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Sem fumar, espero

smoke101© Stefano Bonazzi

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Vale a pena ver de novo

© Ricardo Silva

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Araucária Angustifólia

taça de luz o caralho
pinheiro espinha ninho
pinha não é pra bico de passarinho
só gralha se empoleira no seu galho

a mais mau caráter das plantas
prepondera sobre as gramas ralas
e acha as outras todas palhas
por que além de si vicejam tantas?

não há vento que alise sua carapinha
pinheiro não dá sombra pra ninguém
suas iras fincam raízes na vizinha

a árvore casca grossa desde o gen
nega fogo se for palito de caixinha
será o diabo se houver vida vegetal no além

(Sérgio Viralobos e Marcos Prado)

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Flagrantes da vida real

Fumando, espero.  © Maringas Maciel

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Gente detergente

Peraí, eu ser feliz e gostar de barcos é o meu ofício!

Eu fico aqui meio pasma com a capacidade das pessoas para inventar profissões que eu, talvez por estar ficando velha ou por já ser velha, custo muitíssimo a acreditar que existam.

Por exemplo, a profissão “lifestyle”. A moça nasceu em uma família na qual a vovó sabia perfeitamente a ocasião de usar a louça margão, e a mamãe sempre teve facilidade para discernir entre um quarto de hotel com vista para o mar e outro voltado para um telhado com pombas cagando. Então, a herdeira de tamanho berço cultural, que dorme de conchinha com o zeitgeist, resolve escarrar na cara deste Brasil sua PERSONALIDADE e pensa: “Peraí, eu ser feliz e gostar de barcos é o meu ofício! Eu combinar meu pensamento positivo com vestidos mídi DEVE ser uma marca!”.

Eu venho de uma geração em que todo mundo queria trabalhar com publicidade, porque era cool criar para detergentes. Mas a geração atual não apenas deseja ser o detergente como ainda se leva a sério por isso. Não à toa o país elegeu uma anta que pretende acabar com universidades e com todas as formas de produzirmos e admirarmos artes de qualquer tipo. O lance é se tornar um tênis importado (o branco é tendência) e se achar bem foda pelo feito.

Outra coisa que não compreendo é a modinha da profissão-doença. A pessoa um dia descobre uma alergia a glúten ou quebra o pé na rua e age como se tivesse acabado de passar em uma entrevista de emprego. Na era do “sou um produto, patrocine minha existência”, o “enfermo” vê uma oportunidade de marketing e começa a se vender nas redes sociais como um detergente que não limpa direito ou que está com a tampinha quebrada.

Desculpa, mas eu não suporto mais a profissão-mãe ou profissão-pai. Por que cacete você acha que só porque acorda de madrugada para dar leite a uma criança merece ter um patrocinador? Se a pessoa chega aos 30 e muitos sem ter a menor noção do que fazer para monetizar uma competência, não deveria achar que trocar fralda é uma oportunidade de mercado. Claro que eu uso a maternidade e o casamento e minha experiência como filha e amiga e até mesmo uma ida ao cartório para ter ideias de textos —mas aí o job é a escrita, é o que eu faço a partir do que penso e experiencio, e não a minha vida. Escrever sobre minha filha é diferente de ela soltar um pum e eu ligar para a Luftal indignada porque eles não souberam aproveitar essa grande chance. O movimento peristáltico do meu bebê não é comercial.

Eu fico chocada com a profissão-tenho-vagina, a profissão-tenho-cônjuge, a profissão-feminista. Se você usa a sua influência para criar uma lei que proteja as mulheres, escreve um stand-up sobre os perrengues de uma relação ou arregaça contra os machistas em frases e falas elucidativas, isso é aproveitar a internet para ter um emprego. Mas se você faz foto com beicinho, escreve na legenda “é foda ser mulher” e chama isso de conteúdo, eu só posso te desejar uma chuva de meteoros.

E o que dizer dos curadores de porra nenhuma? Meu Deus! Já percebeu como tem gente que posta um calcanhar desfocado com uma taça ao fundo e diz que é curador? Curador do quê, meu anjo? Você seleciona tudo o que tem de mais ridículo e nos presenteia com a sua nulidade? Você passa o dia separando suas piores ideias para fazer uma exposição chamada “Não Sirvo pra Porra Nenhuma”?

Perdão se este texto está ranzinza, se você não concorda com nada do que escrevi, se eu sou década de 80 demais para sua cabeça, mas pelo menos isto aqui ainda é um emprego.

Publicado em Tati Bernardi - Folha de São Paulo | Com a tag , | Deixar um comentário
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Assim nasceu, viveu e morreu o Nicolau – V

Paulo Roberto Ferreira Motta é advogado, procurador do Estado e foi chefe de gabinete do então Secretário da Cultura René Dotti.

As críticas, embora retumbavam, eram inteiramente injustas. É só passar os olhos pelas edições do Nicolau e ver os nomes que colaboravam com o melhor jornal cultural, não do Brasil (como sonhava Wilson Bueno), mas da América, para ver o despropósito delas e as inverdades que eram assacadas contra ele. Manfredini lembra que o Nicolau fez um levantamento e o número dos colaboradores ultrapassava a casa de 1.500 pessoas.

Com os nomes a seguir é possível constatar a baixeza das críticas. Tinha gente de todos os credos e crenças. Quanto aos clássicos do Paraná, lá estavam Dario Velozzo, Emiliano Perneta e Emílio de Menezes. Só na letra A, é possível ver que o Nicolau ia de Austregésilo de Athayde (eterno presidente da Academia Brasileira de Letras; ficou mais tempo no poder na ABL do que Fidel Castro em Cuba) a Arnaldo Antunes e Arrigo Barnabé. Trazia gente do Paraná inteiro. Na política publicava Álvaro Dias, Roberto Requião e Rafael Greca (que, como porta-voz dos inimigos do jornal, publicou um artigo no Nicolau espinafrando a publicação). Até o Helmut Kohl, chanceler que comandou a reunificação das Alemanhas, teve um texto publicado, explicando como ia a coisa por lá. Perla Melcherts, que conheci menina, eis que colega de turma da minha irmã no Colégio Medianeira, estagiava no jornal e conseguiu uma entrevista exclusiva com o Prêmio Nobel da Paz, Adolfo Perez Esquivel. Abria espaço para o Roberto Campos, o Bob Fields, e o Luís Carlos Prestes. Ao mesmo tempo em que publicava um texto do Janer Cristaldo, analisando e comemorando a queda do Muro de Berlim, pedia uma colaboração ao Manfredini que saudava a Albânia, a última resistência ao capitalismo na Europa. Ligado em psicanálise, o Bueno pautava Freud, Jung e Lacan, e eles apareciam, como novas traduções de gente que ele sabia onde localizar. Um dia, convocou o Galileu Galilei. Como o Papa São João Paulo II ainda não havia reconhecido o erro brutal da Igreja com o citado personagem, Wilson resolveu se resguardar espiritualmente e pediu uma colaboração para Santa Tereza D´Ávila e outra ao Padre Antônio Vieira. A santinha, doutora da Igreja, proclamada pelo papa Santo Paulo VI, mandou a sua. O citado padre, um dos seus famosos sermões. Joel Silveira e Rubem Braga, da velha guarda do jornalismo nacional, apareceram também. Praticamente começando a carreira a gente encontra no Nicolau o Pedro Bial (escrevendo sobre o próprio Nicolau) e o William Bonner. Até o Ariel Palácios pintou nas páginas do mesmo.

Segue uma lista parcial, mas gigantesca, do verdadeiro esquadrão de ouro que o Wilson Bueno, como prometera, montou. Ninguém ganhava nada para escrever, desenhar ou fotografar para o Nicolau:

Abrão Assad, Adalice Araújo, Adélia Lopes, Adélia Prado, Ademar Guerra, Ademir Assunção, Adherbal Fortes Júnior, Adolfo Pérez Esquivel, Adolpho Mariano da Costa, Albert Einstein, Alberto Cardoso, Alberto Massuda, Alberto Melo Viana, Alberto Moravia, Alberto Puppi, Alceo Bochino, Alceu Chichorro, Alcino Leite Neto, Alejo Carpentier, Alice Ruiz, Aluízio Cherobim, Álvaro Borges, Álvaro Dias, Ana Cristina César, Ana Maria Botafogo, Anäis Nin, Anamaria Filizola, Anita Malfatti, Anita Novinsky, Antônio Gaudi, Antônio Houaiss, Antônio Torres, Araken Távora, Aramis Chaim, Aramis Millarch, Ariel Palácios, Armindo Trevisan, Arnaldo Antunes, Aroldo Murá, Arrigo Barnabé, Arthur Rimbaud, Ary Fontoura, Augusto de Campos, Augusto Roa Bastos, Aurélio Buarque de Hollanda, Austregésilo de Athayde, Bárbara Heliodora, Bella Josef, Benedito Pires, Bento Mossurunga, Bertolt Brecht, Beto Carminatti, Bóris Schnaiderman, Bruna Lombardi, Bussunda, Caco de Paula, Caio Fernando Abreu, Cambé, Camões, Carl Gustav Jung, Carlos Chagas, Carlos Drummond de Andrade, Carlos Marés, Carlos Nejar, Cassiana Lacerda Carollo, Catulo, Celina Alvetti, Celso Loch (Pirata), César Lattes, Chacal, Chaim Samuel Katz, Charles Baudelaire, Cid Destefani, Cláudio Seto, Constantino Viaro, Cristina Gebram, Cristóvão Tezza, Dalton Trevisan, Dalva Ventura, Dante Alighieri, Dante Mendonça, Dario Vellozo, David Carneiro, Décio Pignatari, Deonísio da Silva, Dimas Floriani, Dinah Ribas Pinheiro, Dino Almeida, Domingos Pellegrini, Doris Giesse, Douglas Haquim, E. E. Cummings, Edgar Allan Poe, Edgar Iamagami, Edilberto Coutinho, Eduardo Mascarenhas, Eduardo Sganzerla, Edwino Tempski, Eleonora Greca, Eliane Prolik, Elifas Andreato, Elvo Benito Damo, Emiliano Perneta, Emilio de Menezes, Ênio Silveira, Eno Teodoro Wanke, Eny Carbonar, Ernani Buchmann, Ernani Reichmann, Ernani Simas Alves, Ernani Só, Euclides da Cunha, Euclides Scalco,  Fernando Pessoa, Fernando Sabino, Fernando Severo, Ferreira Gullar, Florbela Espanca, Fortuna, Francisco Bettega Netto, Francisco Brito de Lacerda, Francisco Camargo, Francisco Madariaga, Friedrich Hölderlin, Gabriela Mistral, Galileu Galilei, Geraldo Leão, Gertrude Stein, Gilberto Dimenstein, Gilberto Gil, Gilda Poli, Gilles Deleuze, Glauco Mattoso, Guilhermo Cabrera Infante, Guinski, Guto Lacaz, Hans Staden, Haraton Maravalhas, Haroldo de Campos, Hector Babenco, Helena Katz, Helena Kolody, Hélio de Freitas Puglielli, Hélio Jaguaribe, Hélio Leite, Hélio Leites, Hélio Oiticica, Hélio Teixeira, Helmut Kohl, Henrique de Aragão, Henrique Morozowicz, Henry Thorau, Herbert Daniel, Herbert de Souza (Betinho), Hermínio Bello de Carvalho, Hilda Hilst, Hugo Mengarelli, Iberê Camargo, Itamar Assumpção, Ivan Schmidt, Ivens Fontoura, Jacques Lacan, Jaime Lechinski, Jair Mendes, James Joyce, Jamil Snege, Janer Cristaldo, Jaques Brand, Jean Genet, João Antônio, João Bosco, João Cabral de Mello Neto, João Manoel Simões, João Perci Schiavon, João Silvério Trevisan, João Urban, Joel Silveira, John Keats, Jorge Luis Borges, Jorge Mautner, José Augusto Ribeiro, José Carlos Capinam, José Celso Martinez Corrêa, José J. Veiga, José Joffily, José Lino Grunewald, José Maria Cançado, José Maria Santos, José Miguel Wisnik, José Paulo Paes, José Penalva, José Ramos Tinhorão, Josely Vianna Baptista, Jotabê Medeiros, Juarez Machado, Jurandir Costa Freire, Kafka, Kazuo Ohno, Key Imaguire Júnior, Laertes Munhoz, Lao-Tsé, Laurentino Gomes, Lautrèamont, Lêdo Ivo, Leila Pugnaloni, Lélio Sotto Maior Júnior, Léo Gílson Ribeiro, Leopoldo Scherner, Lewis Carrol, Leyla Perrone Moisés, Lezama Lima, Lívio Abramo, Lúcia Santaella, Lúcio Cardoso, Luís Carlos Prestes, Luís Fernando Veríssimo, Luiz Carlos Rettamozo, Luiz Geraldo Mazza, Luiz Groff, Luiz Manfredini, Luiz Melo, Luiz Pinguelli Rosa, Lya Luft, Lygia Fagundes Telles, Macacheira, Machado de Assis, Mallarmé, Malu Maranhão, Manoel Carlos Karam, Manoel de Barros, Manuel Bandeira, Marcelo Jugend, Márcio Souza, Marcos Rey, Maria Cecília Noronha, Maria Cristina de Andrade Vieira, Maria Lambros Comninos, Maria Rita Kehl, Marilú Silveira, Marina Tsvetáeva, Marinho Galera, Mário Bortolotto, Mário de Andrade (o do Macunaíma mesmo), Mário Prata, Mário Quintana, Mário Stasiak, Marta Morais da Costa, Mary Allegretti, Maurício Kubrusly, Maurício Távora, Maury Rodrigues da Cruz, Meredith Monk, Miguel Bakun, Miguel Reale Júnior, Miguel Sanches Neto, Mikhail Bakhtin, Millôr Fernandes, Milton Carneiro, Milton Hatoum, Milton Ivan Heller, Miran, Moacir Amâncio, Moacyr Scliar, Modesto Carone, Monteiro Lobato, Moysés Paciornik, Murilo Mendes, Murilo Rubião, Nailor Marques Júnior, Nair de Tefé, Nélida Piñon, Nélson Ascher, Nélson Capucho, Nélson Farias de Barros, Nélson Padrella, Nélson Werneck Sodré, Nelton Friedrich, Newton Freire-Maia, Newton Rodrigues, Newton Stadler de Souza, Nilson Monteiro, Nitis Jacon, Nivaldo Lopes, Norberto Irusta, Nuevo Baby, Octávio Paz, Odelair Rodrigues, Olga Savary, Oraci Gemba, Orlando Azevedo, Orlando da Silva, Osman Lins, Oswaldo Jansen, Otávio Duarte, Otto Lara Resende, Pablo Picasso, Padre Antônio Vieira, Paulo Autran, Paulo Francis, Paulo Leminski, Paulo Venturelli, Pedro Bial, Pedro Nava, Plínio Doyle, Poty, Pushkin, Rachel de Queiroz, Rafael Greca de Macedo, Rainier Maria Rilke, Régis Bonvincino, Reinoldo Atem, René Ariel Dotti, Reynaldo Jardim, Rita de Cássia Solieri Brandt, Roberto Campos, Roberto Drummond, Roberto Figurelli, Roberto Freire (o escritor, não o político), Roberto Gomes, Roberto Muggiati, Roberto Requião, Rocha Pombo, Rodrigo Garcia Lopes, Rogério Dias, Ronaldo de Freitas Mourão, Rosana Bond, Rubem Braga, Rui Werneck de Capistrano, Ruth Bolognese, Ruy Wachowicz, Sábato Magaldi, Samuel Guimarães da Costa, Sansores França, Santa Tereza D´Avila, Sebastião Salgado, Sebastião Uchoa Leite, Sérgio Augusto, Sérgio Bianchi, Sérgio Rubens Sóssella, Sérgio Sade, Serguei Essênin, Seto, Sigmund Freud, Solda, Sousândrade, Sylvia Plath, Sylvio Back, Tato Taborda, Teixeira Coelho, Teófilo Bacha Filho, Thadeu Wojciechoeski, Toni Negri, Toni Ramos, Toninho Martins Vaz, Torquato Neto, Ubaldo Puppi, Ungaretti, Valêncio Xavier, Valério Hoerner Júnior, Valfrido Piloto, Vera Maria Biscaia Vianna Baptista, Vladimir Maiakovski, Wally Salomão, Walmir Ayala, Walmor Marcellino, Walt Wittman, Walter Benjamin, Will Eisner, William Bonner, William Shakespeare, Wilma Slomp, Wilson Bueno, Wilson Martins, Wim Wenders, Wolfgang Amadeus Mozart, Woody Allen, Zeca Corrêa Leite e Zuenir Ventura.

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Sonhos

Tem uma história antiga que se refere a um desses monumentos da humanidade, não lembro se era sobre Matchu Pitchu ou a Esfinge de Gizé; alguma coisa gigantesca e enigmática.  Quando os exploradores europeus chegaram lá, séculos atrás, perguntaram às tribos que moravam perto: “O que é aquilo?”.  Os nativos olharam com uma cara de quem estava vendo a tal coisa pela primeira vez e responderam: “Pois é, que coisa estranha aquilo, o que será?”.  Era um resíduo cultural dos antepassados deles, eles a viam diariamente quando iam levar os camelos para beber água ou coisa parecida, e não tinham parado para imaginar o que era.

Assim somos nós com grande parte das coisas importantes da nossa vida.  Por exemplo, digamos que amanhã desembarque na Terra uma frota de espaçonaves cheias de psicólogos alienígenas que falem português (tá bom, vá lá, que falem inglês, que é mais disseminado).  E que eles nos perguntem: “O que é o sonho?  Lá no nosso planeta, quem dorme apaga.  Aqui, vocês dormem e ficam pensando maluquices, como quem tomou LSD.  Que diabo é isso?”  Não saberíamos responder.  Temos 258 teorias para explicar o sonho, o que equivale a não ter nenhuma.

A teoria mais recente é do dr. Rodolfo Llinás, um neurologista e fisiologista da New York University. Diz ele: “O sonho não é um estado mental paralelo, mas é a consciência propriamente dita, na ausência de estímulos fornecidos pelos sentidos”. Em seu livro “I of the Vortex: from Neurons to Self” (M.I.T., 2001) ele diz que quando as pessoas estão despertas a mente compara automaticamente essas imagens do sonho com o que vê, ouve e sente – os sonhos são corrigidos pelos sentidos.  Ou seja: se entendi bem, a mente está o tempo inteiro processando situações, inventando-as, manipulando imagens, fazendo associações de idéias, mas o que ela faz é constantemente interferido pelos sentidos, pelo fato de que estamos acordados, cercados de outras pessoas que nos dizem coisas, nos mandam fazer isso ou aquilo.  Somos forçados a pensar socialmente, pensar em conjunto, e isto cria um superego de obrigações e compromissos coletivos.

A loucura poderia ser algum desarranjo em que o “input” sensorial deixa de prevalecer sobre o caldeirão borbulhante da mente-em-si. Experiências com LSD seriam um modo artificial de produzir algo semelhante.  Quando dormimos, a mente consegue trabalhar em paz, de acordo com suas próprias regras, sem ter que ficar dialogando com o mundo material.  Já foram feitas experiências em que voluntários num laboratório foram impedidos de dormir.  Depois de 3 ou 4 dias eles começam a sonhar acordados.  O sistema sensorial afrouxa, enfraquece – e a mente crua toma conta.

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Playboy|1960

1964|Jo Collins. Playboy Centerfold

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Portrait

© Hendrik Kerstens

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“Bolsonaro não pode dizer: ‘Eu não sabia que seria assim'”

Jair Bolsonaro negligenciou a epidemia de Covid-19 – e seus 140 mil mortos – de forma premeditada. Luiz Henrique Mandetta disse para a Folha de S. Paulo: “O presidente tem uma característica, não só em relação à saúde, mas de forma geral: ele decide com as informações que ele valida. Ele tinha um entorno próximo dele que deu para ele outra visão da epidemia.

Lembro das falas do Osmar Terra, da reunião que fez com a médica de São Paulo. Ele vai afastando quem está fora do seu viés político. Não é uma característica dele se envolver com a parte técnica.

Naquela época o Brasil chegou a quase zero de máscaras. Precisávamos baixar uma norma nacional para proteger o sistema de saúde. Eu tentava explicar isso, mas era sempre muito atropelado por essa certeza de que ‘preciso ver a economia’, ‘precisa voltar a andar e passar logo por isso’ (…).

Apresentei todos os números, mas ele tinha pessoas no entorno dele que mostravam outro cenário. E, como tinha uma assessoria paralela que falava o que se queria escutar, ele embarcou. Ele fez uma decisão não irracional, pensada. Ele não pode dizer: ‘Eu não sabia que seria assim’. Sempre deixei muito claro para ele a gravidade dessa doença.”

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Elas

Soledad Villamil, atriz e cantora argentina. Em 2009, participou do filme “O segredo dos seus olhos”, vencedor do Oscar de filme estrangeiro. © Reuters

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Zé da Silva

Vi um enorme saco plástico azul saindo pelo corredor. Fotografei com a mente, porque a câmera estava na mão e, por algum motivo, não apertei o disparador. Há muito tempo alguém me disse isso – e ficou. Em alguns momentos o melhor é apenas olhar. Por isso nunca me arrependi de não ter nem o celular à mão – e ter visto um imenso sol vermelho sobre os telhados de Paris num fim de tarde.

São meus estes momentos. Um triste, porque havia um corpo dentro do azul. Outro de felicidade, que completou o fato de estar ali na cidade que é. Recentemente um pedacinho de arco-íris, produzido pela cortina da cozinha, fez pequena paleta de cores numa lajota do piso. Registrei. Como se fosse ali o pote. E era. Pois é aqui onde vivo e onde conto histórias.

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Tempo

© Kai Pfaffenbach|Reuters

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Dita Vettone. © Zishy

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