Bettega: um amigo se vai…

Faleceu o amigo João Lydio Bettega, fundador das Rádios Ouro Verde e Caiobá, sobre ele podemos falar – entendia de rádio. No início da minha carreira de publicitário, nos anos 70, conheci Bettega na Rádio Ouro Verde que ainda era na Rua José Loureiro. A agência onde eu trabalhava, a Equipe Propaganda do Norberto Castilho, anunciava muito nessa rádio. Sempre que ia lá batíamos grandes papos.

Vinhetas e programas inesquecíveis

A Ouro Verde reinou como uma rádio de bom gosto por muito tempo. Certa vez estava com o José Ferreira Martins (TV Bandeirantes/SP) e o então iniciante Miltom Jung (CBN) no lobby do Hotel Araucária esperando iniciar um trabalho para o Bamerindus e ouvíamos a Ouro Verde. O Ferreira Martins falou para o Miltom: “Isto é que é rádio boa. Escute o bom gosto da programação. Como essa rádio flui gostosa”.

Alguns programas criados pela equipe do Bettega ficaram na história: Saudade não tem Idade, A caminho do Mar, Momento Espírita (Paulo Roberto de Oliveira) hoje reproduzido em mais de mil rádios brasileiras, Pick Up Automático e o Domingo Sem Futebol que eu produzia em parceria com o jornalista Aramis Milllarchi.

Apoio do Exército, pela audiência

Morei durante um tempo ao lado da Radio Outro Verde no Cristo Rei. Certo domingo acordei e vi um caminhão do Exército com um enorme gerador e cabos ligados diretamente ao prédio da rádio – pensei na hora: houve uma revolução e o pessoal tomou as rádios. Mais tarde perguntei ao Bettega o que foi aquilo e ele explicou: “É que a Copel avisou que o nosso bairro iria ficar sem energia por um dia – eu não posso ficar fora do ar, caso contrário, meus ouvintes irão para outras rádios e podem não voltar mais. Então pedi ao pessoal do Exército que me emprestasse um gerador.” Este era o tipo de cuidado que ele tinha com suas rádios e ouvintes.

Audiência no dial dos carros

O José Carlos Gomes de Carvalho, Carvalhinho, fazia sua própria pesquisa de audiência: quando ele gerenciava a Copava – revendedora Volkswagen -, todos os atendentes ao receber os veículos para revisão tinham que olhar no dial dos carros e ver qual rádio estava sintonizada – e o resultado era sempre Ouro Verde.

Inovador sem medo

Bettega era um inovador, sempre à frente do seu tempo, soube mudar na hora certa, pois com a ascensão do mercado popular no início do Plano Cruzado, mudou os rumos da Ouro Verde e da Caiobá ajustando-se ao gosto das classes B e C e suas rádios passaram a ser mais populares, situação que as mantiveram em liderança por muitos anos.

 Agregador e fiel aos amigos

Discreto no trabalho, elegante na conduta, Lydio Bettega mantinha uma equipe unida e coesa – colaboradores o acompanharam durante anos como o Paulo Roberto de Oliveira, o Nenê e o Roberto Bostelmann. Anunciantes foram fieis às suas rádios por décadas.

 Tudo tem seu tempo debaixo do sol

Bettega se despede de nós em um momento de grandes transformações no setor das comunicações – rádios disputam audiência com os modelos de aplicativos e ao mesmo tempo podem se espalhar pelos meios digitais, ouvintes dedicam seu tempo às redes sociais e … nada mais será como antes.

Aroldo Murá

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 50 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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