Rui Werneck de Capistrano

© Myskiciewicz

Os mares da Terra já eram suficientemente navegados para que Cristóvão Colombo, em 1492, reclamasse o pioneirismo quanto à travessia do Atlântico. Os livros escolares estão cheios de aventuras do intrépido conquistador, atribuindo-lhe, inclusive o injusto título de “poedeira de ovo em pé do ano”. As marolas históricas são tão desencontradas que qualquer cidadão menos avisado embarca numa onda de engulhos e mal-estar. Aceita um Engov? Não, obrigado. Estou só olhando!

Com o vasto e proceloso Atlântico pela frente, Colombo animava a tripulação quanto ao sucesso da empreitada. Porém, depois de quatro dias no mar, a agulha da bússola ficou doida. Colombo acalmou a tripulação dizendo que isso era devido à Estrela Polar. Ele e o mundo desconheciam as variações magnéticas. Inadvertidamente, a frota de três caravelas foi descobrir o Novo Mundo. No dia 12 de outubro de 1492, ele rebatizou de São Salvador uma ilha que os indígenas chamavam de Guanahami. Quando já estava no fim dos seus dias, Colombo ainda acreditava que as ilhas descobertas ficavam na costa oriental da Ásia! Acredita? Não, obrigado. Estou só olhando!

Nem morto Colombo parou de viajar. Morreu em 1506, em Valhadolid, Espanha. Foi sepultado num mosteiro de Sevilha. Quando, 30 anos depois, seus feitos foram reconhecidos, foi trasladado para a República Dominicana. No século XVIII, um descendente dele o levou para Havana. Diz-se que foi novamente levado para Sevilha, mas em 1877 descobriram uma urna sob a Catedral de Santo Domingo com a inscrição C.C.A. Como já imperava a fome por dinheiro, pegaram as cinzas da urna e fizeram dois medalhões para vender em 1973. Não obtiveram preço algum. Compra? Não, obrigado. Estou só olhando!

Sobre se Colombo foi mesmo o primeiro a navegar tão longe no Atlântico, Mark Twain disse: “As investigações de muitos comentadores já tornaram esse tema suficientemente obscuro e é provável que, se prosseguirem, em breve nada saibamos sobre o assunto.” Sabe-se que, um ano depois da morte de Colombo, deram o nome de América ao continente por ele descoberto. Homenagem a Américo Vespúcio, um mercador italiano bem obscuro. Valeu? Não, obrigado. Estou só olhando!

Rui Werneck de Capistrano é descobridor dos sete bares

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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