Armas do Exército para o Comando Vermelho

A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu dois suspeitos de negociar as metralhadoras furtadas do Arsenal de Guerra do Exército, em Barueri, na Grande São Paulo, em 2023, com o Comando Vermelho (CV).

Apontados como receptadores das armas roubas, Jesser Marques Fidelix, o Jessé, e Márcio André Geber Boaventura Júnior foram presos por agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) em um condomínio de luxo na cidade de Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo.

Uma denúncia anônima levou os agentes aos suspeitos.

“A partir de um vídeo que foi circulado na internet, nós começamos a investigar e conseguimos identificar, através das declarações de um colaborador, que Jessé e Márcio estariam negociando para empregar essas armas de fogo na guerra da Zona Oeste, entre o Comando Vermelho e a milícia, ali na região da Gardênia e Cidade de Deus”, disse o delegado Pedro Cassundé, da DRE, à TV Globo.

Busca e apreensão

Em complemento às prisões, agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes cumprem nesta sexta-feira, 12, nove mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Os alvos, de acordo com o delegado, são “pessoas interpostas que gravitam em torno de Jessé e Márcio”.

Relembre o caso

O furto das 21 metralhadoras aconteceu em 7 de setembro de 2023, dia em que os militares participaram do desfile de comemoração pela Independência do Brasil.

O sumiço de 13 metralhadoras calibre .50 e de outras oito metralhadoras de calibre 7,62 foi notado no dia 10 de outubro. Esse é o maior desvio de armas registrado pelas Forças Armadas desde 2009, segundo levantamento do Instituto Sou da Paz.

Em fevereiro, a Justiça Militar tornou réus oito acusados de participar, direta ou indiretamente, do furto das metralhadoras do Exército.

Os cabos Vagner da Silva Tandu e Felipe Ferreira Barbosa responderão por peculato. Já o 1º tenente Cristiano Ferreira e o tenente-coronel Rivelino Barata de Sousa Batista, ex-comandante do Arsenal de Guerra, foram denunciados por peculato e inobservância de lei, regulamento ou instrução.

Os civis, que eram considerados foragidos e os nomes foram mantidos em sigilo, viraram réus por receptação.

Como foi o furto das metralhadoras?

O furto das metralhadoras aconteceu em 7 de setembro de 2023, dia em que os militares participaram do desfile de comemoração pela Independência do Brasil.

De acordo com o juiz Vitor de Luca, da Justiça Militar, os cabos Vagner da Silva Tandu e Felipe Ferreira Barbosa teriam “arrombado os cadeados e o lacre que guarneciam o local e desarmado o alarme que o protegia” por volta das 14h30.

“A seguir, o primeiro e o segundo denunciados (Vagner da Silva Tandu e Felipe Ferreira Barbosa) colocaram as armas anteriormente mencionadas (13 metralhadoras .50 M2 HB Browning, 8 metralhadoras 7,62 M971 MAG e 1 fuzil 7,62 M964) na caçamba da caminhonete, ocultando-as com a cobertura da parte traseira do veículo.”

Na decisão, o juiz afirmou que Vagner deixou o Arsenal de Guerra com as armas furtadas enquanto Felipe Barbosa ficou no quartel para inserir novos cadeados no paiol.

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 50 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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