Flagrantes da vida real

Rogério Dias, pelos postes da cidade. © Maringas Maciel

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Em Cuba, como os cubanos

beto-DSC03081Patrícia Pilar, fotografia no La Bodeguita del Medio, Havana. © Beto Bruel

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Mural da História – 2004

Entrevista na TV Meio Norte sobre o Salão Internacional de Humor do Piauí, Teresina.  O cartunista que vos digita,  Jô Oliveira e Ana von Rebeur, 2004.  © Vera Solda

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Playboy – 1980

198009_Lisa_Welch_08_AltSize1980|Lisa Welch. Playboy Centerfold

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Afliceta?

Para responder Maria Alice, preciso recorrer ao cenário mítico e higienicamente inviável que é o quarto de hotel

Maria Alice me escreve perguntando o que me dá “afliceta”. Minha primeira conclusão, a partir da sua pergunta, é o tamanho da diversão do sujeito que precisa de dinheiro. Se herdeira fosse, estudaria autoficção em Paris, história da arte em Florença e me dedicaria —tão e somente —a ler e escrever livros.

Talvez me sentisse menos corrompida, mas certamente daria menos risadas.

Então, cá estou: devendo novamente para o plano de saúde, entre as dezenas de podcasts e colunas que invento, escolhendo, para esse espaço mais despretensioso e dominical, a pior (melhor) pergunta que me fizeram essa semana. E Maria Alice, necessariamente, precisava ganhar. A palavra “afliceta” reúne e resume boa parte da trajetória vívida e chorosa de uma mulher com vagina.

Claro que, para falar de afliceta, preciso recorrer a esse cenário mítico, angustiante, higienicamente inviável e solitário: o quarto de hotel.

O que sinto em quartos de hotéis merece ser estudado. A vontade extrema de voltar para casa o mais rápido possível, somada à vertigem eufórica de estar, enfim, livre e distante de tudo. A necessidade obsessiva de organizar documentos e afazeres (quem sou eu e o que vim fazer aqui?) somada ao estranho desejo de mudar meu nome, minha idade, orientação e profissão.

O nojo do controle remoto, do telefone, do cardápio, de qualquer coisa que o hóspede anterior tenha encostado enquanto estava deitado na cama (passo sempre álcool em tudo). E a certeza de que só estou tão enojada porque minha mente fica automaticamente imunda assim que fecho a porta do quarto de hotel.

Esses lugares já me complicaram um bocado. Posso trabalhar por 15 anos com alguém e não sentir nada. Mas se eu tiver que viajar com a pessoa, vou dar um jeito de seduzi-la quando o elevador chegar no meu andar. Mesmo que eu não perceba. Mesmo que não seja consciente. Mesmo que eu definitivamente não queira e deixe isso, verbalmente, bem claro. Mas algo em mim, sempre que estou sozinha e vou dormir em um quarto de hotel, brilha de forma bastante elétrica e convidativa.

Quartos de hotéis pegam o desenho de uma mulher séria, ocupada, mãe, dedicadíssima ao trabalho e o transformam em origami de pássaro.

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Tuitando, em 1980.

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Porque não li Ulysses

Dizem que os escritores são pessoas com defeito de fabricação. Por um enguiço qualquer, na infância ou pré-adolescência, o indivíduo passa a perceber o mundo de forma enviesada. Comigo aconteceu algo parecido. Enquanto meus coleguinhas de classe dirigiam a atenção aos outros coleguinhas de classe, eu tentava decifrar um livro: Ulysses, de James Joyce.

Ainda imberbe tive a desventura de achar a obra num sebo, em tradução de Antonio Houaiss, pelo Clube do Livro. Adquiri mais pela capa dura, e pelo custo-benefício, do que pelo conteúdo. Em tempos de mesadas curtas, comprava-se literatura assim, no atacado. De mais a mais, essa versão lembrava uma Bíblia. Tê-la em mãos faria avó e mãe julgarem que eu estava me ilustrando em espiritualidades, não em “pornografia” irlandesa.

Quando jovens, temos mais energia. Foi o que me fez pegar a melhor lapiseira e ir anotando todas as palavras que não compreendia no discurso joyceano. A primeira, nunca me esqueço, foi “blasonar”. Mal imaginava o que viria pela frente.

Permaneci focado na obra por dias e dias. Lamentavelmente, só suportei até a página 100. Estou certo, todavia, de que não foi desinteresse pela saga dos Bloom, mas interesse por alguma coleguinha de classe.

Após minha entrada no mundo do sensualismo, veio uma pausa de anos até que me aventurasse a desembrenhar Ulysses. Já adulto, com filhos, me dei de presente a tradução de Bernardina da Silveira Pinheiro. Dessa vez resolvi fazer barba, cabelo e bigode. Descolei um alentado guia de leitura de Ulysses. Já no primeiro capítulo, o autor recomendava que, para a boa apreensão do catatau, era preciso antes ler A divina comédia, Tristão e Isolda Hamlet, além de Retrato do artista quando jovem.

Coloquei Bernardina no fundo da gaveta. Só voltei à obra principal meses depois. Mesmo prenhe de tanta informação de algibeira, de novo o pesadelo: o caos linguístico, as digressões, os neologismos, tudo aquilo me entediava. Como encararia os brothers da Vila Madalena sem ter lido o maldito livro?

A impotência e a vergonha me levaram a pular todas as outras traduções em português pós-Bernardina.

Só sosseguei ao ler De quanta terra precisa um homem, de Tolstói.

O conto retrata o camponês Pakhóm, obcecado por obter mais e mais terras. Amplia sua propriedade, mas ainda insatisfeito, resolve adquirir terrenos num longínquo território. Lá é desafiado pelo chefe da aldeia: terá todo o chão que conseguir percorrer a pé durante um dia. Desde que, antes de o sol se pôr, retorne ao ponto de partida.

Resumindo a narrativa: Pakhóm correu tanto para descolar mais glebas que caiu morto na linha de chegada. O fecho é assim:

O criado pegou na pá, fez uma cova em que coubesse Pakhóm e meteu-o dentro; sete palmos de terra: não precisava de mais.

O que Pakhóm teria a ver com Joyce? Para mim, os sete palmos de terra não bastavam ao irlandês. Descontente com o que já conquistara, foi gerando tanto vozerio que acabou, além de cego, mudo.

*Carlos Castelo é jornalista e cofundador do grupo musical Língua de Trapo. É autor de 16 livros que vão de crônicas à poesia, e de aforismos a micronarrativas.

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Eu vi o tempo brincando

Não adianta, os mortos jamais nos abandonarão. Estamos condenados a conviver com eles todos os dias, na memória e nos sonhos, até que nós próprios partamos – por bala, susto ou vício – para o inevitável destino de gregos e troianos, lorpas e pascácios, o Vale de Sombras. Então os veremos todos, inclusive um monte de gente que não fazemos a menor idéia de quem se seja. Ou não veremos coisa alguma, já que defunto, por definição, não vê nada nem ninguém – bater com as dez significa terminar, extinguir-se, e quando fechamos os olhos a primeira coisa que a bicharada devora são os próprios, daí, suponho, a expressão ‘esses olhos que a terra há de comer’.

A avó Dina, por exemplo. Foi-se há 46 anos, mas quase todos os dias a vejo por aí, caminhando pela cidade, passeando pela Curitiba em que viveu por 54 anos, gordinha, sorridente e amorosa como ela só. Mês passado, ao circular pela Praça Rui Barbosa, onde ela morava num vistoso sobrado de frente para o Largo Alfredo Parodi, lá estava a Dina, recostada no balcão do alpendre, apreciando o vai e vem dos bondinhos elétricos. Num deles, diz a lenda, quem costumava descer nas imediações era o Dalton Trevisan, a caminho da olaria da família, logo acima, na Emiliano Perneta.

Eu tinha nascido naquela casa numa madrugada de 9 de fevereiro dos anos 50, de parto de parteira. E continuei voltando sempre, ela me chamava de ‘meu garoto de ouro’, sempre me dava um dinheirinho, era gostoso visitá-la, eu saía a pé lá do Rebouças e ia assobiando pelas ruas. Naquele tempo não havia violência nem nada, de forma que eu revia a avó, era coberto de beijos e presentinhos, e voltava para casa como quem vinha de uma festa.

No quintal irrompia, na direção do céu, uma pereira enorme que eu escalava para apanhar frutas, mas aproveitava para, lá do alto, ver a imagem da virgem negra dos polacos, à esquerda, embora a diversidade religiosa da família não fizesse daquele um programa obrigatório – adoravam-se todos os deuses naquela mansarda.

Estacionei o carro num ponto qualquer e resolvi entrar para matar a saudade. Será que a árvore continuava lá? Aquele raio de luz, vindo da igreja, que na minha infância parecia banhar precisamente aquele ponto da propriedade, teria se apagado?

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Musas

meu-tipo-inesquecível--sára-saudkováSára Saudková.  © Jan Saudek

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Fraga

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Valdemar crê em Michelle

Enrolada na investigação das joias doadas pela Arábia Saudita, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro será incluída nas pesquisas internas do PL para presidente da República de 2026.

Michelle nunca deixou de ser uma possibilidade para Valdemar Costa Neto, mesmo quando o marido pediu para que não a envolvesse numa eventual candidatura presidencial, como mostrou o Bastidor (aqui e aqui).

Para tentar dar um gás na aliada para as pesquisas, presidente do PL mulher, Valdemar vai aumentar o ritmo de viagens de Michelle pelo país e as idas a eventos políticos da legenda ou de aliados.

Valdemar continuará a dizer a aliados que o teste será só para leitura de conjuntura, porque ela continua a ser um nome para o Senado pelo Distrito Federal. É claro que tudo pode mudar a partir do que vier no levantamento – ou do escândalo das joias.

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Tiago Recchia, em algum lugar do passado.

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Aurora Morgenrot. ©Zishy

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