Vereador na praia e Kajuru no lombo

Dois vereadores de Jataizinho estão em bocas de matildes desde que participaram remotamente da sessão em que a câmara municipal votava aumento de subsídios. O problema não foi o voto remoto, nem fazê-lo na praia, trajados de sungas-coador de café, com explícita exibição dos volumes escrotais, sorvendo cerveja e caipiroscas e babando na contemplação de bundas brasílicas – estas, que colegas atacam mesmo em sessão solene na câmara municipal de São Paulo.

O casus belli decorreu de ser filmado. No Brasil, como no mundo, a aparência de correção esconde, suaviza e absolve a maior das patifarias. Quebra de decoro, desaforo explícito, logo entra um MP para aparecer e cassar os caras. Modus in rebus, como diria o senador Jorge Kajuru, que tatuou o ex-colega Álvaro Dias nas costas, situação que nós do Insulto consideramos explícita e escandalosa quebra de decoro – do tatuado, não do inspirador, há décadas zeloso de seu decoro.

Se a câmara autorizou voto remoto, é problema do regimento da câmara; não há prova de que os vereadores estivessem de porre quando votaram, pois normalmente fazem coisa pior quando sóbrios, como ofender as mães e assediar mulheres alheias, sem contar as rachadinhas, essa doença infantil e incurável dos vereadores – e alguns presidentes da república. Os respeitáveis edis atuaram premidos pelo prazo de atualizar os ganhos próprios e do prefeito. Uma saudável precaução para não se deixarem cair na tentação das rachadinhas.

Haveria material para despejar aqui a catadupa de coisas corriqueiras e cabeludas da prática legislativa. Até parece que os dois vereadores de Jataizinho votavam direto na zona. Não seria problema pois o vereador faria na profissional o que faz no povo. Se passassem cartão corporativo na moça para lançar a sacanagem em débito orçamentário, não haveria nada diferente do corriqueiro de comprar milhares de pães para um lanche individual.

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 50 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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