Matsuo Bashô (1644-1694)

Olha o velho lago –
Após o salto da rã
O barulho da água.

Trata-se do haicai mais famoso de todos os tempos, o que não quer dizer que seja o melhor haicai do mestre. Hoje, aceita-se que foi apenas o poema que inaugurou a escola de Bashô, denominada Shôfû. Conta-se que ele estava reunido com os discípulos, quando apresentou os versos “kawazu tobikomu/ mizu no oto” (barulho da água após o salto da rã), propondo que alguém os completasse.

Como numa paródia, que distorce valores estabelecidos para gerar humor, a novidade de Bashô era que a rã não se fazia representar pelo seu canto, como na poesia tradicional, mas apenas indiretamente, pelo ruído de sua entrada na água. Kikaku propôs que o primeiro verso tivesse a palavra “yamabuki” (rosa japonesa, Kerria japonica), para formar uma combinação tradicional com a rã.

Mas Bashô, para assombro dos presentes, replicou com “furu ike” (velho lago), originando, assim, um foco de tensão entre a tranquila solidão do velho lago e o salto inesperado da rã que perturba o ambiente com seu barulho. O kigo (termo de estação) é kawazu, rã, correspondente à primavera.

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 50 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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