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18 de fevereiro, 1933
Nasce em Tóquio, Yoko Ono, em japonês 小野 洋子 (Ono Yōko), cantora, cineasta e artista plástica de vanguarda japonesa, viúva de John Lennon e mãe de Kyoko Chan Cox e Sean Lennon. Atualmente vive em Nova Iorque. Foto Reuters
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O Contestado, uma guerra insepulta
Por ser um cineasta cuja obra é seduzida pela ânsia de reverter as falácias e o esquecimento da história oficial, a obsessão reside em responder qual a diferença entre realidade bruta, memória e encenação (territórios minados por onde trafego impunemente), quando convertidos em celulóide e/ou digital?
Desmobilizando essa ilusória noção, resta a única certeza de que entre elas a ficção tem que fazer sentido! Depois, é sabido, o passado como o presente, não permanece estático, está em permanente movimento e mutação. É “outro” toda vez que retornamos a ele. Foi o que me aconteceu ao revisitar a Guerra do Contestado quarenta anos depois (o filme anterior, “A Guerra dos Pelados”, uma ficção, foi escrito e rodado entre 1969/1970, estreando no ano seguinte): ambos mudamos a ponto de não nos reconhecermos mais! Isso é o mais fascinante na formatação de uma narrativa moral que mexe com a história sem procurar atropelá-la nem lhe impor viseiras. Nessa hora sempre me ocorre, como se um chamamento à lucidez fora, frase de um dos personagens de “O mensageiro” (1970), brilhante filme de Joseph Losey: o passado é um país estrangeiro, lá tudo é diferente. Ou seja, é preciso estar sempre com o passaporte em dia!
Drama fundador
Se o Brasil é, muitas vezes, refém ora de explicações apocalípticas ora utópicas (o que nos remete aos fanáticos do Contestado), a começar por esse seu drama fundador, a questão da terra, o epílogo da trágica Guerra do Contestado supera a metáfora, desmonta o mero simbolismo. Tudo fica menor diante do genocídio que a repressão protagonizou nos últimos meses da refrega, e mesmo depois de assinada a paz e refeitas as fronteiras entre Paraná e Santa Catarina.
A história do Brasil, tão a gosto de quem se mira no obscurantismo, é um túmulo quanto a esses eventos únicos em território nacional. Justamente por abrir um libelo acusatório em que ninguém é inocente. Afinal, no Contestado vingaram as primeiras idéias de que o exército não poderia continuar “força tarefa” de “coronéis”. Dali saiu uma jovem oficialidade, alguns ferrenhos inimigos da liberdade e com um olhar preconceituoso em relação ao brasileiro inculto dos sertões e das cidades. Carregados desse ideário e de fuzis e baionetas, protagonizaram as subversões da década de ‘20 (Forte de Copacabana, tenentismo, Coluna Prestes e a dita “Revolução de 30”), estendendo-se à ditadura Vargas e, ao seu derradeiro vagido, o golpe de 64, tornando o século XX e a cúspide do atual numa permanente ameaça à nossa frágil democracia.
Por tudo isso, com uma iniludível modernidade, a Guerra do Contestado, que seria mero levante de fanáticos, mas que além da terra, almejavam o poder, confrontando o nascente capitalismo no interior do Brasil, desvela uma água forte de arrepiar, cujo desfile de algozes é magistral: crimes & impunidade, politicalha, corrupção, desmandos e o famoso “deixa estar pra ver como fica” – aliás, a melhor definição que encontro para definir o Brasil de hoje.
Elenco plasmático
Monges, pitonisas, fanáticos, messias, curandeiros, farsantes, cristãos & mouros, desterrados, kardecistas, mártires, salvacionistas, beatos, “joanas d’arc”, místicos, santarrões, prestidigitadores, assassinos, grileiros, mães-de-santo & babalorixás, mitômanos, videntes, mandões, sebastianistas, conselheiros, “virgens-santas” – um elenco plasmático que ronda e enreda a nação há quinhentos e onze anos, desde quando Cabral deixou aqui os primeiros “neobrasileiros”. Dois grumetes desertores e dois degredados: como o país tem sobrevivido a um carma maldito desses, a impressão digital da bandidagem na sua origem telúrica, é algo que até hoje me comove e fascina. Motor, aliás, anedótico, poético e estético de toda a minha filmografia, francamente, na contramão da história oficial, seja para que lado e viés ela se manifeste.
Foi quando, confrontado com esse panteão místico que contamina do início ao fim, ambos trágicos, a submersa, mal conhecida, quando não, ignorada pelos historiadores, Guerra do Contestado (1912-1916), violento conflito armado sobre posse & usurpação da terra que ensangüentou o centro-oeste de Santa Catarina, que o ex-agrimensor (testemunha de relatos dos sobreviventes que transformou em livro), Euclides Fhilippi, ele próprio militante das ciências ocultas, perguntou, olhinhos azuis de 90 anos:
– O senhor é espírita?
Surpreso, mas deu tempo de responder sem titubear:
– Sou cineasta!
Ele sorriu, mas logo fechando a cara, confidenciou.
– Pois é, senhor Back, há mais de quarenta anos, no nosso centro espírita, aqui em Curitibanos (SC), uma mulher foi “tomada” pelo espírito do Adeodato, o líder dos caboclos revoltosos do Contestado. Foram precisos quatro homens para dominá-la, pois ela, com uma espada imaginária à mão, pôs-se a agredir as pessoas, soltando frases desconexas, mas que nos remetiam ao evento. Impossível remontar e freqüentar personagens e acontecimentos do Contestado sem recorrer às forças do invisível – sentenciou.
Primeiros influxos
Imediatamente, lembrei do poeta Friedrich Novalis (1772-1801), cuja sentença, “Todo visível adere ao invisível” já havia me inspirado há quarenta anos na escritura do roteiro e nas filmagens de “A Guerra dos Pelados” em 1970. Numa cena de incorporação fake do espírito do monge José Maria, “santo guerreiro” inspirador do Contestado, a atriz do filme, Dorothée-Marie Bouvier, no papel de uma das “virgens-santas” e “comandante de fé” dos fanáticos, não conseguia passar a “verdade” da encenação. Então, recorri a um ator que, descobri médium, pois a cada manhã me dizia: “Você tá carregado hoje” e projetava passes exorcizantes sobre o meu corpo! Não deu outra: segurando a mão da atriz fora da cena enquanto filmávamos, ele provocou, eu diria, uma espécie de para-transe nela. A cena ficou soberba. Depois, Dorothée ainda permaneceu minutos intermináveis mediunizada, e eu tendo que ouvir a mãe, francesa, em pânico, me xingando e ameaçando de morte, a propósito, na língua de Allan Kardec (1804-1869), o que não deixou de ser um luxo! Felizmente, o cinema nos salvou: impresso tudo em celulóide, ela está lá, até hoje, em cores, maravilhosa!
Portanto, quando retornei ao tema, há quatro/cinco anos, assoberbado por uma centena de livros, tudo voltou à tona como um cadáver perdido no mar. Algo estranho e horrível que já vem me perturbando nas últimas décadas. Apesar de inúmeros estudos recentes, profundos, consistentes e originais, no meio acadêmico, inclusive, nos Estados Unidos, a Guerra do Contestado vem sumindo, o Contestado está se tornando invisível, seus personagens mortos e o imaginário esmaecendo, ainda que um manto de silêncio, compromisso e medo, insista em corroer o que sobra incólume e acusador. Como se uma sensação de lesa-pátria catarinense (se isso existir!, originário que sou do Estado) me empurrasse para não deixar, sim, insepulto os milhares de corpos mortos de fome, massacrados e torturados clamando por alguns átimos de resgate de uma história madrasta como a do Brasil.
Docudrama
Talvez eu seja, com este docudrama (mix de doc & fic), “O Contestado – Restos Mortais”, o primeiro cineasta brasileiro a fazer um novo filme sobre o mesmo tema (com pegada para-documental, digamos assim, e não ficção pura como em “A Guerra dos Pelados”) desfazendo equívocos pessoais e alumiando novos meandros históricos sobre e em torno da Guerra do Contestado. E isso só foi possível sobrevoando e dando vôos rasantes não apenas literalmente de helicóptero aos principais redutos da resistência cabocla (Taquaruçu, Caraguatá, Calmon, Mattos Costa (ex-São João dos Pobres), Perdizinhas, Santa Maria, etc.), arriscando entendê-lo naquilo que hoje são apenas sombras, esquivas lembranças e um imemorial mítico.
Uma memória mítica absolutamente viva no éter, mas inapreensível a olho e ouvidos nus. Claro, nessa hora remontaram indeléveis à minha mente aquelas inusitadas filmagens com a atriz Dorothée-Marie Bouvier “falsamente” em transe, pois repetia os diálogos que eu havia escrito: agora, o Contestado vem à luz dos refletores e das câmaras através de uma autêntica, ainda que soe polêmica, instância do inconsciente coletivo da história do homem, da própria história: o transe mediúnico. No caso, o chamado “homem do Contestado”, civis e militares, pelados & peludos (os caboclos raspavam a cabeça a zero para se diferenciar dos peludos, militares e mercenários que portavam longas melenas), adolescentes e mulheres guerreiras, crianças, todos estropiados em quatro anos de guerra civil num território do tamanho do Estado de Alagoas.
Uma revolta só debelada com a entrada de quase a metade do efetivo do exército brasileiro, equipado com moderno armamento depois usado na I Guerra Mundial. Inclusive, o uso de aviões para observação e que, por conta de acidente com um deles, a missão de jogar bombas sobre os sertanejos foi abortada. Mas era, sim, o objetivo almejado pelo general Setembrino de Carvalho, comandante das tropas no Contestado, que vinha do Ceará onde, como interventor nomeado pelo presidente Hermes da Fonseca, havia esmagado sedição armada pelo padre Cícero.
Capitalismo nascente
Abertamente contrastando com Canudos (1896-1897), mesmo que em comum surjam aqui e acolá pontos de similitude, como o messianismo, a luta pela terra, um sonho de socialismo rupestre virando pesadelo, e o enfrentamento desigual e a repressão assustadora do exército da recém-criada República, os quatro anos do Contestado foram tudo isso, abrigando uma complexidade político-ideológica nunca antes vista no campo brasileiro (até a sua destruição foi mais traumática, quando não, de uma expertise cirúrgica inédita).
Complexidade essa, aliás, que permite se afirme que o capitalismo tal qual o conhecemos hoje no Brasil nasceu no Contestado. Mesmo quanto ao ideário utópico que sedimentou a revolta dos jagunços catarinenses, ali vicejou um “romântico” igualitarismo semelhante ao dos catecúmenos da nascente Cristandade, sem direito à propriedade privada, como em Canudos. A par de um conflito histórico de fronteiras entre Paraná e Santa Catarina, a modernidade da chegada ao hinterland catarinense de capitais forâneos construindo a estrada de ferro São Paulo-Rio Grande, a Brazil Railway Company (que levou à região milhares de trabalhadores de outros estados) e instalando a maior serraria da América Latina, a Lumber Colonization, todas empresas do magnata norte-americano, Percival Farqhuar, foi um dos pivôs que detonaram e alimentaram o conflito.
De papel passado, fajuto ou não, das terras recebidas do Governo próximas ao trajeto da ferrovia, e em conluio com os “coronéis” e grandes fazendeiros do Paraná e de Santa Catarina, uma milícia particular provocou a maior matança e êxodo de caboclos, posseiros, pequenos proprietários de que se tem notícia na história recente do Brasil. Nem por isso a reação dos jagunços, adverte o brazilianista, Todd Diacon, da Universidade do Tennessee, doutorado no tema, configura uma luta antiimperialista no Contestado. Simplesmente, ele reitera, porque para os rebeldes, que nem conheciam o pavilhão nacional, o “império” era o Brasil, os coronéis mancomunados com o capital estrangeiro, os militares que foram reprimi-los para proteger suas propriedades e investimentos.
Estopim da guerra
Por um instinto de sobrevivência, ao primeiro chamamento para se reunirem em torno de mitos, não demorou a surgirem na região magotes ensandecidos, desafiando a “desordem” institucional existente! Esse choque de “desordem” contra “desordem” frutificou numa inédita sangria de homens e mulheres (em torno de quinze mil civis e militares), cujas “almas sofridas e perdidas” vieram pedir socorro ao nosso filme!
Com tudo isso em ebulição, dá para fabular que, para que houvesse um estopim, bastava que a fronteira contestada entre Santa Catarina e Paraná, úbere em erva mate e madeira, fosse rompida por alguém. E em 1912, um monge de nome José Maria, vendendo terras devolutas do Paraná (Irani) para duas dezenas de caboclos catarinenses, instalou-se em cima do fio da navalha. Nem será preciso contabilizar quantos soldados e fanáticos ficaram sem sepultura após uma horrenda refrega que conflagrou não só Curitiba (PR) e Florianópolis (SC), mas o próprio presidente, marechal Hermes da Fonseca e, logicamente, o exército, que logo enxergou ali um novo Canudos. Tanto é que a repressão militar não tardou a se mobilizar e se fazer sentir com metralhadoras e canhões.
Na mesma intensidade que dentro das dezenas de cidadelas, os caboclos, antes simples crentes e pacíficos, para sobreviver, passaram a praticar apropriações de alimentos e animália, que diziam “débitas”, de comerciantes e fazendeiros da região. Ao mesmo tempo, constrangidos por chefetes fanatizados, como o já citado, “comandante” Adeodato (que, entre o exército teve o seu equivalente no capitão Potiguar, uma versão sulina do famoso coronel Moreira César, de Canudos), instalou-se um regime de terror nunca antes visto no Brasil. Um terrorismo, por sua vez, igualmente agenciado pelos chamados “vaqueanos”, asseclas do coronelato e tropa assalariada pelo exército, que não só ameaçava os seguidores que fraquejassem, como espalhou um imaginário fantasmagórico sobre seu poder de persuasão e violência que sobrevive até hoje, com os contornos tão assustadores e impensados que tivessem ocorrido entre nós.
Transe é poesia
Por aí, sem muita nitidez e tateando pelas veredas que a história oficial do Contestado escamoteia, desvirtua e se cala, arregimentei trinta médiuns ao longo de meses de contatos presenciais em sessões espíritas no teatro de operações do conflito e em Florianópolis (SC), e os transformei em “influxos condutores da linguagem” (se a expressão couber, e cabe!) do filme.
Dessa forma, “O Contestado – Restos Mortais” é agora a formalização concreta em fotogramas do que apenas ensaiei em “A Guerra dos Pelados”: o contundente poder narrativo da mediunidade, um discurso sempre cifrado, poético e atemporal, quando menos, profético e dispersivo, a assumir a condição de ogro cinematográfico introduzindo o espectador à invisibilidade da Guerra do Contestado. Para atingir essa, digamos, intimidade com os médiuns, fizemos questão (o cineasta Zeca Pires, meu diretor assistente, e eu) de jamais industriá-los sobre o que queríamos saber ou ouvir na hora da filmagem e da gravação.
Foi o suficiente para, mais uma vez, tomarmos consciência o quanto o Contestado vem sumindo na memória das pessoas, reforçado pelo fato de que nos livros didáticos, essa verdadeira guerra civil nos sertões do sul brasileiro é citada com meia dúzia de palavras, quando não inteiramente omitida sobre os grandes perrengues sociais e políticos que tumultuaram a chamada Primeira República (1889-1930). Temíamos, inclusive, que na efetivação das filmagens nossos “desejos” fossem telepaticamente “lidos” pelos médiuns, por isso nada foi pedido ou insinuado previamente. Ficamos todos, equipe e médiuns submetidos ao território do desconhecido, do mistério. E isso transparece nas quase dezessete horas de captação de imagens & sons de médiuns em transe: o inesperado, o susto, a coincidência, a descontinuidade do espaço e do tempo, a pertinência de vozes, testemunhos, grunhidos, dores, berros, risos e gargalhadas, a mais intrigante e desconcertante poesia. Cada transe, uma estrofe, um poema épico, estranha ária de uma ópera mental. Bela e, também, assustadora catarse exalando amperagem dramática e “verdade” míticas que foram conflagrando a todos, crentes e descrentes.
Segunda pele
Nessa ânsia de chegar ao âmago da invisibilidade do Contestado, foi surpreendente sentir como ela vem atracada ao real como uma segunda pele, a que está fora dos livros, dos relatos oficiais, da memória viciada tanto pelo que disseminou o vencedor quanto ao que escapou da crônica do vencido. Aliás, trata-se de um incontornável truísmo, mais uma vez comprovado: ambos mentem, vencedor e vencido, como descobri estudando o arcabouço castrense da Guerra do Paraguai (1864-1870) para o documentário, “Guerra do Brasil” nos anos setenta: onde refulgia que os aliados (Brasil, Uruguai e Argentina) inflavam suas vitórias, os paraguaios descontavam, contando o mesmo enredo, jamais reconhecendo a debâcle. Como se a guerra, o “nosso” Vietnã avant la lettre do século XIX, tivesse terminado empatada! Diriam os chineses: a verdade está mesmo no fundo do poço.
Assim, para o bem e para o mal, “A Guerra dos Pelados”, de há quatro décadas, e o inédito “O Contestado – Restos Mortais”, recém-concluído, com uma duração de 118 minutos e lançamento nacional no primeiro semestre de 2012 – ambos os filmes parece que foram feitos por dois cineastas diametralmente opostos. Não apenas quanto à narrativa e realização cinemáticas, mas em todos os sentidos: da apreensão crítica da linguagem, digamos, “imaterial” da mediunidade, que ensejou uma estética supra-real, ao sentido político-ideológico do tema; do questionamento existencial às mais pertinentes incursões filosóficas e morais. Com “O Contestado – Restos Mortais” acabo de concluir o meu melhor filme: não existe maior alegria do que esta!
Sylvio Back, cineasta, poeta, roteirista e escritor, autor de 37 filmes (11 longas-metragens) e de 21 livros (roteiros, poesia e ensaios); em finalização, o doc de longa, “O Universo Graciliano”; em preparo, a ficção, “A Angústia”, baseado no romance de Graciliano Ramos.
Piauí
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HQMIX em novo endereço

A HQMIX Livraria tem a honra de convidar para o coquetel de inauguração da nova livraria. Dia 24 de fevereiro, sexta-feira, às 19:00. Rua Tinhorão, 124, Vilaboin, Higienópolis, São Paulo/SP. Referência: Travessa das Alagoas, em frente à FAAP, ao lado da loja Kopenhagen e perto do estádio do Pacaembú. Telefone 11 – 3259 1528.
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Prêmio e prestígio
Atenção, poetas, escritores e jornalistas de plantão: vem ai a 1ª. Bienal Brasil do Livro e da Literatura, cujo concurso lliterário vai oferecer prêmios em dinheiro para várias categorias. A novidade é a inclusão da categoria Reportagem jornalística, que como as outras oferece 30 mil reais para o primeiro colocado e 10 mil para o segundo. Vai acontecer em Brasília de 14 a 23 de abril. O curitibano Toninho Vaz, nosso correspondente no Itanhangá, faz parte do júri. Foto de Misquici
JBosco
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Amigos do peito
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Preparativos para o Carnaval em ritmo acelerado
Prefeitura e Fundação Cultural de Curitiba preparam a Avenida Cândido de Abreu para o desfile das escolas de samba, no próximo sábado (18). No Ginásio Bairro Novo também já está tudo pronto para os bailes populares que acontecem na segunda e terça-feira de carnaval.
Alegria e descontração, temperadas com segurança e conforto, estão entre os ingredientes do tradicional desfile das escolas de samba de Curitiba, que toma conta da Avenida Cândido de Abreu, a partir das 18h30 até a madrugada de domingo (19).
No último fim de semana, as equipes responsáveis pela montagem da estrutura do carnaval na avenida começaram a instalação de 30 banheiros químicos, 20 barracas de alimentação, grades de isolamento, quatro camarotes para os jurados do desfile, e arquibancadas com capacidade para abrigar duas mil pessoas, além de lugares reservados para pessoas com deficiência, gestantes, idosos e mulheres com crianças de colo.
A Fundação Cultural de Curitiba, responsável pela organização do evento, trabalha em parceria com outras secretarias e órgãos municipais, como Abastecimento, Urbanismo, Saúde, URBS e Diretran. Na relação dos itens de atendimento na avenida também constam atendimento médico, com três ambulâncias do Samu e uma do Siate, o apoio da Polícia Militar, Policial Civil, Corpo de Bombeiros e Guarda Municipal. Os organizadores estimam um público de mais de 20 mil foliões. Segundo a Polícia Militar curitibano e turistas podem levar a família e brincar tranquilos. “O esquema de segurança já está organizado e o efetivo escalado. Estamos preparados para acompanhar toda a movimentação”, garante o major do 12º Batalhão da Polícia Militar, Alex Breunig, que esteve em reunião na Fundação Cultural de Curitiba, no dia 9 de fevereiro, para acertar os últimos detalhes da organização e segurança do Carnaval 2012.
Para os festejos deste ano, que devem mobilizar mais de 30 mil pessoas, a Prefeitura de Curitiba investiu aproximadamente R$ 600 mil, destinados às agremiações, à infraestrutura da Avenida Cândido de Abreu e a outros eventos, como o concurso de escolha do Cortejo Real (Rei, Rainha e Princesas do carnaval), a produção do Rancho das Flores e os bailes populares no Ginásio de Esportes do Bairro Novo, que acontecem na segunda e terça-feira (20 e 21), com a animação da Banda Lefigarroo.
Desfile – A folia na avenida começa às 18h30 de sábado (18), com a apresentação dos blocos Afoxé, Derrepent, Boi de Pano e do Rancho das Flores. As escolas do Grupo de Ascensão ou Grupo B – Bairro Alto e Unidos de Pinhais – entram na avenida a partir das 21h, seguidas das escolas do Grupo A – Os Internautas, Leões da Mocidade, Acadêmicos da Realeza, Embaixadores da Alegria e Mocidade Azul. O desfile das escolas está previsto para terminar às 3h30 da madrugada de domingo.
As escolas vencedoras do carnaval 2012 de Curitiba serão conhecidas no domingo (19), após a apuração dos votos do júri, no Memorial de Curitiba, no Largo da Ordem, a partir das 14h. As notas serão atribuídas por 20 jurados, sendo dois profissionais para cada um dos quesitos: bateria, samba-enredo, mestre-sala e porta-bandeira, comissão de frente, enredo, fantasia, alegorias e adereços, harmonia, conjunto e baianas.
O carnaval de Curitiba promete também harmonia e segurança para os bailes populares do Ginásio de Esportes do Bairro Novo (Rua Ourizona, 1.681), na segunda e terça-feira (20 e 21), sob o comando da Banda Lefigarroo. Para a criançada, a diversão vai das três da tarde às sete da noite, com direito a concurso de fantasias no dia 21; para os adultos a folia começa a partir das oito e termina à meia-noite. A entrada é gratuita e não é permitido o consumo de bebida alcoólica e cigarro dentro do ginásio.
Jaciel Teixeira, presidente da comissão organizadora do Carnaval 2012, explica que só será permitida a comercialização de alimentos, refrigerantes e cervejas em lata nos arredores do ginásio. “Por medida de segurança, não será permitida a venda de destilados e nem de cerveja em garrafas de vidro”, avisa.
Desfiles das Escolas de Samba. Data e horário: 18 de fevereiro, a partir das 18h30. Local: Avenida Cândido de Abreu. Ingresso: gratuito. BAILES POPULARES. Data e horário: 20 e 21 de fevereiro, das 15h às 19h (infantil). 20h à meia-noite (adulto). Local: Ginásio de Esportes do Bairro Novo – Rua Ourizona, 1.681. Ingresso: gratuito
Tchans!
Recebba Loos.Taxi Driver
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Passei 20 anos em Curitiba. Morei meus dez primeiros no Rio. Moro há dez em São Paulo, ao redor da Avenida Paulista e da Rua Augusta. Aqueles 20 anos são as décadas de 80 e 90. Décadas muito inspiradas pelo avanço urbanístico da política de Jaime Lerner e pelo vulcão poético de Paulo Leminski. Tantos seguidores, escritores, ilustradores, jornais literários, na verdade, desde Joaquim, de Dalton, na década de 50. Antes da primeira prefeitura de Lerner, Curitiba tinha 1 metro quadrado de área verde por pessoa. Depois da terceira, 55 metros. É claro, essa cidade não existe mais. Curitiba hoje é dos verdadeiros marginais (considerando que nos considerávamos marginais), esses, lindamente descritos pelos contos de Dalton Trevisan. É uma cidade como outra qualquer com mais de 3 milhões de habitantes. 80% dos homicídios em Curitiba se relacionam com o vício do crack.
Eu tinha 13 anos e no mesmo teatro onde fiz minha primeira estreia tocava uma banda punk, a meia noite, num show chamado “Êxtase sob Dureza”. Fui assistir e, como disse Francis Bacon, todo artista tem o momento da revelação de seu tema eterno, de sua obsessão. O dele foi clarificado num passeio com sua mãe pelo açougue da Harrods em Londres, com todas aquelas carnes penduradas. O meu, bem mais humilde, mas não menos apaixonante, aconteceu naquela noite. Conheci o BAAF (Beijo AA Força, nome do alicate de tortura que os nazistas usavam na língua dos poloneses), conheci a poesia de Marcos Prado e a de Sergio Viralobos, conheci uma turma mais velha que, discretamente, segui e pela qual fui iniciado em Gregório de Matos, Maiakovski, Baudelaire, Bashô, John Fante, Yeats, Noel Rosa, Lupiscínio Rodrigues, o punk e o pós punk, e todo um universo repleto de estrelas brilhantes que viverão sempre, desde aqueles dias, em mim. Devo meu humor e meu amor pela vida a esses caras. Troco fácil tudo o que fiz por ouvi-los mais uma vez. Até porque, o que fiz, faço pra explicar o que vi naqueles dias.
Vi recentemente a matéria do filme sobre a Turma da Colina de Brasília. Me reconheço. Gostaria de ter feito algo sobre eles também. Foram nessas cidades que o punk desembarcou no Brasil. Em Brasília, com os filhos de diplomatas antenados, principalmente, nos 77`s Londrinos. Em Curitiba, com os filhos de imigrantes bêbados (polacos, ucranianos e alemães, quase todos de origem católica). Fiquei perplexamente emocionado quando, filmando Insolação, li a frase de Renato: “Quando se aprende a amar, o mundo passa a ser seu”, na parede de um escritório do Hospital Militar de Brasília. Foram os militares que invadiram a UNB em 68. Era deles que o garoto fugia para fumar maconha na Colina. Eu amava o Rio de Cazuza e Lobão também, mas já andava longe da elegância despretensiosa dos cariocas. Nem eramos ativistas da periferia de São Paulo. Éramos pretensiosamente geniosos e genialmente farsantes. Paulo Leminski não dominava as diversas línguas mortas e vivas que alardeava falar. Mas se apropriava de cada uma delas com seu modo brilhante de reinventá-las
Em 80, Leminski prefaciou uma nova geração de poetas num livro desenhado por seu maior parceiro, o Solda. Neste, aparecia a poesia de Marcos, já cantada por Rodrigão, Ferreira e seu bando na Contrabanda Enterprise Corporation & Limitadas Companhias. Logo se transformaram na Companhia de Energia Elétrica Beijo AA Força. Ana Maria Bahiana adjetivou a turma como “verdadeiras esponjas culturais”. A parceria era grande, a sede alcoólica infinita, e as tertúlias cruzavam as noites frias da cidade. Podem dizer, orgulhosos, que sobreviveram e ultrapassaram as baixas perspectivas sobradas aos artistas independentes desse país, com galhardia e extremismo poético. Não concederam sua preciosidade aos modismos que assolam o mercado cultural.
Em 2006, pude retribuir, com o mínimo, o que me foi dado, organizando o livro coletânea Ultralyrics com um pouco da obra de Marcos Prado e seus parceiros. Agora, nos 18 anos da Sutil Companhia, no Sesc Belenzinho, realizamos o encontro histórico entre o BAAF e o Defalla, que não tocam juntos desde aquele tempo. O último show oficial do BAAF acabou em briga, afinal, como eles mesmo dizem, estávamos em Curitiba, e nessa cidade nem mesmo a mesma turma se entende muito bem.
Viciados e alcoólatras incontroláveis, mentindo para si mesmo, para agradar as pessoas que os amavam, alguns fugiram do descanso da morte e entraram no pânico do inferno. Solda, por exemplo, conta que dormia de 45 minutos em 45 minutos, com um comprimido de diazepan por período de sono. Marcos, internado no Hospital Psiquiático do Bom Retiro, usava o seu chapéu para disfarçar sua psoríase. Quando ouvi a notícia da morte de Leminski eu tinha 17 anos e só havia sentado duas vezes, calado, na mesma mesa do polaco, gênio intragável. Quando recebi a notícia da morte de Marcos, era dia 31 de dezembro de 96 e eu podia ouvir os fogos de artifício no céu. E assim se foram muitos, Jamil Snege, Wilson Bueno, Raul Cruz.
Roberto Prado, poeta, irmão de Marcos, conta que ele morreu com o projeto de escrever um livro chamado Ultralíricos (aliás ele escreveu Pérolas aos Poucos, há 25 anos). A idéia do livro era fazer Casimiro de Abreu parecer um racionalista alemão. Beko diz que o irmão sempre tirou a poesia pra dançar. Sempre próximo do extremo. Sempre em direção à fronteira. Amou perdidamente a música e para ela viveu fiel até a morte. Sua voz é o BAAF. Nosso oriente é Paulo Leminski.
Se viro a capa de Tonight`s The Night de Neil Young, leio: “Me desculpe, você não conhece essas pessoas. Isso não significa nada para você”.
Felipe Hirsch (O Globo)
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Agenda
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Rock Carnival
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Carnaval curitibano toma conta da Avenida Cândido de Abreu
A festa mais popular do país, o carnaval, tem espaço garantido em Curitiba, como comprova o desfile das escolas de samba da cidade, que acontece na noite deste sábado (18), na Avenida Cândido de Abreu, com início às 21h. Alegria, descontração e muito profissionalismo embasam o trabalho desenvolvido pelas agremiações ao longo do ano, com o objetivo de levar à avenida uma explosão de cores e sons, embalada em enredos que prometem levantar as arquibancadas.
Antes de começar o desfile das escolas de samba, a Avenida Cândido de Abreu oferece como atrações, a partir das 18h30, as performances dos blocos Afoxé, Derrepente e Boi de Pano, além do Rancho das Flores. Na sequência, as escolas de samba tomam conta da avenida, divididas em dois grupos. No Grupo A estão as escolas Os Internautas, Leões da Mocidade, Acadêmicos da Realeza, Embaixadores da Alegria e Mocidade Azul. O Grupo B, também chamado Grupo de Ascensão, é formado pelas escolas Bairro Alto e Unidos de Pinhais.
Histórias na avenida – Os 450 componentes da Escola de Samba Mocidade Azul dão vida ao enredo “Azul a cor do céu, a cor do mar, há 40 anos a cor do meu lar”, dos compositores Silvio Costa (o “Turco”) e Márcio Mania. Vencedora do carnaval de Curitiba 2011, neste ano a Mocidade Azul retrata os 40 anos de existência da escola com um espetáculo que conta com o apoio de três carros alegóricos.
Integrando o grupo principal, depois de ser a primeira colocada no Grupo de Ascensão, em 2011, a Escola de Samba Os Internautas desfila com o tema “Brincadeiras de Infância”, cujo samba foi composto por João Aloysio. Inspirados na fase mágica da vida, a infância, os 300 integrantes da agremiação mostram brincadeiras que foram passadas de pais para filhos, ajudados por dois carros alegóricos.
A arte da dança, em suas múltiplas manifestações, foi a inspiração para a Escola de Samba Leões da Mocidade criar o enredo “Vem Dançar Comigo”, a cargo dos compositores Heitor Hedeke, Marcos Mano e Marquinhos da Engenhoca, além da carnavalesca Marlene Monte Carmelo. Com 476 componentes, a escola também conta com três carros alegóricos para abordar a história milenar da dança.
“Entre sonhos e ilusões… Revivendo carnavais, viajando nos textos de Aramis Millarch”, do compositor Marcelo Nunes, é o enredo da tradicional Embaixadores da Alegria. Com 64 anos de existência, a escola desfila este ano com 230 componentes e dois carros alegóricos, contando a trajetória do carnaval curitibano e destacando personagens que se empenharam na construção dessa festa. A bateria da escola tem nome próprio – “Locomotiva Vermelha” – e é outro diferencial da agremiação. Com 70 integrantes, entre crianças e adultos, o grupo desenvolve um projeto social com a comunidade, permitindo que jovens entre sete anos e 15 anos aprendam a tocar instrumentos carnavalescos.
A Acadêmicos da Realeza, que completa 15 anos no mês de março, leva para a avenida a história do chocolate com o enredo “No samba da Realeza o sabor da sedução”. Com dois carros alegóricos, os 350 integrantes da escola de samba vão mostrar a influência social do chocolate, que nasceu como a bebida preferida dos deuses, virou moeda para os astecas, conquistou a Europa e alimentou as tropas americanas na Segunda Guerra, além de ser constante objeto de estudo científico pelas suas propriedades terapêuticas.
Em ascensão – Para disputar um lugar no Grupo A, no carnaval de 2013, este ano a Unidos de Pinhais presta uma homenagem a Curitiba com o enredo “Curitiba, terra de cantos, encantos e acalantos”, do compositor Luiz Antunes Rodrigues. Os 180 componentes da escola mergulham na história da cidade, alinhavando importantes acontecimentos com muito samba e emoção.
Também no Grupo de Ascensão, tentando ocupar no próximo ano um espaço no Grupo A, está a Unidos do Bairro Alto, que escolheu heróis de gibis e brincadeiras de roda para o enredo “Heróis de minha infância nas cantigas de roda”, do compositor Luiz Antunes Rodrigues. Com 160 componentes e um carro alegórico, a escola fará comparações entre os heróis das histórias em quadrinhos e os heróis da vida real, que enfrentam batalhas diárias para o sustento de suas famílias.
Serviço: Desfile do Carnaval de Curitiba – 2012|Local: Avenida Cândido de Abreu|Data: 18 de fevereiro de 2012 (sábado)|Horário: a partir das 18h30, entram na avenida os blocos Afoxé, Derrepente e Boi de Pano, além do Rancho das Flores; às 21h, início do desfile das escolas de samba do Grupo de Ascensão (Unidos do Bairro Alto e Unidos de Pinhais); às 22h30, início do desfile das escolas de samba do Grupo A (Os Internautas, Leões da Mocidade, Acadêmicos da Realeza, Embaixadores da Alegria e Mocidade Azul). Entrada franca
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Bisbilhotecando
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