O STF contra a Constituição Brasileira e a serviço da velha política

O golpe branco tramado contra a Constituição começou nesta sexta-feira e os primeiros votos foram dados quando grande parte dos brasileiros ainda dormia. É de um simbolismo bem apropriado a este nosso Judiciário tão desalumiado. O relator da matéria, Gilmar Mendes, apresentou no início da madrugada o voto favorável à reeleição dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Logo em seguida, ainda protegidos da luz do sol, Dias Toffoli deu seu apoio ao relator.

Cabe recordar que nos últimos dias, Toffoli e Gilmar andaram participando de encontros festivos, com comilanças e bebidas caras, em situações onde estavam presentes Maia e Alcolumbre, dois dos maiores interessados na reeleição inconstitucional. Foi de uma desfaçatez de quem julga estar tão acima da lei que nem faz questão de preservar as aparências. Toffoli promoveu em sua casa, em Brasília, uma comemoração para celebrar a nomeação de Kassio Nunes Marques ao STF. No “encontro entre amigos” estava Alcolumbre.

Até o final desta manhã cinco ministros já haviam dado votos. Além dos citados Gilmar e Toffoli, votaram Alexandre de Moraes e Ricardo Lewandowski, além de Kassio Nunes Marques, que chegou para se juntar ao grupo que costuma rasgar a Constituição. Se liberar a reeleição na Câmara e no Senado, o STF pode se afundar ainda mais em descrédito que já não é de pouca gravidade. A Constituição é muito clara quanto a esta reeleição: não pode. Se os ministros derem o veredito de que não se respeita um texto claríssimo, o que mais inscrito na Carta Magna terá validade?

Mas não se deve duvidar que passem por cima da lógica mais simples. Já fizeram isso outras vezes. Pois eles já não se juntaram para acabar com a prisão em segunda instância? Fizeram isso especialmente para tirar da cadeia o salafrário do Lula, favorecendo a impunidade e obrigando o país a retornar à ridícula condição de único país do mundo que não prende criminosos na segunda instância.

Chega a ser patético que o STF se junte para debater um texto de uma objetividade e clareza que só com muita má intenção pode ser colocado em dúvida. O texto diz seguinte: “Cada uma das Casas reunir-se-á em sessões preparatórias, a partir de 1º de fevereiro, no primeiro ano da legislatura, para a posse de seus membros e eleição das respectivas Mesas, para mandato de dois anos, vedada a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subsequente”.

Todo salafrário com plano de burlar a lei costuma vir com a conversa sobre as diferentes interpretações permitidas por ambiguidades da nossa Constituição. Ora, mesmo que se aceite esta opinião — raramente dada no sentido de aperfeiçoar o cumprimento das leis, mas para passar por cima delas —, ela não se aplica neste caso. O que temos aqui não uma questão de interpretação, mas de má intenção na leitura, simplesmente de quem não quer entender o que está escrito.

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Lições de 2020

  1. Ficar ao lado de Bolsonaro nas eleições de 2020 não foi uma boa ideia, nem será em 2022;
  2. A mentira tem perna curta;
  3. O desemprego de 15 milhões de pessoas é implacável e o endereço da culpa é o Ministério da Economia, na Esplanada dos Ministérios;
  4. Toda a política brasileira é refém do Centrão;
  5. Os políticos vitoriosos são os que nem são de direita, nem de esquerda – são glicerina;
  6. O negacionismo governamental da ciência é uma catástrofe;
  7. A Terra é redonda;
  8. A Covid-19 não é um resfriadinho;
  9. A escola sem partido não existe;
  10. O Brasil será o último a receber a vacina da Covid-19;
  11. Somente Tribunais Internacionais poderão condenar Bolsonaro pelas 180 mil mortes;
  12. Maia e Alcolumbre se declararão reis do Congresso Nacional e instituirão a monarquia legislativa – porque eleições são muito chatas;
  13. As promessas de campanha dos prefeitos eleitos já foram esquecidas pelo eleitorado;
  14. As festas de Natal e Ano Novo serão virtuais. Os presentes continuam físicos;
  15. A inteligência tem limites – a ignorância, não.

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Ficção apostólica

Os críticos literários inventam muitos termos interessantes, mas os rótulos inventados pelos meros escritores merecem atenção. Chuck Palahniuk, por exemplo, ao descrever seu romance “Clube da Luta” (que deu origem ao filme de David Fincher, com Brad Pitt e Edward Norton), disse que se trata de ficção apostólica. O que é isso? Ele explica: “Uma história onde um apóstolo, sobrevivente, conta a história do seu herói”.

O próprio Palahniuk dá “O Grande Gatsby” como exemplo desse tipo de livro.  Isso é o que? É um novo gênero literário? Uma nova classificação bibliográfica? Eu diria que não. É o modo como Palahniuk, ou Fulano, ou Sicrano, organiza algumas leituras suas. De fato, ele tem razão. Podemos considerar todas as histórias de Sherlock Holmes não apenas como ficção policial, mas ficção apostólica, devido ao narrador (não-confiável ao extremo) que é o Dr. Watson. Um modelo recolhido nos contos de Edgar Allan Poe sobre o Cavalheiro Dupin e seu anônimo narrador e amigo.

No “Clube da Luta”, conta-se a história do “herói” Tyler Durden; em “Rant”, Palahniuk traz dezenas de narradores para compor um mosaico da vida de “Rant” Casey. Alguém será capaz de narrar com isenção e objetividade os feitos do heróis a quem admira? Duvido. Toda vez que vemos grandeza em algo nosso impulso irresistível é de ampliar essa grandeza. O peso, a impressão, a presença, a influência que aquilo teve enquanto acontecia. Toda ficção apostólica tem algo de delírio de grandeza; um delírio sobre a grandeza alheia, no caso.

Ficção apostólica seriam talvez os “Diálogos” em que Platão preservou a figura de Sócrates, que sem ele talvez tivesse escorregado para um limbo onde provavelmente estão filósofos ainda mais lúcidos do que ele, mas que não dispuseram de um taquígrafo tão dedicado. Temos casos de não-ficção apostólica: a “Vida do Dr. Johnson” contada pelas anotações de James Boswell, e o “Borges” de Adolfo Bioy Casares, ambos baseados em décadas de anotações minuciosas, quase diárias, sobre todo tipo de conversa ou fofoca literária.

O ciclo de livros de Carlos Castañeda sobre o mago Don Juan tem esse aspecto apostólico, até pelo lado místico do personagem retratado. Essas histórias são ficção ou relato autêntico? Nunca se saberá, mas o aspecto apostólico (alguém entreviu um personagem complexo, e trouxe algo do que assimilou) está presente. Pode ser um narrador deslumbrado com um super-homem, como no “Odd John” de Stapledon. Pode ser um apóstolo perplexo como o Ismael de “Moby Dick”, para quem o herói, Ahab, é o maior mistério de todos. A ficção apostólica é sempre a de alguém que sobrou no fim para contar a história.

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Greca com dor

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Fraga

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Ela

meu tipo inesquecível julietteJuliette Binoche, por todos os seus filmes, principalmente Camille Claudel 1915, de Bruno Dumont, 2013. © Reuters

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No Chá da Academia

letrasetNo chá da Academia, em confidência ao amigo, o nosso poeta frascário e versado nos clássicos:

– Perlustrando os caminhos da urbe, deparei com uma deidade que me pareceu virgínea. Empós breve requesta, instei-a a acompanhar-me a uma casa de coabitação de tempo fugaz. Em lá chegando, desnudei-a e empolguei-a. Oh, pérfida Vênus: não é que, no assalto aos muros de Tróia, me coube investir o portal mais complacente?

Dalton Trevisan

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Jornal do Cínico

Do Filósofo do Centro Cínico

No país que precisa de heróis, de qualquer ordem, os da esquerda ficaram sem o pai Lula e a mãe Dilma. Agora, os da direita não sabem o que fazer desde que o mito Bolsonaro deu um bico na cria, o Moro, guia de cego com o discurso de limpar o país de meio século de corrupção endêmica. Todos merecemos.

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Jacob Miller

 

I Shall Be Released

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Playboy|1960

Michelle Hamilton1968|Michelle Hamilton. Playboy Centerfold

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Cercando o resultado

Inspirado em Trump, Bolsonaro já se prepara para virar a mesa em 2022

Os EUA foram às urnas no dia 3 de novembro e a apuração, como nos lembramos, se arrastou tanto que foi motivo de piadas. A edição seguinte da revista The New Yorker, de 9 de novembro, não falava do resultado e, mesmo que o processo fosse mais rápido, não teria como. As semanais americanas são feitas com grande antecedência, e sua data de capa é muito adiantada em relação à da efetiva circulação. Significa que, quando aquela New Yorker estava sendo preparada, a dias da eleição, ninguém sabia ainda se daria Donald Trump ou Joe Biden.

Mas um dos principais artigos da edição, “Gaming the endgame”, por Jane Mayer, trazia uma antecipação do que aconteceria em caso de derrota de Trump. O título, significando aproximadamente “Cercando o resultado”, previa o que ele faria se perdesse –o que aconteceu. E, até agora, um mês depois das urnas, Mayer acertou tudo.

Trump jamais aceitará a derrota, ela escreveu. Não reconhecerá a vitória de Biden nem o cumprimentará. Contestará sem provas a validade da apuração nos estados em que perdeu. Falará de fraude nos votos pelo correio e porá suas milícias para acusar o sistema. E, se a derrota for definitiva, o passo seguinte será se anistiar pelos crimes que cometeu durante a gestão.

Trump, se quisesse, poderia anistiar a si próprio, mas isso seria impensável até para seu cinismo. Nada impede, no entanto, que, em seu último dia na Casa Branca, ele se licencie por uma hora. O vice Mike Pence assumirá e o anistiará. Trump, então, reassumirá com a ficha limpa e só então irá embora. É aguardar.

Incrível como cada passo ilegal de Trump pôde ser previsto por uma jornalista. No Brasil, Jair Bolsonaro já se prepara para uma eventualidade —vide sua campanha contra o voto eletrônico. A Justiça brasileira fica, assim, prevenida de que pode estar sendo cozinhado um crime, para se somar aos que Bolsonaro terá cometido até 2022.

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O processo de Viviane Amsalem

gett_vivianeamsalemO Julgamento de Viviane Amsalem, de Shlomi Elkabetz e Ronit Elkabetz; França, Israel e Alemanha. 2014, (1h56min). Em Israel, somente os rabinos tem o poder de firmar ou dissolver um casamento. Mas esta última opção só se concretizará se houver total consentimento do marido. Viviane Amsalem (Ronit Elkabetz) está pedindo um divórcio há três anos, mas seu marido, Elisha (Simon Abkarian), a nega. A intransigência do marido e a determinação de Viviane em lutar por sua liberdade dão o contorno deste processo.

Um filme israelita que põe em tribunal a dignidade humana com uma simplicidade e uma inteligência raras (…)  Gett é uma grande, enorme, extraordinária surpresa. – Público

Um filme magnífico sobre como as regras e as instituições impossibilitam a nossa liberdade. Time Out Lisboa

Quando tanto se fala na posição da Mulher na sociedade, ver GETT é obrigatório, nem que seja para nos relembrar como religião ou hábito continuam a ser instrumentos de opressão do sexo feminino Sábado

Apaixonante, Gett: O Julgamento de Viviane Amsalem é um filme tanto misterioso quanto opressivo. Resta esperar que este belo filme, magnificamente interpretado (…), suscite um debate, não só em Israel, mas também nas comunidades judaicas por todo o mundo. Le Monde

Pela sua forma de equilibrar permanentemente a comédia e o drama, entre Kafka e a comédia italiana, este último capítulo da trilogia de Ronit e Shlomi Elkabetz exprime uma profunda inquietude quanto ao futuro do país. Les Cahiers du Cinéma

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Mural da História

este-jacaré-solda

1980

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