Curto-circuito

© Cau Gomes

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Poluicéia Desvairada!

As melhores bundas do Inhotim. Museu do Inhotim, MG. © Lee Swain

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Fernanda Montenegro

Fernanda Montenegro por Marcio Scavone© Marcio Scavone

Fernanda é tudo que sobrou do que sempre me ensinaram. A sombra dos quarenta graus à sombra. Procurem os gestos no vocabulário, olhem Fernanda: estão todos lá. Sua vida é um palco iluminado. À direita as gambiarras do perfeccionismo. À esquerda os praticáveis do impossível. Em cima o urdimento geral de uma tentativa de enredo a ser refeita todas as noites, toda a vida. Atrás os bastidores, o mistério essencial. Embaixo, o porão, que torna viáveis os mágicos e onde, faz tanto tempo!, se ocultava o ponto. Em frente o diálogo, que é uma fé, e comove montanhas.

Gênio da espécie teatronicus fanaticus, é tal o talento de Fernanda que nunca consegui saber se é bonita. É. Mas pode ser que esteja só representando. Pois se a pusessem no Santos, no lugar de Pelé, tenho certeza de que o interpretaria com tal perfeição que marcaria um gol de lençol. (A Seleção não sabe o que está perdendo). Da ambiguidade da arte que pratica fico pensando se é mais difícil ser sincera na vida depois de todas as mentiras no palco ou ser autêntica no palco depois de todas as perfídias da existência.

Chamam-na de atriz de fôlego; é de reparar que nem respira. Pois, nos adventos, remói. Embora nem sempre como antigamente. Já que há o risco do abismo na exibição de cada noite. A expressão corporal adquiriu, nela, a força do verbo. E a palavra, dita por ela, vem multifacetada. No cinema sua cabeça é grande, no palco é bem pequenininha, demostração swiftniana (pirandelina) da relatividade nas propostas. Fer-nan-da, cinco sílabas mágicas como as três de fe-li-ci-da-de: e sempre a pomos onde estamos. Tem um riso que sublinha, um olhar que diagrama, ombros de mulata e uma vaga assessoria do divino. Pois crê em Deus, inda que não LHE dê excessiva intimidade; se um dia ELE não aparecer ela veste o manto e faz o SEU papel.

Nunca saiu do Brasil mas esse é o seu mundo. Tem raras iras, todas, porém, postas à prova. Com dois filhos, outros tantos pais, o dobro de avós e o quádruplo de bisavós, sua ascendência é o infinito. E os filhos crescem, lhe ampliando a vida, em anos e memórias. Magra, branca, fugidia, tem, contudo, a coragem da ossatura e o prolongamento moral que o espírito empresta aos fêmures e aos cúbitos.

São poucos os que, como ela, conseguiram chegar aos 18 anos em menos de quarenta. Em Alagoas, meio século atrás, teria sido outra Maria Bonita. Em Rouen, há quatrocentos anos, teria convencido Joana D’Arc a escapar da fogueira. Veste-se como quem não vai a lugar nenhum e tem toda razão – o acontecimento é ela. Parca de excessos, é perdulária em antonímias. Seu demagogo predileto é muito humilde. Sua cor predileta é a cortesia. Sua única ambição é a ubiquidade. Do Engenho de Dentro ainda carrega um ligeiro sotaque. Se fosse homem queria ser mulher.

Esmiúça os contrastes e aceita ternamente as vacilações dos que nunca abdicaram. Cínica diante da Glória resiste sempre às apoteoses do outrora quinto ato. Mas seu ato de viver não tem paredes: há sempre gente assistindo à sua multiplicidade. Tem certas dúvidas: nenhuma delas certa. É corriqueira todo dia, costumeira quase todos os dias, ocasional nem sempre, e mítica, só para nós que lhe conhecemos a quinta essência. Psicanalista e confessor, sobe no palco, desnuda o inconsciente coletivo e redime uma arte que muitos dizem extinta. E eis o segredo: crê no texto, tem fé na direção, comunga com a platéia e sabe que, no dia do Juízo Final, os críticos serão todos perdoados.

Seu rosto conserva recordações que a memória esqueceu. Reparem: às vezes seu sorriso chega tarde para uma expressão de alegria. Ou sai antes do fim da euforia, dublagem existencial errada que deixa notarmos os arcanos de sua melancolia. Pois dói, eu sei, aqui assim, lá nela. Dois seios, como em toda mulher. Ânsia de muitos seios, como a Loba de Roma. A sabedoria do passo, a negação positiva, o pouco de culinária que ainda lembra são os seus enigmas para uma personalidade do outro lado.

Sem não ser o que é, pode ser outra coisa, na saudade antibovarista de uma vida total. Explicando melhor: tomou a parte pelo todo, sendo o todo impossível. Explicando inda mais: fez da fatia o bolo e comeu-o inteiro, deixando porém um pequeno pedaço de sonho para todo mundo.

Já interpretou Mirandolina, “madame” Warren e Arlete Pinheiro. Se fez Montenegro, se casou com Torres e, do alto dessas pirâmides, há quarenta peças os dois se contemplam. Desgarrada da geração em que nasceu, flutua acima daquela em que vive, nessa terra-de-ninguém em que é perigoso estar só sem estar mal acompanhado: diz-me quem és e eu te direi com quem não andas. Aplaudida em toda parte não regateia aplausos ao público que a freqüenta. E busca, nos desvãos dessa troca, a verdade da Glória. Que não fica, não eleva, não honra, nem consola. E uma parte da qual pode ser até que esteja na bilheteria. Sabe que uma atriz está sempre na iminência de ser uma mera atriz. Acha imperfeita uma língua que só tem cama e não tem camo, homem poltrão sem mulher poltrona, e síntese anacrônica e não ternuras múltiplas praticadas sob o consenso popular aferido por meio do votodiretouniversal obrigatório. Repetem o que ela diz mas o difícil é repetir os seus silêncios. Pois não sei quantos idiomas fala mas cala, essencialmente, nessa que é, meu Deus, a língua nossa! Conserva o que a nutre, extirpa o que lhe tolhe.

Crê no perigo da ausência, que nunca tem razão, por isso sempre está e sempre fica, ou deixa alguém de muita confiança. E já tem tudo arrumado para o grande dia. Só não vai de comenda porque quem a condenou perdeu o que não tinha. Mas, como recordação da infância, ainda pula amarelinha nas adjacências. Corda, porém, só em casa de enforcado. Sua última opção é estar com a vida quando quase ninguém mais respira. Algumas decisões: a de morrer de pé, como um batavo. A de brincar de Deus, como um bandido. A de apostar no destino, dando ao gato seis vidas de vantagem. E, após o final, poder escutar no silêncio e no escuro, o último espectador que se afasta nas aléias desertas.

Millôr Fernandes, da série “Retratos 3×4 de alguns amigos 6×9”

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Tudo pelos pelos!

Nari Graff| © Girls Out West

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Sérgio Rodrigues participa hoje do projeto Um Escritor na Biblioteca 

O escritor e jornalista Sérgio Rodrigues é o primeiro convidado da temporada 2019 do projeto Um Escritor na Biblioteca. O bate-papo, com mediação do jornalista Jonatan Silva, acontece hoje, às 19h, no auditório da Biblioteca Pública do Paraná. Até o final do ano, outros sete autores participam dos encontros. A entrada é gratuita. 

Mineiro de Muriaé, Sérgio Rodrigues nasceu em 1962 e está radicado no Rio de Janeiro (RJ) desde 1980. Autor dos romances Elza, a garota (reeditado no ano passado) e As sementes de Flowerville (2006), em 2014 venceu o Prêmio Portugal Telecom com O drible. Além das narrativas longas, publicou os contos de Sobrescritos (2010) e O homem que matou o escritor (2000).

Como jornalista, atuou em alguns dos principais veículos da imprensa brasileira, como Jornal do Brasil e O Globo. Atualmente assina coluna no jornal Folha de S.Paulo. Afora seu trabalho ficcional, é organizador de Cartas brasileiras (2017), que reúne correspondências que marcaram o país, e autor do almanaque Viva a língua brasileira! (2016).

O projeto 

Um Escritor na Biblioteca é um projeto realizado pela Biblioteca Pública do Paraná que teve início na década de 1980. Retomado em 2011 e com periodicidade mensal, conta com a participação de autores brasileiros de variadas gerações. Os depoimentos são gravados e, posteriormente, publicados no jornal Cândido e editados em formato de livro pelo Núcleo de Edições da Secretaria de Comunicação Social e Cultura do Paraná.

Serviço: Um Escritor na Biblioteca, com Sérgio Rodrigues|Dia 19 de março, às 19h, no auditório da BPP|R. Cândido Lopes, 133, Centro — Curitiba/PR|Gratuito|Mais informações: (41) 3221-4994.

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Todo dia é dia

mouraPaulo Moura

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Tempo

xavier-Daniel-Castellano-GaValêncio Xavier – 1933/2008. © Daniel Castellano|Gazeta do Povo

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Luis Fernando Verissimo

a-aliança© Myskiciewicz

Esta é uma história exemplar, só não está muito claro qual é o exemplo. De qualquer jeito, mantenha-a longe das crianças. Também não tem nada a ver com a crise brasileira, o apartheid, a situação na América Central ou no Oriente Médio ou a grande aventura do homem sobre a Terra.

Situa-se no terreno mais baixo das pequenas aflições da classe média. Enfim. Aconteceu com um amigo meu. Fictício, claro. Ele estava voltando para casa como fazia, com fidelidade rotineira, todos os dias à mesma hora. Um homem dos seus 40 anos, naquela idade em que já sabe que nunca será o dono de um cassino em Samarkand, com diamantes nos dentes, mas ainda pode esperar algumas surpresas da vida, como ganhar na loto ou furar-lhe um pneu. Furou-lhe um pneu. Com dificuldade ele encostou o carro no meio-fio e preparou-se para a batalha contra o macaco, não um dos grandes macacos que o desafiavam no jângal dos seus sonhos de infância, mas o macaco do seu carro tamanho médio, que provavelmente não funcionaria, resignação e reticências… Conseguiu fazer o macaco funcionar, ergueu o carro, trocou o pneu e já estava fechando o porta-malas quando a sua aliança escorregou pelo dedo sujo de óleo e caiu no chão. Ele deu um passo para pegar a aliança do asfalto, mas sem querer a chutou. A aliança bateu na roda de um carro que passava e voou para um bueiro. Onde desapareceu diante dos seus olhos, nos quais ele custou a acreditar. Limpou as mãos o melhor que pôde, entrou no carro e seguiu para casa. Começou a pensar no que diria para a mulher. Imaginou a cena. Ele entrando em casa e respondendo às perguntas da mulher antes de ela fazê-las.

— Você não sabe o que me aconteceu!
— O quê?
— Uma coisa incrível.
— O quê?
— Contando ninguém acredita.
— Conta!
— Você não nota nada de diferente em mim? Não está faltando nada?
— Não.
— Olhe.
E ele mostraria o dedo da aliança, sem a aliança.
— O que aconteceu?
E ele contaria. Tudo, exatamente como acontecera. O macaco. O óleo. A aliança no asfalto. O chute involuntário. E a aliança voando para o bueiro e desaparecendo.
— Que coisa – diria a mulher, calmamente.
— Não é difícil de acreditar?
— Não. É perfeitamente possível.
— Pois é. Eu…
— Seu cretino!
— Meu bem…
— Está me achando com cara de boba? De palhaça? Eu sei o que aconteceu com essa aliança. Você tirou do dedo para namorar. É ou não é? Para fazer um programa. Chega em casa a esta hora e ainda tem a cara-de-pau de inventar uma história em que só um imbecil acreditaria.
— Mas, meu bem…
— Eu sei onde está essa aliança. Perdida no tapete felpudo de algum motel. Dentro do ralo de alguma banheira redonda. Seu sem-vergonha!
E ela sairia de casa, com as crianças, sem querer ouvir explicações.
Ele chegou em casa sem dizer nada. Por que o atraso? Muito trânsito. Por que essa cara? Nada, nada. E, finalmente:
— Que fim levou a sua aliança? E ele disse:
— Tirei para namorar. Para fazer um programa. E perdi no motel. Pronto. Não tenho desculpas. Se você quiser encerrar nosso casamento agora, eu compreenderei.
Ela fez cara de choro. Depois correu para o quarto e bateu com a porta. Dez minutos depois reapareceu. Disse que aquilo significava uma crise no casamento deles, mas que eles, com bom-senso, a venceriam.
— O mais importante é que você não mentiu pra mim.
E foi tratar do jantar.

Esta crônica, um clássico de LFV, faz parte da antologia As mentiras que os homens contam, Editora Objetiva/2000.

Luis Fernando Verissimo é jornalista, escritor, humorista, cartunista e quadrinista, vive em Porto Alegre. Para conhecer sua obra e trajetória, acesse a Wikipédia. 

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Pirulito

© Borisov Dmitry

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Fraga

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Ova-se!

 

Blindagem – Sou Legal, Eu Sei

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Que país é este?

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Social e tal

Quem tropica se trumbica

O prefeito Rafael Greca soltou nota de desculpas à enfermeira municipal que ofendeu. Texto longo, derramado, meloso como compota. Mas só escreveu o prenome dela, omitindo o sobrenome – medo que a enfermeira se candidate a alguma coisa em cima da falseta do prefeito?  No entanto, deu o nome e sobrenome da enfermeira que é secretária municipal.

Rafael tropicou. Feito menino mimado, na resposta grosseira a simples ponderação da funcionária. Vaidoso e narcisista, ao omitir-lhe o sobrenome, falta de educação agravando a grosseria. No soluço do cérebro, quando atenua a ofensa a enfermeiros falando da enfermeira sua secretária – tipo o homofóbico que se defende dizendo ter amigos gays.

Social e tal

Flashes do jantar de Jair Bolsonaro, ontem na embaixada do Brasil em Washington. Bolsonaro com a cara de quem não sabe o que fazia ali, a mesma desde que assumiu a presidência. Durante seu discurso os americanos presentes recorrem à tradução simultânea – a expressão mais ouvida pelos gringos foi ‘this thing’, o isso daí do Capitão.

Na ponta da mesa o filho pensador, o deputado Eduardo, arquiteto da polícia, perdão, política exterior do Brasil. À esquerda e à direita do presidente, cotovelo com cotovelo, os gurus de Eduardo, Olavo de Carvalho e Steve Bannon. Este último foi importado por Eduardo depois de descartado por Donald Trump, de quem tentou ser o Olavo de Carvalho.

Na frente do chefe, a um corpo do embaixador brasileiro, o nosso ex-Sérgio Moro, sem a cara feliz do tempo em que palestrava para os gringos sobre corrupção e Lava Jato. Ao lado de Moro uma senhora de echarpe, jeitão de doutora Rosângela “eu moro com ele”. Não devia ser. Usava fone de tradução do português para o inglês

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Apartamento 302. © Jorge Bispo

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O mundo no bolso

Jerry Merryman, até sem querer, pode ter dividido a história em antes e depois

Um sujeito chamado Jerry Merryman morreu no dia 27 último em Dallas, Texas. Tinha 86 anos. Estava hospitalizado por complicações de uma cirurgia. Não houve comoção pela notícia. As Bolsas também não oscilaram. E mesmo os jornais americanos deram o seu obituário com atraso. Pelo visto, ele não era muito importante.

Mas, como diria o dicionarista Antonio Houaiss, discrepo. Jerry Merryman, até sem querer, pode ter dividido a história em antes e depois. Ele inventou a calculadora de bolso. Em 1965, uma empresa do Texas consultou-o sobre a possibilidade de uma calculadora que se levasse no bolso, como um maço de cigarros. As que existiam eram de mesa, pesadas, compostas de um motor, um rolo de papel e uma manivela, tudo isso para somar 2 + 2. Atiradas na cabeça de alguém, podiam matar.

Merryman pensou e, em três noites, desenhou os circuitos fundamentais. Dali a cinco anos, a empresa soltou no mercado a calculadora de bolso. Era um aparelho pequeno, mas esperto. Somava, diminuía, multiplicava, dividia e ainda imprimia o resultado num papelucho. Foi um sucesso e, um dia, todo mundo, até eu, possuiu aquele treco. Mas havia um limite para a sua função —exceto o dono do armazém, ninguém passava o dia fazendo contas. Apesar de sua utilidade, a calculadora de bolso, na prática, só aposentou o lápis atrás da orelha.

Então, nos anos 70, alguém chamado Martin Cooper adaptou a ideia para um telefone que também se pudesse levar no bolso. Nasceu o celular. Mas mesmo este era limitado —quem queria passar o dia todo telefonando? Foi daí que este celular aprendeu a servir de câmera, relógio, rádio, TV, banca de jornal, arquivo, biblioteca, termômetro, periscópio, bússola, radar, antena e até de calculadora. Tornou-se o iPhone —um computador de bolso.

Sem Jerry Merryman, ele não existiria. Merryman foi o primeiro a pôr o mundo no bolso.

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Boléia

a panorama mais bonita da cidadepanorama-Iara-teixeiraNa boléia, Vera Solda, acompanhada pelo cartunista que vos digita. © Iara Teixeira

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Ostras

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Meus arquivos da Ditadura

Movimento civil de reivindicação por eleições presidenciais diretas no Brasil ocorrido em 1983-1984.

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Os crimes em Escolas brasileiras

A recente tragédia ocorrida na cidade de Suzano, São Paulo, na qual foram mortas oito pessoas e os dois criminosos se suicidaram, entra para as estatísticas de crimes em escolas brasileiras que ocorrem no Brasil desde 2002 (Jornal Estado de Minas):

  1. Salvador, Bahia (2002), duas vítimas fatais, autor de 17 anos;
  2. Taiúva, São Paulo (2003), 8 feridos, sendo uma que ficou paraplégica, autor de 18 anos;
  3. São Caetano do Sul, São Paulo (2011), uma professora ferida, e o autor de 10 anos se suicidou;
  4. Rio de Janeiro (2012), 11 crianças mortas e 13 feridas, autor de 23 anos;
  5. João Pessoa, Paraíba (2012), 4 feridos, autor de 14 anos;
  6. Goiânia, Goiás (2017), dois mortos e quatro feridos, autor de 14 anos;
  7. Janaúna, Minas Gerais (2017), oito crianças e uma professora mortas, autor de 50 anos morreu horas após. O crime foi cometido com álcool e fogo em dezenas de crianças;
  8. Medianeira, Paraná (2018), dois alunos feridos, o autor de 15 anos;
  9. Suzano, São Paulo (2019), cinco crianças mortas, duas funcionárias da escola e um comerciante, os dois autores se suicidaram, idade dos criminosos, 17 e 25 anos;

O perfil das vítimas, crianças indefesas, professoras e agentes escolares, tem semelhança nestes nove eventos trágicos.

Os criminosos podem também ser selecionados segundo traços de personalidade e desvios de conduta, igualmente compatíveis entre si na maior parte dos casos.

Não podemos denominar os eventos de assassinatos em série (serial killers) pois para defini-los como tal, necessitamos conceitualmente de mais de dois crimes, com um intervalo de tempo entre eles.

O fato é que pela cronologia das tragédias, há uma escalada de crimes nas escolas brasileiras, cujo intervalo de tempo está diminuindo, um ou dois eventos por ano.

Qual será a próxima tragédia?

O que os poderes instituídos estão fazendo para evita-las, além das autoridades darem entrevistas e falarem o óbvio?

Pela atual legislação brasileira os autores menores de dezoito anos, tem uma medida sócio educativa de três anos.

Esta medida está desproporcional à proteção legal do bem jurídico da vida. É totalmente inconstitucional, pois nossa Constituição assegura o princípio da dignidade da pessoa humana que também vale para as vítimas e os seus familiares.

Em resumo, a sociedade e as vítimas assistem a esta flagrante injustiça penal que ocorre sob o manto da impunidade, pelos crimes serem praticados por menores de idade.

Neste cenário de sucessivas tragédias, enquanto não ocorrem as grandes mudanças econômicas e sociais, são necessárias medidas urgentes nas escolas públicas e privadas, que também são responsáveis pela segurança de seus alunos e professores.

Desde 2002, nada mudou.

Com efeito, não houve um debate consistente sobre as possíveis soluções, a começar pela vergonhosa impunidade penal que também assola este setor criminal.

Neste cenário no qual as escolas privadas objetivam fundamentalmente o lucro e as escolas públicas encontram-se, muitas vezes, sucateadas e sem investimentos, o mais importante, neste momento, é a rápida e efetiva segurança e proteção dos estudantes, dos professores e da comunidade escolar.

É hora, de uma vez por todas, dos Poderes Legislativo e Executivo começarem a trabalhar e envolverem a sociedade brasileira neste importante debate.

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