compacto, ainda em 78 rotações que trazia os sucessos “Índia“, de um lado, e “Meu Primeiro Amor“, do outro. E olhe que naquela época ainda não existia o poder da televisão, para facilitar as vendas. Essa é apenas uma das curiosidades do roteiro do show, escrito pela poeta e escritora paranaense
Etel Frota.

No palco do Paiol o público terá oportunidade de conhecer o caminho romântico de Ana e Francisco – mais tarde Cascatinha e Inhana -, que se encontraram em 1941 num circo onde ele se apresentava cantando sambas e ela, apaixonada, foi embora deixando na cidade um noivo desconsolado. Além dos textos que permeiam o repertório, há também algumas imagens que serão exibidas num telão com os próprios Cascatinha e Inhana contando passagens de suas vidas.

O músico Oswaldo Rios explica que esse espetáculo vem amadurecendo desde 2004. “Agora ele está no ponto. Eu vejo esse trabalho com uma aceitação grande no cenário nacional e o show, inclusive, será registrado em DVD pela produtora Cine Viola com direção do Mario de Aratanha e Jeanne Duarte“, informa. Para ele existe uma expectativa bem positiva de essas canções chegarem com maior facilidade para as novas gerações: “É um repertório que fala de amor sem apelações, que deve ser descoberto por uma geração que pode se voltar para uma música autêntica e ao mesmo tempo moderna. Isso é, com uma sonoridade atual, pois nós buscamos imprimir nossa personalidade sem, contudo, descaracterizar as composições originais”, completa.

A voz feminina do grupo, Margareth Makiolke, considera que a dupla Cascatinha e Inhana além de um tino para a escolha de repertório, também possuíam uma técnica exemplar. “No lado musical eles faziam um casamento de vozes bem difícil e inusitado e mostravam que não eram intuitivos, eles entendiam do assunto”. Ela conta que na seleção das canções a escolha recaiu naquelas que tivessem mais a ver com a formação do Viola Quebrada. O que inclui o bom e o melhor da famosa dupla.

“É um repertório que vai da década de 40 até 60. Uma música muito importante é Flor do Cafezal, do Luiz Carlos Paraná, paranaense de Ribeirão Claro, que nós adoramos cantar“.

A celebração a “Cascatinha e Inhana” ainda vai contar com a participação especial das irmãs Mary e Marilene Galvão, conhecidas como As Galvão, que foram amigas íntimas de Inhana. Além de interpretar duas músicas com o Viola Quebrada elas também vão relembrar “causos” dessa convivência artística. “Elas vão cantar Colcha de Retalhos – que é uma das versões mais bonitas que eu conheço – e Chuá, Chuá – que encerra o show para o DVD, mas depois o espetáculo continua com As Galvão no palco“, conta Margareth. Ela aproveita para lembrar que esse show inicialmente teria como convidado especial o músico Pena Branca, recém falecido, e que por isso no final do espetáculo será feita uma homenagem especial.

Viola quebrada:

O Viola Quebrada que trabalha há mais de doze anos a proposta de mostrar o autêntico universo caipira brasileiro é formado por Oswaldo Rios (voz e violão), Margareth Makiolke (voz e violão), Rogério Gulin (viola de 10 cordas) e Rubens Pires (sanfona e rabeca). Nessa apresentação, ampliada na formação de sexteto, o grupo terá como músicos convidados Marcão Saldanha (percussão) e Wanderlei Lima (baixo).

Ao longo de mais de uma década o Viola Quebrada já gravou quatro discos de carreira (Viola Quebrada – 2000, Fandangueira – 2002, Sertaneja -2003 e Noites do Sertão – 2006) e realizadas centenas de apresentações no Brasil (incluindo uma elogiada turnê no Projeto Pixinguinha) e no exterior. Além disso, o grupo já esteve tocando ao lado de nomes fundamentais da música brasileira como Pena Branca & Xavantinho, Zeca Baleiro, Alaíde Costa, Roberto Corrêa entre tantos outros que ajudam a música caipira a permanecer como uma das raízes fundamentais da nossa cultura.


Serviço: Viola Quebrada interpreta Cascatinha e Inhana. Show com o grupo paranaense. Convidadas especiais: As Galvão. Sexta-feira e sábado, dias 7 e 8, às 21 horas no Teatro Paiol (Praça Guido Viaro, s/nº). Ingressos R$15 e R$7,50 (meia entrada). Informações: 41 3213 1340. Classificação: Livre.

Mais informações e entrevistas:
RB – Escritório de Comunicação
Rodrigo Browne 41 9145 7027

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 50 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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