Poluicéia Desvairada!

cuque-dois“O sonho acabou. Mas ainda tem cuque”. Solda, década de 70. Lee Swain. © Myskiciewicz

Publicado em poluicéia desvairada! | Com a tag , , , | Deixar um comentário
Compartilhe Facebook Twitter

Elas

© Ella Durst

Publicado em elas | Com a tag , , | Deixar um comentário
Compartilhe Facebook Twitter

Mural da História

Salah-Abdeslam

Publicado em C'est la vie! | Com a tag , , , , , | Deixar um comentário
Compartilhe Facebook Twitter

Maria

Olinda, entre outras belezas, tem um museu de esculturas sacras, quase todas de santos conhecidos ou desconhecidos. Todo o espaço de uma das salas é ocupado por homens santos de pedra, salvo por uma vitrine que protege a figura de uma menina adolescente. A menina se destaca do resto justamente por estar cercada de machos beatificados, muitos com quase o dobro do seu tamanho. Outras salas do museu têm um número equilibrado de santos e santas. Algumas das santas são populares, como as Sant’Anas.

A menina não é popular. Não existe, acho eu, outra escultura ou pintura da menina nessa idade, no mundo. Ou será só em Olinda? Depois, a menina entrará em varias histórias. Sua milagrosa história pessoal, a história do Cristo, a história da arte. Por enquanto, ela é apenas uma adolescente a caminho de casa, sem ninguém para avisá-la do que virá. Ou que a História não é para adolescentes.

Um curto texto no chão da redoma nos informa que a menina é Maria, mãe de Jesus. Maria antes de crescer, Maria sem nem imaginar o que a vida lhe prepara, quando crescer. Agora, por que um ateu irremediável como eu está emocionado na frente dessa pequena maria solitária, a caminhos de ser a Maria mãe e santa? A menina que me olha através do vidro da vitrine não sabe, mas ela já é a Maria que Michelangelo esculpirá na sua Pietà, um filho morto no colo da mãe, toda a dor do mundo tirada de um bloco de mármore, e não há nada que eu possa fazer, minha filha.

O Fernando Sabino contava que um amigo seu dizia:

– Eu não acredito em Deus, mas tenho uma certa queda pela Virgem Maria…

Eu também. Maria é devidamente cultuada por cristãos. Existe mesmo uma forte corrente marista na Igreja. Mas é inescapável a sensação de que ela não recebe toda a devoção que merece. A Bíblia, por exemplo, descreve toda ascendência, através de gerações, não da Maria – mas do José! Que, como se sabe, não teve nenhum papel na concepção ou no destino de Jesus. Protesto.

Publicado em Luis Fernando Verissimo - O Globo | Com a tag , | Deixar um comentário
Compartilhe Facebook Twitter

Panis et circenses

Publicado em Panis et circenses | Com a tag , , | Deixar um comentário
Compartilhe Facebook Twitter

balalaica
(como um balido abala
a balada do baile
de gala)
(como um balido abala)
abala (com balido)
(a gala do baile)
louca a bala
laica

Maiakóvski|Tradução de Augusto de Campos

Publicado em Balalaica | Com a tag , | Deixar um comentário
Compartilhe Facebook Twitter

Duke

© Duke – O Tempo (MG)

Publicado em Duke | Com a tag , , | Deixar um comentário
Compartilhe Facebook Twitter

Do pequeno capitão ao grande irmão

“FONTES MILITARES” – como sempre sob o resguardo do anonimato, segundo a Folha de S. Paulo – minimizam o repasse por Jair Bolsonaro da convocação para manifestação popular contra o Congresso Nacional. O presidente, segundo tais fontes, teria “pedido apoio” e não apoiado a manifestação. Nem Kant captaria a sutileza.

As tais fontes, ainda, justificam a revolta bolsonárica contra os corruptos do Congresso, seus apoiadores no STF e na imprensa e os esquerdistas em geral. As “fontes militares” trabalham com o léxico do Grande Irmão de Orwell, para quem servidão é liberdade, opressão é democracia e preto – por que não? – tem que ser branco.

Ou seja, as fontes militares fazem a distinção entre o empurrar para o abismo e o recomendar que pule para o abismo. Em outras palavras, absolvem e não surpreenderia se apoiassem os bolsodementes e o demente-chefe num golpe contra o Congresso, o STF, a imprensa e os esquerdistas em geral.

Essa justificativa significa que o governo Bolsonaro não pode conviver com as instituições que denunciam ou contêm seus abusos. Foi o discurso de 1964, que se repete em períodos da história republicana, desde Floriano. É a tutela militar, que ensaia combater a auto-proteção institucional pelo parlamentarismo branco.

Publicado em Rogério Distéfano - O Insulto Diário | Com a tag , | Deixar um comentário
Compartilhe Facebook Twitter

Vixe!

Publicado em vixe! | Com a tag , | Deixar um comentário
Compartilhe Facebook Twitter

216 palavras para a imprensa definir com precisão Bolsonaro e seu governo

Todo dia, a imprensa e os jornalistas fazem um esforço hercúleo para qualificar o governo do capitão Jair Messias Bolsonaro, permanentemente assediado pelas sandices do que diz e pelos absurdos do que faz na cadeira de presidente da República.

Pelo conjunto da obra, até agora, Bolsonaro pode ser considerado o chefe de Estado mais esdrúxulo entre as 206 nações hoje existentes no planeta, segundo as Nações Unidas, que considera 190 Estados soberanos e outros dezesseis ainda em disputa. No plano brasileiro, desde a proclamação da República, em 1889, Bolsonaro é com certeza o mais controverso, polêmico e contestado ocupante da Presidência. Por tudo isso, em pouco mais de seis meses de mandato, o capitão pode ser qualificado com justiça como o pior dos 38 presidentes da história republicana.

Com seu inesgotável e diário talento vocabular para produzir absurdos, espancar a verdade histórica e aturdir a consciência do país, Bolsonaro faz jus a um, alguns ou vários dos adjetivos abaixo, que a imprensa escava para tentar definir, sob variadas circunstâncias, esse bizarro momento da história brasileira. Conferindo:

Ignorante, burro, idiota, imbecil, retardado, analfabeto, boçal, bronco, estúpido, iletrado, ignaro, ilegível, obscuro, sombrio, onagro, atrasado, inculto, obsoleto, retrógrado, beócio, rude.

Besta, animal, cavalgadura, quadrúpede, tolo, alarve, grosseiro, jalofo, lorpa, desajeitado, peco, tapado, teimoso, chucro, intratável, desalumiado, escuro, asnático, brutal, bruto, bugre.

Desaforado, descortês, duro, estólido, inepto, lambão, obtuso, palerma, sandeu, selvagem, toupeira, cavo, incapaz, insensato, incompetente, imperito, impróprio, inapto, inábil, insuficiente.

Abagualado, bárbaro, labrusco, sáfaro, insciente, inepto, insipiente, imprudente, leigo, alheio, estranho, profano, estulto, fátuo, mentecapto, pateta, toleirão, írrito, vão, oco, chocho.

Frívolo, fútil, vazio, definhado, enfezado, frustrado, abeutalhado, agreste, áspero, chambão, cavalar, desabrido, difícil, escabroso, fragoso, incivil, inclemente, indelicado, inóspito, pesado.

Roto, ríspido, rombudo, severo, silvestre, tacanho, tosco, covarde, poltrão, safado, baldo, infundado, mentido, nugativo, supervacâneo, curto, bordegão, asinário, bordalengo, calino.

Indouto, sinistro, arrogante, desinformado, alvar, atoleimado, estúpido, boçal, bronco, animal, disparatado, rude, azêmola, desajeitado, lanzudo, brutal, asselvajado, bestial, protervo.

Selvagem, truculento, violento, chulo, irracional, javardo, malcriado, desaforado, atrevido, insolente, descortês, inconveniente, indelicado, intratável, confragoso, cru, cruel, despiedado.

Difícil, implacável, penoso, tirano, triste, estólido, estouvado, néscio, abarroado, abrutalhado, achamboado achavascado, bárbaro, chaboqueiro, crasso, desabrido, grosso, labrego.

Maleducado, reles, rugoso, rústico, soez, tarimbeiro, abestalhado, aluado, babão, bobalhão, bobo, bocó, demente, descerebrado, desequilibrado, desmiolado, lerdaço, paspalhão, pastranho.

Sendeiro, toupeira, vão, bestialógico, insociável, mal-humorado, ranzinza, soberbo, panema, embotado, escabroso, inclemente, carniceiro, safado, entupido, obducto, boto, agro, balordo.

Todo santo dia, a língua solta e a cabeça mole do capitão-presidente renovam a necessidade de escavar novos adjetivos para definir sua inqualificável obra de governo.

Só com a ajuda de nossos principais dicionários, Aurélio e Houaiss, é possível dar uma ideia aproximada do que representa, até agora, a desastrada administração federal de Bolsonaro e seus maus exemplos, como a estúpida agressão ao presidente da OAB e sua condenável impostura histórica sobre o desaparecimento de um preso político tragado pela violência da ditadura que o capitão-presidente sempre exalta e rememora com cúmplice nostalgia.

Os 216 adjetivos e vocábulos acima, para uma ou outra circunstância, qualificam (ou desqualificam) com mais precisão o governo Bolsonaro.

Para avaliar os seus três filhos Zero — Flávio, Eduardo e Carlos —, de inegável influência sobre o pensamento (?) e os atos (!) do pai presidente, é necessária outra pesquisa nos dicionários.

Jornalista, foi consultor da Comissão Nacional da Verdade e é autor de Operação Condor: o sequestro dos uruguaios – uma reportagem dos tempos da ditadura (L&PM, 2008).

Publicado em Luiz Cláudio Cunha | Com a tag | Deixar um comentário
Compartilhe Facebook Twitter

Mural da História

catanduvasdois
Publicado em mural da história | Com a tag , , , , | Deixar um comentário
Compartilhe Facebook Twitter

Iara_F. © IShotMyself

Publicado em tetas ao léu | Com a tag , , | Deixar um comentário
Compartilhe Facebook Twitter

Tempo

carnaval-1981Carnaval 1981. Decoração da Rua Marechal Deodoro, tema Etnias, do cartunista que vos digita  e do arquiteto Fernando Popp. © Alberto Melo Viana

Publicado em tempo | Com a tag , , , , | Deixar um comentário
Compartilhe Facebook Twitter

Eu sou racista

Esse texto é um jeito de pedir socorro

No primeiro dia de aula da minha filha, eu e meu marido notamos que não havia uma única criança negra brincando pelo pátio. Isso nos causou um misto de tristeza com culpa.

Lamentamos o mundo ser assim e, ao mesmo tempo, nos incluímos nas pústulas do país em que vivemos.

Aquela correria alegre e saltitante de crianças brancas nos dizia tanto e era ensurdecedor: ou estávamos na escola errada ou erramos ininterruptamente por mais de cem anos e ainda não aprendemos nada com isso.

De repente, uma garotinha negra passou por nós e parou a poucos metros, brincando de amarelinha. Eu e meu marido nos olhamos.

Nem tudo estava perdido em nossas vidas de adultos brancos tentando fazer do mundo um lugar menos medíocre para aplacar nossa culpa branca e medíocre.

Pobres de nós, consumistas desenfreados de memes de esquerda e pílulas de sabedoria rápida para não
apodrecer no inferno.

Eu não me aguentei e fui até a menina. “Bárbara”, ela me disse. E eu, esfuziante, dizendo que nunca tinha ouvido nome mais maravilhoso. Elogiei seu cabelo, seu sapato, seu colarzinho. Ela me achou uma idiota e foi correndo encontrar a professora e seus amigos de classe. Sim, Bárbara, eu sou uma completa idiota!

Voltei pra casa me sentindo um lixo. Fui ao encontro de Bárbara movida por contentamento e também por uma necessidade de estimular aquela criança a se sentir amada e acolhida.

E quem disse que ela precisava disso? E quem sou eu pra achar que posso dar tudo isso para ela? Do alto de que patamar de imbecilidade branca acho que posso entregar a uma garotinha negra, que só queria brincar em paz, o bastão da igualdade, a estátua do pertencimento?

Quem sou eu pra achar que uma criança, igual a todas as outras ali, precisava ser destacada pela minha histeria caridosa?

Por que frequento somente lugares em que o negro, quando presente, é alvo de nossos olhares vulgares de “ufa, pelo menos um”?

Por que, por Deus, tratei Bárbara como uma flor rara, delicada e frágil enquanto outras crianças ralavam joelhos na minha frente e estavam ali justamente pra isso? O nome disso, vai ver, é racismo.

Eu vivo de cara feia. Eu sou a clássica “white people problems”, tipo “ai, meu marido isso, meu marido aquilo”. Sendo que Pedro é ótimo. “Ai, meu emprego”. Sendo que tenho ótimos trabalhos.

Mas eu vivo com uma carinha de bosta porque, além de ter dor crônica nas costas e viver com enxaqueca, sou uma idiota entediada pelas rasas imperfeições da minha bolha de privilégios.

Porém, se você cruzar comigo e for negra, automaticamente meu rosto se iluminará, minha voz ganhará doçura e eu vou começar a te elogiar tanto que periga você me falar que, desculpa aí, tem namorado ou namorada.

Eu tenho tanto horror em imaginar que a minha “cara de nada” possa soar como arrogância que passei a, forçosamente, derramar amabilidade pelas ruas. Sabe que nome tem isso? Vai ver que é arrogância. Justamente. A estupidez é viciante e quentinha.

Meus antepassados racistas deixaram uma dívida tão infinita que nem 100 bilhões das minhas risadas e delicadezas pagariam.

Então, sigo nervosa, tola, culpada, forçada, sem saber onde enfiar minha alva cara de tacho. E isso é porque sou uma queridona legalzona de esquerda? Humana pacas?

Não, isso é porque sou uma babaca branca e, como já disse acima, provavelmente racista. Esse texto é um jeito de pedir socorro.

Publicado em Tati Bernardi - Folha de São Paulo | Com a tag , | Deixar um comentário
Compartilhe Facebook Twitter

Piadas de caserna

Publicado em piadas de caserna | Com a tag , , | Deixar um comentário
Compartilhe Facebook Twitter

Faça propaganda e não reclame

Publicado em Faça propaganda e não reclame | Com a tag , , | Deixar um comentário
Compartilhe Facebook Twitter

Ele

meu-tipo-inesquecível--fragaConheci Fraga no tempo do guaraná com rolha e nos tornamos amigos de infância imediatamente. (Solda) – Foto de Orlando Pedroso

Num mundo ideal, não haveria humoristas: eles morreriam de tédio na pasmaceira reinante nesse hipotético e apático sistema perfeito. Por isso mesmo, nem fariam falta. Num mundo um pouco menos ideal, com a raça humana aprendendo a se mancar cada vez mais, mais cedo ou mais tarde pintaria a idéia: ei, gente, que tal inventar uns caras que estejam sempre pegando no nosso pé, só pra não ficarmos caindo nos mesmos buracos? Vão gostar tanto do serviço que nem caros deverão ser.

Num mundo muito longe de ideal porém ainda com um desenvolvido senso de civilização, não só haveria humoristas como brotariam tipo erva daninha (sendo inclusive classificados como tal mas nem por isso afastados do jardim botânico). Por iluminar o obscurantismo e refrescar as idéias, em troca não seriam privados de água e luz.

Num mundo nada ideal mas com predominantes noções de justiça e de igualdade na sociedade, os humoristas, apesar de taxados de rabugentos e sempre do contra, ainda assim seriam apreciados por suas pílulas douradas, com a possibilidade, mesmo remota, de elas fazerem efeito aqui e ali em seres imaginários, tipo autoridades e governantes abertos à crítica.

Num mundo bem ao contrário do ideal e cada vez mais fdp em todos os aspectos sociais, o senso de humor dos humoristas não seria mais tolerado, mas, beneficiado apenas pelas estatísticas da água mole em pedra dura, talvez funcionasse, vez ou outra, como contrapeso na balança desregulada dos valores.

Neste mundo à beira do caos e no fundo do poço ético, chamado Hoje Em Dia, se se usasse um resquício da graça primitiva da espécie e um resto da clareza de que a diversidade de opinião é uma contribuição progressista, a imprensa – mesmo pressionada pelos interesses – ainda assim não pressionaria seus humoristas.

Neste mundo egresso de recente ditadura militar, onde a Censura asfixiou liberdades, se houvesse vergonha na cara, memória histórica e reserva moral na opinião pública, os chargistas Santiago, Moa e Kayser ainda estariam empregados no Jornal do Comércio de Porto Alegre, respeitados em seu utilitário papel de divergir. Bobagens.

Num mundo ideal, ideal mesmo, a expressão “num mundo ideal” nem existiria.

janeiro|2016

Publicado em fraga | Com a tag , , , , | Deixar um comentário
Compartilhe Facebook Twitter

Tempo…

Publicado em Charge Solda Mural | Com a tag , , | Deixar um comentário
Compartilhe Facebook Twitter

Fraga

retalhos

Ele é o tal. Bem talhado, é leve e seu design é estruturado para conservar permanentemente a aparência impecável. Seu material não proveio de Kripton, logo, não traz a indestrutibilidade do uniforme do Super-Homem. Sua blindagem, interna, não é nem de kevlar nem de aramida, as proteções mais eficientes dos coletes à prova de bala – a maioria tem uma entretela, tira de uns 6x35cm que absorve a goma que as passadeiras especializadas se encarregam de afixar nele. Após este ritual de prensagem a altas temperaturas, sob vapor, ele está outra vez apto a desempenhar suas funções de fiel escudeiro dos poderosos, mais conhecidos como banqueiros, empresários, políticos, executivos, vulgarmente reconhecidos como manda-chuvas, big-boss, chefes etc.

Usado em torno de uma das mais frágeis regiões do corpo humano, ele a reforça de uma aura protetora que mantém ameaças à distância segura. O efeito é uma inibição que afeta agentes da lei e da ordem, que não ousam tocá-lo. O protegido, que tem elevada confiança na sua capacidade defensiva, apenas tem o cuidado de utilizar um desses indispensáveis acessórios por ocasião, com trocas oportunas para garantir sua eficácia durante reuniões nas altas esferas, expedientes decisivos, eventos públicos, ambientes festivos. Nem ao WC vai sem ele. É tão importante que você nunca viu um se demorar na cadeia. Ele é o colarinho branco, o defensor dos fortes e opressores. Se a descrição impressiona, imagine o próprio.

Publicado em fraga | Com a tag , , , | Deixar um comentário
Compartilhe Facebook Twitter

Desbunde!

Stelle. © IShotMyself

Publicado em Desbunde! | Com a tag , , | Deixar um comentário
Compartilhe Facebook Twitter