Concerto em homenagem a Paulo Leminski

 

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© César Marchesini

A Orquestra Sinfônica do Paraná apresenta na próxima quarta-feira (24/08), às 20h30, no Guairão, o concerto “Paulo Leminski – Canções e Poemas”. A data de abertura homenageia o nascimento do poeta (24 de agosto).

Com regência do maestro Alessandro Sangiorgi, o concerto terá participações de Estrela Leminski, Téo Ruiz, Ná Ozzetti, Rogéria Holtz e Aurea Leminski. O programa abre com a declamação da poesia Sintonia para Pressa e Presságio e segue com as canções e poemas Verdura, Se houver céu, Hoje tá tão bonito, A você amigo, Navio, Filho de Santa Maria, Polonaises, Live with me, Xixi nas Estrelas, Luzes, e Valeu. Todas as composições são do Leminski ou têm participação do poeta. Como parte das comemorações, na ocasião será lançado o LP duplo Leminskanções.

Leminski experimentou diversas linguagens artísticas. Faleceu aos 44 anos e deixou um grande legado na literatura e na música. Produziu cerca de 110 músicas, entre canções e parcerias, catalogadas em um livro de partituras recém-lançado. Nos anos 1980 estas composições foram gravadas por Caetano Veloso, Blindagem, A Cor do Som, Ney Matogrosso, Paulinho Boca de Cantor, Moraes Moreira, Itamar Assumpção e Ângela Maria.

O evento marca a abertura do “Mês da Literatura” que terá 11 escritores paranaenses percorrendo 25 municípios do interior do Estado. Cada autor visitará entre duas e três bibliotecas. Durante os encontros, os escritores, além de falar sobre suas próprias obras, também irão abordar assuntos como livro, leitura e formação de leitores.

 Entre os autores convidados, estão romancistas (Cristovão Tezza e Miguel Sanches Neto), autores infantojuvenis (Cléo Busatto), poetas (Rodrigo Garcia Lopes e Karen Debértolis), críticos (José Castello) e jovens autores (Marcos Peres). Um recorte plural da cena literária paranaense.

Serviço:Abertura do “Mês da Literatura” com concerto da Orquestra Sinfônica do Paraná “Paulo Leminski – Canções e Poemas” Regência: Alessandro Sangiorgi. Participações especiais: Estrela Leminski, Téo Ruiz, Ná Ozzetti, Rogéria Holtz e Aurea Leminski. Dia 24 de agosto, às 20h30. Auditório Bento Munhoz da Rocha Netto – Guairão. Classificação: maiores de 7 anos.

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Rema, rema!

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© Roberto José da Silva

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Paulo Leminski, 71 anos

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© Tiago Recchia

A obra de Paulo Leminski tem duas marcas principais: a força poética e a carga polêmica. Leminski teve uma visão crítica feroz da realidade. Não se limitava ao Paraná – não pode ser visto como um “poeta paranaense”: foi um cidadão do mundo. Sua obra dialoga com autores e ideias de procedências múltiplas. Esse diálogo a elas impõe uma espécie de tremor: Leminski – como as crianças curiosas – gostava de sacudir os pensamentos para descobrir o que transportavam dentro de si.

Foi um homem de espírito exaltado, mas essa exaltação, em vez de ferir sua força poética, a aumentou. Como todo polemista, transformou-se em um personagem da cultura. Não temos, portanto, só uma obra para analisar, mas um personagem para interpretar.

No aspecto do desempenho, teve uma força incomum. Ainda hoje sentimos os efeitos de suas sacudidelas e dos solavancos que provocou no meio das ideias prontas. Revista Ideias|154|Agosto|Travessa dos Editores

Jose_Castell - Matheus-DiasJosé Castello é escritor e crítico literário.Vive em Curitiba (PR).
Foto de Matheus Dias

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Desbunde!

 © Sara Saudková

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Gato Amarelo

garo-amarelo© Ricardo Silva

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Propaganda Eleitoral Gratuita

ninguémNinguém pode salvar este país! © Myskiciewicz

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Dezembro – 20 anos sem Marcos Prado

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Retícula sobre foto de Pablito Pereira

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Pau no Leminski

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© Fernandes

Conheci o Paulo Leminski em 1963. Eu, aluno do curso Abreu, me preparava para o vestibular de Direito, ele, professor de história e do que chamavam de cultura geral. Foi impressionante. A figura de cabe­los longos, voz um pouco rouca e uma retórica indestrutível desfiava a história da humanidade e questionava a cultura estabelecida e os modelos literários que considerava gastos. Beirava os 20 anos e parecia ter lido tudo, de Platão a Joyce, e no original. No intervalo entre as aulas, dissolvia nossas dúvidas de estudantes de latim. O vestibular de Direito, nessa época, exigia português, história, latim e outra língua. Ele parecia saber tudo o que se precisava saber para as quatro provas.

Minha vocação de jurista dissolveu-se como tantas outras vocações definitivas que tive. Minha vida encaminhou-se na militância política e minhas ideias sobre arte e literatura estiveram engessadas pelos dogmas da época. Leminski era um ruído questionador. Presente em todos os debates. Das ideias políticas à literatura. Do cinema à música popular. E eu creio que essa foi sua contribuição permanente à cidade e a todos nós. Seu permanente comportamento transgressor, inconformista, iconoclasta, não permitia o conforto do consensual. Sua avidez pelo conhecimento o levou a todas as experiências e a todos os territórios, inclusive aos mais destruidores.

Eu o reencontrei quando ele passava pelo pior momento, mesmo assim lúcido e desafiante em seu transe suicida. Mais que isso, o re­encontrei através da obra. Li o Catatau, a obra mais instigante já es­crita nesta área do planeta. E me pareceu ver ali vertido, em exercício de ficção e linguagem, todo o conhecimento que ele acumulou desde sempre, em incrível monólogo onírico de René Descartes em visita a Pernambuco no período holandês. O espanto do filósofo diante da natureza dos trópicos e dos costumes nativos. A falência da razão cartesiana. “Duvido se existo, quem sou eu se esse tamanduá existe?”, pergunta o filósofo. Reli o Catatau com Décio Pignatari, que comandou a preparação de sua edição pela Travessa dos Editores. Foi novo apren­dizado. Durante meses trocamos ideias sobre as fontes e as invenções de Leminski, para perceber toda a extensão de seu processo criativo e de seu conhecimento.

É, para mim, a sua grande obra. Não creio que a poesia de Leminski tenha alcançado o grau de complexidade e tensão criativa do Catatau. Ela passeia por outro terreno, da cultura pop, o que não me impede de gostar e muito de poemas e letras que criou, onde se percebe o mesmo espírito transgressor. Nada que se compare ao desafio de inteligência que o romance-ideia propõe e que o transforma em obra seminal. Cer­tamente de digestão difícil e pouco compreensível para quem a aborda com ânimo de leitor de .narrativas horizontais ou para quem simples­mente não lê e não gosta porque sabe que o Catatau é um exercício que constrange a mediania. Para estes, o gênio de Leminski criou o mote que ele fez inscrever nos muros da cidade: “Pau no Leminski”.

fabio-campanaFabio Campana|Revista Ideias 154|Agosto|Ano XI – © de Dico Kremer

11 de agosto – 2014

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Vale a pena ver de novo

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Disputa pela prefeitita de Curitiba. Da esquerda para a direita o candidato do PMN, Rafael Greca. © Myskiciewicz

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Flagrantes da vida real

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Foca Cruz, sempre entre elas. © Maringas Maciel

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Múltiplo

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Indignação de ocasião

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Os ministros do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes e Dias Toffolli conversam entre si. ©  Allan Marques|FolhaPress

BRASÍLIA – A crise entre o Ministério Público e o Supremo alcançou um novo patamar nesta terça (23). A água que esquentava desde o fim de semana atingiu o ponto de ebulição. Coube ao ministro Gilmar Mendes soprar o apito. Ele atacou os procuradores da Lava Jato, a quem acusou de vazar uma pré-delação para constranger o tribunal.

Gilmar abriu o verbo depois de a operação esbarrar na proximidade entre o empreiteiro Léo Pinheiro e o ministro Dias Toffoli. Ele sugeriu à colunista Mônica Bergamo que os procuradores seriam movidos a “delírios totalitários”. “Me parece que [eles] estão possuídos de um tipo de teoria absolutista de combate ao crime a qualquer preço”, afirmou.

Mais tarde, ao jornal “O Estado de S. Paulo”, o ministro disse que “é preciso colocar freios” nos investigadores, que se sentiriam “onipotentes”. Sem apresentar provas, ele disse que os procuradores “decidiram vazar a delação” para fazer um “acerto de contas” com seu colega.O procurador Rodrigo Janot aderiu ao bate-boca. Depois de suspender a delação sem explicar suas razões, ele disse que a menção a Toffoli teria sido inventada. Em seguida, num recado a Gilmar, questionou: “A Lava Jato está incomodando tanto? A quem e por quê?”

O ministro tem certa razão ao pedir que os procuradores calcem as “sandálias da humildade”, embora ele nunca tenha encontrado um par do seu número. Desde o início da Lava Jato, é comum ver investigadores exagerando na autopromoção e no ativismo político. No entanto, chama a atenção que Gilmar tenha resolvido protestar quando a operação ameaça atingir um de seus colegas.

Os ministros do Supremo merecem respeito, mas não podem ser tratados como indivíduos acima da lei. Em março, quando a Lava Jato divulgou gravação de Lula e Dilma Rousseff, Gilmar não manifestou a mesma indignação com o vazamento. Na época, o que importava para ele era discutir “o conteúdo” do grampo.

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Bernando Mello Franco – Folha de São Paulo

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Combate à corrupção

cadáver-insepultoUm cadáver insepulto, segundo os últimos acontecimentos. © Myskiciewicz

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Advogados dizem que propostas do MPF contra corrupção ‘deixam qualquer um de cabelo em pé’

As propostas de combate à corrupção defendidas pelo Ministério Público Federal e pelo juiz Sergio Moro, duramente atacadas pelo ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), mobilizam também advogados renomados do país. Reunidos no IDDD (Instituto de Defesa do Direito de Defesa), eles pretendem levar documentos a Brasília para fazer contraponto a teses dos procuradores.

LIVRO

O advogado Fabio Tofic Simantob, presidente da entidade, diz que cada uma das dez medidas propostas estão sendo examinadas. A entidade, fundada pelo ex-ministro Marcio Thomaz Bastos, estaria também preparando um estudo com “a opinião de professores, inclusive estrangeiros, para entender como é a experiência internacional” no tema.

ARTILHARIA

Uma das ideias já merece a repulsa de advogados: a que defende que provas obtidas de forma ilícita sejam consideradas válidas se “o agente público houver obtido a prova de boa-fé ou por erro escusável”. Tofic Simantob diz que “esse salvo-conduto para agente estatal cometer ilegalidades é de deixar qualquer um de cabelo em pé”. E segue: “Se o primeiro pacote de propostas diz isso, eu fico imaginando o que mais pode vir por aí”.

ARTILHARIA 2

A mesma proposta foi definida pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo, como “delírio totalitário” dos procuradores do Ministério Público, que estariam “possuídos de um tipo de teoria absolutista de combate ao crime a qualquer preço”.

NADA A DECLARAR

A assessoria do Ministério Público Federal do Paraná, que lidera campanha e já coletou 2 milhões de assinaturas no país de apoio às propostas, afirmou que os procuradores não fariam “comentários sobre o assunto”.

TRANQUILÃO

A calma de Celso Russomanno (PRB-SP) no debate da TV Bandeirantes, na segunda (22), fez surgirem comentários na plateia de que ele poderia ter tomado um calmante para enfrentar as discussões. “Imagina! Eu sou assim mesmo”, diz ele. “As pessoas me veem bravo na televisão e não têm ideia de que sou muito tranquilo”, afirma.

BIKE

O segredo, diz ele, é praticar “muito esporte”. Russomanno montou uma academia em casa com mais de 20 equipamentos. Malha até uma hora e meia por dia, pedala e faz karatê. “Eu já fiz testes, eu tenho idade real de 60 anos e idade cronológica de 48 anos”, revela.

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Mônica Bergamo – Folha de São Paulo

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Vale a pena ver de novo

capa-completa-bandido-fundo-CINZA-FINALCapa que fiz para a biografia de Paulo Leminski, O Bandido Que Sabia Latim, de Toninho Vaz, para a editora Nossa Cultura, não autorizada, craro, cróvis.

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Caretiba

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Rita Pavão. 1953|2006.  © Alberto Melo Viana

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Um engenheiro civil que virou Ministro da Saúde

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Três em um

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Solda (© Orlando Pedroso), Retta Rettamozo (© Vera Solda) e Paulo Leminski (© Lina Faria).

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Múltipolaco

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Autores Domingos Pellegrini e Toninho Vaz são execrados pela família de Paulo Leminski

leminksi não autorizadoFamília contesta questiona a fidelidade dele “à memória daquele que considerava amigo”. © Myskiciewicz

Utilizando-se às vezes de artifícios da obra mais experimental do poeta Paulo Leminski, Catatau (1975), e estabelecendo um paralelo entre a própria história de vida e a de Leminski (além de recorrer a uma espécie de recurso “mediúnico”), o escritor Domingos Pellegrini gestou um livro que, embora não deixe de ser uma biografia, vai além do gênero. É como se fosse uma transbiografia.

Minhas Lembranças de Leminski chega às livrarias 25 anos após a morte de Leminski, num momento em que a obra do artista atinge impressionante celebridade – 200 mil visitantes viram a mostra Múltiplo Leminski, em Curitiba; a exposição Ocupações Paulo Leminski do Itaú Cultural (2009), com curadoria de Ademir Assunção, foi um dos destaques culturais daquele ano; e o volume Toda Poesia (Companhia das Letras) chegou a bater best-sellers importados, como 50 Tons de Cinza.

Nos anos 1980, havia um grafite famoso no muro da Universidade Federal do Paraná: “Pau no Leminski!”. A inscrição é bastante atual hoje: o livro de Pellegrini chega num cenário em que um cruel paradoxo se desenha: apesar de toda a badalação, para se escrever sobre Leminski, um libertário, os autores encontram um paredão de censura prévia, exercida pela família.

Pellegrini (de Londrina, cidade cujos cidadãos natos costumavam ser chamados de Pés Vermelhos) desfrutou da amizade de Leminski (de Curitiba, de origem polonesa, ou polaco), a partir do início dos anos 1970. Morou com ele em São Paulo, durante investida de Leminski para conquistar o mundo pop, tempo em que tomavam quatro garrafas de vodca dupla e depois o poeta mascava bala de hortelã, “por via das dúvidas”.

Além do senso de humor, a iconoclastia militante, a profunda erudição sem vaidade e as aparentes contradições bem resolvidas, o próprio processo de produção poético de Leminski é analisado pelo amigo, que confessa não partilhar de certos gostos do autor – como, por exemplo, a admiração pelo concretismo.

Pellegrini divide Leminski em dois: um pop, com uma estratégia de divulgação pessoal calcada na poesia acessível e numa mitologia pessoal, e o intelectual, contido especialmente em sua obra em prosa, como os Ensaios Crípticos e o Catatau.

A saga alcoólica de Leminski, o Polaco, aparece com grande impacto no livro de Pellegrini, o Pé Vermelho. “E, finalmente, o último golpe líquido que me liquidou foi a hemorragia esofágica. É tanto sangue que sai da boca em jorro. (…) Vi, sim, o jorro vermelho ir bater lá na parede, tanto sangue que deixava claro não ter importância saber se era venal ou arterial, claro era tanto que tanto que faria falta fatal.”

O autor tentou submeter seu trabalho à família de Leminski, mas houve objeções para que tivesse o trabalho publicado. Ele não aceitou e publicou assim mesmo – inicialmente, dispôs o livro na internet. Pellegrini diz que não teme submeter o caso à Justiça, pois crê que “todo juiz verá que é um livro fraterno, digno e criativamente coerente com Leminski”.

Pellegrini vai ao confronto aberto: publica no final do livro a correspondência trocada com a poeta Alice Ruiz, viúva de Leminski. Ela questiona a fidelidade dele à memória daquele que considerava amigo.

“A ênfase no álcool, sua leitura de uma ‘precariedade’ de bens em nossa casa (você nunca ouviu falar em contracultura?), as observações exageradas sobre ‘falta de banho’, que corresponde a um período dos maiores excessos, mas que foi superada, enfim, tudo isso serve para criar uma imagem bem negativa do Paulo em contraponto à sua, que aparece como o interlocutor por excelência e cheio das qualidades que supostamente ‘faltavam’ a ele”, escreve Alice.

Pellegrini responde que não se submeteria a fazer uma biografia “chapa-branca” (um conceito jornalístico aplicado a narrativas que bajulam o seu objeto de análise) do autor.

A saga de Pellegrini repete a do escritor Toninho Vaz, que publicou O Bandido Que Sabia Latim (Editora Record, 2001), que estava indo para a 4.ª edição quando foi interditado judicialmente pela família. “O livro está parado, aguardando a votação no Congresso para liberar-se da censura familiar. Continuo censurado, aguardando”, afirmou ontem Toninho Vaz, que entrou com uma ação questionando os motivos da família. A primeira audiência está marcada para este mês, no Fórum do Rio.

O problema foi que Toninho Vaz atualizou a sua biografia de Leminski. Ele incluiu o seguinte trecho, que foi considerado “sórdido” pela família e descrevia uma cena do cotidiano de Pedro Leminski, irmão do poeta. “(Carlos Augusto Oliveira, o Caco, era vizinho de quarto e um dos últimos amigos de Pedro. Ele afirma ter visto Pedro, dias antes, bastante descontrolado, consumindo uma mistura de álcool, água e limão; cigarro de todos os tipos e drogas injetáveis. Pedro frequentava as madrugadas da pracinha ao lado do cemitério municipal, onde agora existia uma pista adaptada para skatistas. É de Caco também a informação de que Pedro, nesses últimos dias, estava lendo o livro Elogio à Loucura, de Erasmo de Roterdã, numa tradução de Stephan Zweig).”

Minhas Lembranças de Leminski
Autor: Domingos Pellegrini

Editora: Geração Editorial (200 págs., R$ 34,90)

Maio, 2014 – O Estado de São Paulo

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Herrar é umano (Paulo Leminski)

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