Claudio Fajardo – O Sabugo

FAJARDO - Foto Imap 2

Charge publicada no blog do Fabio Campana

AMY-A OU DEIXE-A! Ame-o ou deixe-o, frase difundida pelo regime fardado brasileiro. É da natureza do fascismo o apelo à emoção e a inibição do racional. O que quer dizer AMI-A OU DEIXE-A? Será que quer dizer que você deve amá-la simplesmente, não deve questionar-se racionalmente, apesar de lamentar-se, se ela não morreu em conseqüência do uso de drogas? Deve amá-la, simplesmente, não importa que tenha usado droga. Perder a vida uma moça tão jovem não deve ser objeto de reflexão, você deve simplesmente amá-la, ou deixá-la, não lhe resta outra opção.

Uma criança que aja desse modo, simplesmente AMY-A, não corre o risco de, ao não questionar as razões de sua morte, ao não recusar o vício, a simplesmente aceitar o vício por amá-la, digo, não corre o risco essa criança de querer imitá-la por tê-la como pessoa de referência? Quantos jovens adolescentes “adoravam” AMY? Não correm o risco de, ao não questionarem, tentar seguir o seu exemplo? Ideologicamente essa frase está do lado da vida ou do lado da autodestruição?

“AMY-A OU DEIXE-A”, essa frase está ditando, dando-lhe uma ordem: você deve amá-la, você está proibido de questioná-la; se você quiser questioná-la você deve deixá-la. Qual a contribuição dessa charge para a formação da juventude? Claudio Fajardo

Descobri esta postagem há tempos, procurando desenhos meus na internet. Na crítica, Fajardo misturou suspensório com guarda-chuva. O sociólogo Claúdio Fajardo (morreu dia 9 de agosto, aos 63 anos) militante político no MR8, hoje PPL – Partido da Pátria Livre, moldou sua vida nas diretrizes de Marx e de Lenin. Foi diretor da Biblioteca Pública do Paraná. Ao saber de sua morte, no Facebook, comentei: Foi-se. E martelo. Em nosso último encontro, perguntei se tinha algum projeto socialista para Curitiba. Era o “Piscinão da Cidade”. Não acreditei. Requiescat in pace, se puder.  Ele tinha o direito de criticar. E eu me defendo aqui, agora. Solda, grouchomarxista

“Por ser ateu e não acreditar em outras encarnações ou numa razão para estarmos aqui, tive uma vida muito triste, sem esperança, assustadora”. Woody Allen 

9|agosto|2014

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 50 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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