Carta aberta para o… Reino Unido!

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Irritantes isolacionistas da Pérfida Albion

Olha, o plebiscito não foi tranquilo e não foi favorável, seus insulares insolentes! Separar da União Europeia, assim sem mais nem menos? Quem é que vai ficar com a casa na praia? O que vai ser das crianças?

Quem é que cuida do cachorro?

Até que vocês têm uns troços maneiros – Shakespeare, Dr Who, Douglas Adams – mas só isso não basta, you bastards! Vocês não têm sequer gastronomia, cazzo! Nem vinho vocês sabem fazer, stupid white people!

Deixa eu esfregar umas verdades nessa sua fuça insular:

  1. O que vocês chamam de “comida” é só batata boiando na água ou encharcada em poça de óleo.
  2. O que vocês chamam de “bebida” é só água quente, uma coisa que o resto do mundo usa pra tomar banho (exceto a França).
  3. O que vocês chamam de “clima” é só umidade doentia combinada a frieza insuportável. E estamos falando de um dia agradável…
  4. O que vocês chamavam de “O Império Onde o Sol Nunca se Põe” é só o “O Império Onde o Sol Não Bate”.

Nós, cosmopolitas cidadãos do mundo, acreditamos que nacionalismo é coisa de republiqueta bananeira. Nesses lugares é que o povo sai berrando “Os gringos vão tomar nosso petróleo! Vamos saquear tudo antes e dividir com o Marcelo Odebrecht! O último a meter a mão é mulher do Frei Betto!”

Mas isso é assunto deprimente para outra hora.

Retomemos.

O mundo, Reino Unido, fica melhor sem bandeiras e sem fronteiras. Vocês se borram de medo dos sírios, eu sei, mas é nessas horas que é preciso mostrar a superioridade moral do iluminismo frente ao obscurantismo. Raivosos deuses tribais são reduzidos à sua ridícula insignificância quando a gente esfrega o humanismo na cara deles, percebe?

Enfim, agora a Inês-brasil é morta.

Vamos fazer o seguinte: tudo ok, desde que vocês dividam com o mundo o Monty Python, o Sex Pistols, o Keith Richards, a Mary Shelley e o Martin Amis. Em troca, podem guardar pra consumo interno o Mr Bean, o Oasis, o Bono, o Ian McEwan e a Jane Austen. As Spice Girls a gente racha.

God save the Queen! She will need all the help, by the way.

– Aran

Agora também especialista em relações exteriores. Se até o Serra pode, por que não eu?  A ilustração ao lado é do JB, de Glasgow, na Escócia (que em breve sai do Reino Unido para se juntar à União Européia, vai vendo…)

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 50 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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