Bolsonaro volta a participar de manifestação em Brasília

Jair Bolsonaro voltou a participar de uma manifestação pró-governo na Esplanada dos Ministérios. Sem usar máscara, o presidente caminhou a pé rumo à concentração de manifestantes, que o receberam aos gritos de “mito”.

Acompanhado do deputado Hélio Lopes e do filho Flávio Bolsonaro, ele caminhou ao longo de uma grade que o separava de apoiadores. Apesar da distância da cerca, Bolsonaro cumprimentou simpatizantes e chegou a carregar uma criança no colo. Desta vez, a imprensa não foi autorizada a acompanhar a manifestação de perto.

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Tempo

Assionara Souza, Renata Mele e Vera Solda, no Original Beto Batata, em algum lugar do passado. Foto do cartunista que vos digita.

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Flagrantes da vida real

michelle-pucci-20“Que ilha você levaria para um livro deserto?” (Assionara Souza). Michelle Pucci. © Maringas Maciel

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Livros para a ilha deserta

Que cada um faça sua lista —a ilha é grande o bastante para todos nós

Numa entrevista coletiva de Jorge Luís Borges em São Paulo, em 1984, de que participei pela Folha, achei que ele estava meio entediado com as perguntas sobre sonhos, pesadelos, labirintos e outras fixações de seu universo. Decidi então baixar o nível e, na minha vez, perguntei-lhe que livro ele levaria para uma ilha deserta. Borges abriu um sorriso e respondeu: “As ‘Mil e Uma Noites‘!”.

Hoje, amigos querem saber que livros levaria eu para a dita ilha. Tento escapar dizendo que, se tivesse uma lista, ela não os satisfaria e, em vez de fazerem as deles, prefeririam apontar as lacunas da minha. E mais ainda porque, para não despertar a antipatia dos ilhéus, eu deixaria para trás os pesos-pesados, de Homero a Joyce e de Dante a Proust. Brazucas e portugas também ficariam numa lista à parte. Mas os amigos insistiram e, dito isso, comecei a empacotar.

Eu levaria “Frankenstein”, de Mary Shelley. “Os Três Mosqueteiros”, de Alexandre Dumas. As duas “Alices”, de Lewis Carroll. “A Ilha do Tesouro”, de Robert Louis Stevenson. “Ela” e “Ayesha — A Volta de Ela”, de H. Rider Haggard. “Às Avessas”, de J. K. Huysmans. “A Ilha do Dr. Moreau”, de H.G. Wells. “A Mulher e o Fantoche”, de Pierre Louÿs. “As Aventuras de Sherlock Holmes”, de Conan Doyle. “De Profundis”, de Oscar Wilde. “Os 39 Degraus”, de John Buchan. “A Agulha Oca”, de Maurice Leblanc.

“Com o Diabo no Corpo”, de Raymond Radiguet. “O Bravo Soldado Svejk”, de Jaroslav Haŝek. “Os Homens Preferem as Louras”, de Anita Loos. “A Guerra das Salamandras”, de Karel Ĉapek. “Big Loura”, de Dorothy Parker. “Obrigado, Jeeves”, de P. G. Wodehouse. “Sete Contos Góticos”, de Isak Dinesen. “O Zero e o Infinito”, de Arthur Koestler. “O Sono Eterno”, de Raymond Chandler. “O Pequeno Mundo de Dom Camilo”, de Giovanni Guareschi. “Lolita”, de Vladimir Nabokov.

Além de meus gibis de “Mandrake” dos anos 50, claro. E talvez a Bíblia.

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Marcos Prado

© Pablito Pereira

O Marcos Prado era curitibano – pobre e beberrão. Imaginem o inferno que foi viver justamente na cidade mais conservadora do sul do cu do mundo. Aqui, para viver, artista tem que pedir por favor. Cidade má para com seus mais dotados, só dá valor quando o sujeito morre ou prestes a ir para o bico do corvo. Mas o Marcos não estava nem aí para essa cambada sem alma.

E escolheu, entre as muitas, a Curitiba que amava. Viveu como um dândi. E a mulherada fazia fila para entrar debaixo do seu cobertor. Genial, polêmico, Marcos Prado tinha um parceiro em cada canto. Ele, o canalha perfeito, capaz de fazer qualquer um rir a noite inteira e nem perceber que acabava pagando toda a bebida.

Tudo a seu redor respirava uma atmosfera de poesia e encantamento. Ébrio ou sóbrio, levou a vida além dos limites. E riu como poucos riram da mediocridade curitibana. Bebedor voraz, fumante insaciável, poeta em tempo integral. Prado é destes poetas que tiveram a coragem (ou imprudência?) de impregnar a chama eterna da poesia que tanto amava com os fragmentos descartáveis da vida. Clássico contemporâneo, lírico cibernético, épico barroco?

Ei-lo, inteiro, o nosso saudoso poeta que, como seus iguais, absorveu todo o bem e o mal-querer destes séculos e, em vez de expressar desencanto, cinismo, morbidez e tristeza, conseguiu ir além e nos brindar com a saúde dos seus poemas, esses frutos vivos que, certamente, têm polpa, seiva e caroço suficientes para atravessar, com sabor, os séculos futuros.

Antonio Thadeu Wojciechowski & Roberto Prado

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Piauí

No barbeiro, em Teresina, 28º Salão internacional de Humor do Piauí, 2011.  © Vera Solda

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A tout seigneur tout l’honneur

VOCÊ GOSTA de ler? Melhor, você precisa ler – assim como o doutor Renato Kanayama? O doutor gasta fortunas em livros, tem 40 mil volumes em casa, para horror de dona Regina e sonho dos corretores de seguros e catadores da papéis. É o queridinho das livrarias de Curitiba e São Paulo.

Tanto ama os livros que bombardeia os amigos com transcrições de autores. Elas vêm no zap zap com o cacoete das letras capitais, recurso exigido para a ênfase no estilo do foro. Ao grande senhor a sua honra: ele nunca perpetra his his ou rs rs nas mensagens.

Por que lembrar um amigo? Ora, porque amigos são “o nosso melhor patrimônio”, como ensinava um outro, o saudoso Ronald Schulman. A certa altura da vida restam poucos amigos, pouco importa como se foram. A quarentena faz compreender o quanto representam em nossa vida.

RK tem sido desses amigos com a clivagem da leitura. Desde a universidade ele chega antes na leitura e nas editoras. Seu cérebro tem o algoritmo que resgata o autor, o título e faz o cruzamento das referências. É um chato, indispensável e adorável.

Nosso doutor ainda tem o vício incurável dos livros de Direito. Recusa admitir que o Direito acabou, trocado pela jurisconveniência. Já avô, com o horizonte cada dia mais próximo, importam os livros que ajudam na compreensão da vida.

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Mural da História

CAVALO-DA-CHUVA13 de janeiro|2010

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Jaguapitã

Minúscula ilha do mar Egeu, redonda como o Coliseu romano e mais ou menos de mesma extensão e circunferência, Lídia poderia ser a mais despercebida ilha de toda história, não procriassem nela os pégasos, estes cavalos de inenarráveis asas.

Vindos de todo Arquipélago, Lídia é o cenário de amor onde se acasalam, nos fulgurantes maios gregos, pégasos com pelagem das mais diversas cores, e asas da mais diversa envergadura. Mal raie o sol a indicar que é maio no azul do tempestuoso Oceano, os primeiros pégasos pousam nas estreitas praias. Afundam então na areia os cascos, manchados à luz do amanhecer pelas tintas de um ouro-velho de ferruginosa beleza. As asas, essas nem falem, agitam-se alvas mas tão alvas que chegam a refletir como num espelho o azul do Egeu profundo.

Bardos e nautas, górgonas e sereias em vão tentaram chegar a Lídia e foram invariavelmente afugentados, seja pelo violento mar que ali se escrespa e naufraga mesmo as galés mais portentosas, seja pelo pronto vôo com que os pégasos se arremessam, cascos e dentes, asas e crinas tensas, a escorraçar, à proximidade das praias, os eventuais invasores.

Nenhum estranho, nem mesmo os pássaros do velho Arquipélago ousaram se aproximar de Lídia. Ou ali deitar seus ovos. Permanentemente vigiada, desde o princípio do mundo, por gerações e gerações de pégasos, Lídia é e sempre foi a ilha dos cavalos alados. De mais ninguém. E é nela, pois, que crescem, amamentados por soberbas éguas-de-asas, nela, em Lídia, os potros selvagens que trotam, e nela ensaiam, empurrados com o focinho pelos pégasos mais velhos, os primeiros e oscilantes vôos. Obsedante exercício de quedas e imprevistas ascenções.

Então é que acontece: às centenas os pégasos novos descrevem um círculo sobre Lídia, branca e verde em meio ao incalculável azul, e relincham, e voam, enfim voam!, a variegada pelagem, num estrepitar de asas que chega a silenciar o rumor do mar furioso.

Mas são tantos, por vezes, os pégasos no céu de Lídia, os que chegam e os que vão, os que amam e os que se assustam em escuro assombro, que o sol chega a faltar quando demora a tarde extravagante de Lídia e de suas praias brancas.

Wilson Bueno

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Motoboy

© Ricardo Silva

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Flagrantes da vida real

narizO nariz mais bonito da cidade. © Maringas Maciel

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Fraga

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Restaurante que se preza não tem maitre dado a destemperos verbais. Dodó Macedo

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Playboy|1980

1981|Kelly Tough. Playboy Centerfold

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Somos todos do jardim de infância, se comparados ao Rubem e ao Millôr

Não tem Machado, Bandeira, Suassuna, Rosa, Drummond, Graciliano, Nelson ou Clarice no buraco em que nos metemos

Tati Bernardi caríssima,

Li, neste jornal, que você gostaria de voltar a escrever crônicas, mas o estupor da hora impede. Eu também, Tati, tenho saudade das minhas. E penso que parei de escrevê-las bem antes de você, que ainda reflete sobre a maternidade, os amores tortos, o sexo no casamento, os vizinhos e as eternas neuroses.

Foi a releitura de Rubem Braga que lhe fez notar o desvio. Amo Rubem Braga. Você conhece uma crônica chamada “Defuntos”, sobre a diferença entre os obituários da Alemanha e do Brasil? É das minhas preferidas.

O Millôr me deu uma coletânea com 36 joias do Rubem ilustradas por ele. Guardo o tesouro num lugar de honra da estante. O prefácio é do Millôr, um texto que eu daria tudo para ter escrito. Chama-se “A Última Vez que Vi Rubem Braga”.

Nele, o inventor do frescobol conta dos acenos efusivos que trocava com o cronista, ele no seu estúdio, na General Osório, e o amigo numa cobertura, alguns quarteirões afastada. Em íntima distância, Millôr admirava Rubem ao sol e Rubem via Millôr na prancheta.

Mas “veio o governo Carlos Lacerda, que aprovou a ideia de mudar o gabarito de Ipanema transformando-se o bairro numa favela igual a Copacabana”. E assim, a cidade que ambos conheceram, feita de casas e prédios baixos, foi posta abaixo.

“A exploração imobiliária, liberada para todas as cobiças e todas as monstruosidades arquitetônicas, começou a rodear o edifício de Rubem Braga com massas gigantescas de concreto e aço, construções as mais estranhas, sem ar nem luz —atentados que ninguém parece ver, e contra os quais, aparentemente, ninguém pode. E, pouco a pouco, Rubem Braga foi desaparecendo deminha vista, tragado pela Nova York, oculto pela Canadá, emparedado pela Sergen, sepultado pela Gomes de Almeida Fernandes.”

Um dia, um desses caixotes de cimento horrendo barrou, em definitivo, a comunicação do Millôr com o parceiro. Foi a última vez que ele viu Rubem Braga. É um relato estupendo sobre a amizade, a convivência, a catástrofe urbanística e a mudança inexorável das coisas. Um libelo contra o mau gosto, além de um epitáfio da geração dos dois, insinuado no título. E tudo sem perder a dimensão humana, dos sentimentos, ou se valer de denúncias, protestos e estatísticas enfadonhas.

O problema é que o mundo perdeu a poesia, Tati. O humor, a inteligência e a poesia. Estamos todos como a tartaruga que cai de pernas para o ar e vive à espera de alguém que a desvire. Passo os dias quarentenada. À noitinha, assisto ao noticiário das inomináveis tragédias, afundo na lista de óbitos, medro diante das improbidades e conspirações mais torpes e, por fim, coro ao som de palavrões chulos.

A monstruosidade impera travestida de decência. Quando me sento para escrever, só vem o assombro com a última meleca misturada com cachorro-quente, o susto com a carreata armada, a indignação com as maracutaias da saúde e o pânico com aquela reunião ministerial.

Quem virá nos resgatar?

Antônio Prata é de lavar a almaGregorio não se intimida, você é o melhor espelho que se pode ter, mas somos todos do jardim de infância, se comparados ao Rubem e ao Millôr. A geração deles se criou num país que ainda existia. Nota-se, na elegância da pena da dupla, ecos da ironia do Machado, da melancolia do Bandeira. Mas não tem Machado e nem Bandeira, não tem Suassuna, Rosa, Drummond, Graciliano, Nelson ou Clarice nesse buraco em que nos metemos.

Ontem, fui dormir certa de que rumamos para a Venezuela. Talvez aconteça aqui. O dinheiro grosso não se importa de abrir mão da educação, da cultura, da ciência e da justiça.

Celso de Mello se insurge contra a “gravíssima aleivosia” do “discurso contumelioso” do louco do Weintraub. Não defendo que os magistrados corrompam o seu excelentíssimo português, mas o decano precisa de legenda para ser compreendido; ao contrário dos porras, foda-ses, trozobas, hemorroidas, bostas e estrumes do capitão.

“Atentados que ninguém parece ver e contra os quais, aparentemente, ninguém pode”, volto ao Millôr. E, pouco a pouco, o Brasil vai desaparecendo da minha vista, tragado pela América do Olavo, oculto pela Estátua da Liberdade da Havan, emparedado pelo velho centrão, sepultado pelas fake news.

Eu também gostaria de escrever uma crônica, mas diante dos acontecimentos, o que resta é a inutilidade da análise. Os brioches da Maria Antonieta.

Nos vemos na guilhotina.

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período-eleitoral14 de novembro|2010 

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Playboy|1970

1970|Avis Miller. Playboy Centerfold

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